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Custos sociais dos acidentes de trânsito

Archimedes Azevedo Raia Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

A situação do trânsito brasileiro, ao longo das décadas, tem se mostrado muito caótica. Os números de mortes e acidentados são comparáveis aos de países de baixo desenvolvimento. Na verdade, as consequências do trânsito no país são comparadas às externalidades produzidas pelas piores guerras.

Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os acidentes de trânsito produzem cerca de 1,3 milhão de mortes, anualmente, no mundo todo. As estimativas apontam que 50 milhões de pessoas sofrem lesões graves oriundas dos acidentes no trânsito, ficando temporária ou permanentemente incapacitadas. Os custos globais anuais dos acidentes chegam a US$ 518 bilhões.

Para os países, os custos podem atingir de 1% a 2% do seu produto interno bruto. O problema, no Brasil, adquire feições ainda mais dramáticas e se coloca como um dos seus maiores desafios. Segundo a OMS, o trânsito é, atualmente, dentre as causas externas, a segunda maior causa de mortes entre os brasileiros, com incidência mais acentuada entre jovens e adultos na faixa de 15 a 39 anos.

Dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam que, em 2016, registrou-se uma diminuição de cerca de 10% no número de óbitos em acidentes de trânsito em relação ao ano anterior. No território nacional, contabilizou-se 34,9 mil vítimas fatais, enquanto que, em 2015, foram 38,7 mil.

Outrossim, neste mesmo período, elevaram-se as internações hospitalares derivadas dos acidentes de trânsito. Foram 158,7 mil, em 2015, e 180 mil, em 2016, representando uma elevação de 14%. Se, de um lado, a quantidade de mortes decaiu, por outro lado, o número de internações por acidentes aumentou ainda mais.

Os custos totais anuais dos acidentes de trânsito no Brasil chega a atingir a cifra de R$ 52 bilhões, que correspondem a cerca de 40% do orçamento do Ministério da Saúde para 2018 (R$ 130 bilhões). Anualmente, em média, cada brasileiro gasta R$ 256 com os acidentes de trânsito. Este valor leva em conta o quanto cada pessoa "desembolsou" com gastos com hospitais, médicos, infraestrutura, medicamentos, pronto-atendimento etc. bancado através de impostos.

Adicionalmente, há um "custo" pela perda da vida humana ou mesmo a incapacidade das pessoas que não é possível ser quantificada. É uma dor imensa a ser suportada seja por decorrência de falhas da própria pessoa, como também motivada por desídia de terceiros.

Enfim, é uma tragédia que não consegue sensibilizar nossos governantes, quaisquer que sejam as esferas de atuação, federal, estadual ou municipal. Boas leis o país dispõe. O que falta é vontade política para enfrentar o problema que, a cada nova gestão, é empurrado para debaixo do tapete. Até quando? Até quando nós acharmos que essa tragédia é fruto de "fatalidade", "o destino quis assim", quando na verdade, não são acidentes, mas sim fruto de comportamento em desconformidade com a civilidade, ignorando os riscos.

O autor é professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Urbana da UFSCar e diretor de Mobilidade da Assenag.

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