| Samantha Ciuffa |
![]() |
| Mondelez anunciou que irá sair de Bauru e demitir seus 800 funcionários até o final do ano |
Ao menos seis indústrias do ramo de alimentação de Bauru e região já demonstraram interesse em contratar funcionários da Mondelez que, até o final deste ano, serão desligados da companhia. A informação é do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bauru e Região que revelou que, desde o anúncio do fechamento da unidade da multinacional na cidade, empresários começaram a procurar a entidade para solicitar currículos dos trabalhadores.
"É uma mão de obra muito qualificada. Acredito que alguns profissionais especializados, inclusive, serão muito disputados. É algo muito salutar", analisa o presidente Antônio Carlos de Oliveira Matheus, o Pardal.
Para ajudar na mediação deste contato, a entidade se dispôs a receber os currículos digitais dos funcionários e encaminhá-los às empresas. "O sindicato irá informar as empresas quando houver a rescisão do contrato dos empregados e, então, as pessoas que se encaixam no perfil serão chamadas para entrevistas. Estamos muito contentes com esta notícia e na expectativa de que ela ajude a amenizar o problema do desemprego para os trabalhadores da alimentação de Bauru", pondera.
Conforme o JC divulgou, alegando a necessidade de "otimizar seu modelo de produção", a Mondelez anunciou que irá desativar sua unidade em Bauru e demitir seus 800 funcionários até dezembro deste ano. Com o objetivo de amenizar o impacto do desemprego aos trabalhadores, além de um pacote de benefícios complementar às rescisões contratuais, a companhia informou que oferecerá consultorias e workshops para facilitar a recolocação dos profissionais no mercado.
CURRÍCULOS
Neste plano, segundo Pardal, a entidade pedirá à multinacional a inclusão de mais um auxílio. "Sou ideologicamente contra sindicato fazer parceria com empresa, mas estamos partindo do princípio de que ela será em benefício dos empregados. A Mondelez tem uma equipe especializada contratada para realizar esta consultoria e vamos pedir para que ela também ajude os trabalhadores a elaborar os currículos e mande estes arquivos para a gente encaminhar às empresas interessadas", detalha.
A expectativa, contudo, é de que os funcionários não comecem a ser demitidos imediatamente. Segundo o sindicato, a previsão é de que as demissões tenham início em maio, com transferência gradativa da produção local para a unidade de Curitiba (PR).
Por meio de nota, a multinacional havia informado que, "havendo vagas abertas, os colaboradores que tiverem mobilidade e perfil compatível serão considerados para transferência". Mas, nos bastidores, a avaliação é de que esta oportunidade irá abranger um universo ínfimo do total de trabalhadores da planta em Bauru.
Até o momento, de acordo com o sindicato, apenas cinco funcionários, todos eles membros da diretoria da entidade, foram afastados da Mondelez. Acionada, a assessoria de imprensa da empresa não informou qual será o cronograma de desativação da fábrica e de demissões dos empregados, nem a destinação que será dada à planta local, cuja área foi cedida pelo município e hoje pertence à companhia.
Mobilização
Em viagem a Piracicaba, Sandro Bussola manteve, nessa sexta-feira (2), contato com vereadores da cidade, que também terá sua unidade fabril desativada pela Mondelez. Os parlamentares demonstraram disposição em participar do esforço dos vereadores e do Executivo bauruense junto ao governo do Estado para tentar reverter a saída da multinacional do território paulista, uma vez que há o entendimento que a carga tributária do Estado teve peso na decisão da empresa.
Como resultado, já nesta segunda, o secretário de Estado do Emprego, José Luiz Ribeiro, ex-vereador em Piracicaba, irá se reunir com representantes da Mondelez na planta piracicabana. O encontro contará com as presenças de Gazzetta, Bussola e lideranças políticas daquela cidade.
|
.jpg)