Em recente balanço ao final dos jogos olímpicos de inverno de Pyeongchang, na Coréia do Sul, evidenciou-se que o legado destes jogos foram a sustentabilidade ambiental. Os contrastes do país asiático entre campos subdesenvolvidos e a grandiosidade estrutural dos jogos olímpicos de inverno chegam a ser irônicos, mas ainda assim sustentável.
Este legado olímpico ambiental contempla moinhos de energia tecnologicamente avançados e geradores de energia, além de emissões zero de carbono líquido, uma frota de veículos elétricos de 300 veículos e 10.000 toneladas de créditos de carbono para compensar quaisquer emissões.
Mas e as questões anticorrupção? Sim, caro leitor, o COI tomou medidas credíveis no combate das práticas corruptivas alterando o contrato modelo do país anfitrião para incluir uma provisão de conformidade anticorrupção.
Os primeiros Jogos Olímpicos sujeitos a esta disposição contratual acontecerão na França, na cidade de Paris, no ano de 2024.
A França recém-editou uma lei anticorrupção histórica - Sapin II, que estabelece uma série de obrigações anticorrupção e de compliance às empresas com operações no país com um padrão ambicioso para o combate à corrupção.
Já no Brasil, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, deixaram um legado às avessas com rastro de corrupção em vários níveis e amplitudes.
Com suspeitas de pagamento de propina antes dos jogos, na fase de escolha da sede, a operação "Unfair Play" investiga políticos cariocas, empresários e dirigentes do Comitê Olímpico Brasileiro (COB)
Segundo a procuradora Fabiana Schneider, uma das responsáveis pela operação, "os Jogos olímpicos foram usados como um grande trampolim para a corrupção". Mas o recém- anunciado 'Pacto pelo Esporte' traz à tona uma dose de esperança ao esporte brasileiro e, quiçá, seja um exemplo a ser seguido pelo esporte mundial.
Consagrando boas práticas de governança.
O autor é consultor de Compliance.