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A cidade que queremos: precisamos escolher!

Sandro Bussola
| Tempo de leitura: 3 min

Um dia triste, não apenas para centenas de famílias que serão assoladas pelo fantasma do desemprego, mas para a história da cidade e, principalmente, para os sonhos de um futuro pautado pelo desenvolvimento. No momento em que a cidade discute formas de alterar e regulamentar suas normas urbanísticas, com o objetivo de atrair e viabilizar investimentos, é anunciada a partida de uma grande indústria, que contribui com o sustento de milhares de pessoas, levando em conta os trabalhadores diretos, indiretos e seus familiares, e paga ao Estado consideráveis valores em ICMS, que, em parte, retornam ao município.

Não dá para dizer que a saída da Mondelez é uma surpresa para seus funcionários. Rumores desse tipo rondam os corredores da fábrica há muito tempo. O que também não dá para dizer é que houve inércia por parte da classe política. Em outubro de 2017, procurado por representantes do Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação, que apresentou o receio do fechamento fábrica, um grupo de vereadores, do qual eu fiz parte, acionou o Poder Executivo e a empresa, que apresentou como única demanda uma pendência junto à CPFL Paulista.

Diante disso, esses parlamentares, junto ao prefeito, mediaram reunião entre a Mondelez e a presidência da concessionária de energia, que tomou as medidas para sanar o problema. Agora, a empresa aponta que decisões internas e estratégicas de negócios levaram à decisão de encerrar, até dezembro de 2018, suas atividades em Bauru e Piracicaba, transferindo-as para cidades do Paraná e de Pernambuco.

Alguns pontos, contudo, nos chegam com estranhamento. O primeiro: qual a estratégia em distanciar sua produção dos maiores mercados consumidores do País, no caso, a cidade e o interior de São Paulo? O segundo: teria sido essa decisão tomada da noite para o dia? Como imagino que não, só posso concluir que a cidade de Bauru, seus representantes e os trabalhadores da Mondelez não foram devidamente respeitados. Isso porque, em todos os contatos, essa possibilidade era tratada como boato pela empresa, que ainda explanava sobre seus planos de investimentos.

Sei que estamos no sistema capitalista, mas há também que se considerar os compromissos que as empresas devem ter no campo social. Se o diálogo tivesse se desenrolado com transparência, o poder público de Bauru poderia agir de forma a mitigar os impactos negativos da saída dessa empresa, inclusive no que diz respeito à capacitação e recolocação de centenas de trabalhadores no mercado.

Se restarem possibilidades de ação política na tentativa de reverter a decisão da Mondelez, da parte da Câmara Municipal, serão executadas. Ao que me parece, a guerra fiscal entre os estados, que tem feito de São Paulo sua principal vítima, pesou. Por essa razão, é importante também mobilizarmos nossos deputados, o governador Geraldo Alckmin e o vice-governador Márcio França, que, em breve, assumirá o Palácio dos Bandeirantes.

No mais, fica o desafio para a administração municipal, junto à Mondelez, de buscar saídas para que a estrutura da fábrica e a mão de obra qualificada que ficam em Bauru sejam aproveitadas e potencializadas em um novo projeto, compromissado com a cidade.

Para finalizar, reitero a minha convicção de que Poder Executivo, Poder Legislativo e sociedade civil organizada somem esforços para planejar e agir na construção da cidade que queremos. Seremos um celeiro de penitenciárias ou o coração do Estado, pujante, com oportunidades, crescimento, trabalho e renda? Precisamos escolher!

O autor é vereador e presidente da Câmara Municipal.

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