| Renan Casal |
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| Fabiana Inhesta aguardava atendimento com o filho de 5 anos; outras crianças brincavam durante espera |
Com reclamações pontuais, o primeiro dia de funcionamento do Pronto Atendimento Infantil (PAI) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Bela Vista apontou para a necessidade de alguns ajustes para os próximos dias. Apesar de avaliar o saldo das primeiras 12 horas de atividades como positivo, a Secretaria Municipal de Saúde informou que irá avaliar eventuais falhas que possam ser corrigidas neste processo inicial de adaptação.
Titular da pasta, José Eduardo Fogolin destacou que, de maneira geral, o dia transcorreu com tranquilidade. Mas, por volta das 15h, quando a reportagem esteve na UPA com aproximadamente 20 crianças na sala de espera, várias mães reclamavam de demora no atendimento.
Uma delas era a promotora de vendas Maísa Cornélio da Silva Aguilhar, 25 anos, que disse já estar esperando há duas horas sem que a filha de 6 anos, com febre, sequer passasse pela triagem. "Se eles não têm capacidade para atender na UPA, não deveria ter mudado. Agora que a reportagem (do JC) chegou, começou a aparecer funcionário para atender. É absurdo, é desrespeito com as crianças, que não têm como se defender", reclama.
Ela foi informada de que o motivo da demora foi a suspensão do processo de triagem dos pacientes, já que a enfermeira que realizava o serviço foi acionada para prestar apoio a um caso pediátrico de urgência. A versão foi confirmada pelo secretário municipal de Saúde.
"Foi algo pontual, de uma criança com dispneia, um quadro respiratório grave, e este caso chegou em um momento em que o volume de atendimentos era maior. Pela manhã, recebemos muitos elogios dos pais e esperamos que a população continue confiando no nosso trabalho, porque estamos atentos para nos adequar nestas primeiras semanas com o objetivo de garantir o melhor acolhimento", argumenta, salientando que a criança atendida na urgência, agora, passa bem.
MESMA EQUIPE
| Prefeitura/Divulgação |
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| Enquanto aguardavam atendimento, algumas crianças brincaram na área de recreação da UPA |
Segundo Fogolin, os profissionais que estão atuando na UPA da Bela Vista são os mesmos que já trabalhavam no pronto atendimento da região central, sem redução da equipe de enfermagem. Ainda de acordo ele, a triagem ficou paralisada por 30 minutos, embora as mães que aguardavam atendimento na UPA na tarde de ontem tenham alegado que a espera se estendeu por duas horas.
Além de reclamarem da lentidão, elas se queixaram da falta de ventilação na sala de espera e da necessidade de separar adultos e crianças no local para evitar a transmissão de doenças, inclusive, para os recém-nascidos. Outra preocupação, que mobilizou muitas mulheres, foi o quadro de saúde de um menino de 5 anos, que aguardava atendimento depois de vomitar e sofrer queda de pressão dentro da UPA.
Segundo a mãe, a dona de casa Fabiana Inhesta, 37 anos, o menino passou pela triagem depois do enjoo, mas demorou a ser chamado para a consulta médica porque os funcionários não encontravam o seu prontuário. "Ele chegou quase a desmaiar, está com dificuldade para respirar. Estamos esperando há meia hora e não fizeram nada", lamenta.
NO CENTRO
Enquanto alguns problemas foram registrados na UPA, no prédio do Pronto-Socorro Central (PSC), onde um pediatra está na retaguarda nestes primeiros 15 dias para atendimento de casos de urgência que eventualmente sejam encaminhados à unidade, somente três crianças foram atendidas entre 7h e 19h. Como não eram casos considerados graves, foram encaminhados para o tratamento adequado na Bela Vista.
"Todas eram moradoras de municípios vizinhos, o que foi algo muito positivo para nós, porque tivemos a certeza de que a população de Bauru foi bem informada sobre a mudança", frisa José Eduardo Fogolin.
De acordo com ele, na UPA, foram 111 crianças atendidas nas primeiras 12 horas de funcionamento da pediatria. Na unidade, além da equipe de enfermagem, trabalham dois pediatras por plantão - em duas semanas, passarão a ser três no período diurno.
Conforme o JC divulgou, a mudança de endereço tem caráter temporário para viabilizar a conclusão do Centro de Diagnóstico, que está sendo construído nos fundos do PSC. Ao final das obras, contudo, a Secretaria Municipal de Saúde não descarta a possibilidade de manter na região central, por tempo indeterminado, somente o atendimento de casos graves.

