Geral

Salto de 43% no número de alunos no Ernesto Monte gera reclamações

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Aceituno Jr.
Grupo de professores do Ernesto Monte promete levar documento à DRE ainda nesta quinta-feira (8)

O salto de 43% no número de alunos na Escola Estadual Ernesto Monte, Altos da Cidade, somado à falta de professores para algumas turmas são apontados por docentes do local como os principais motivos para transtornos que vêm ocorrendo na unidade escolar. A Diretoria Regional de Ensino (DRE) rebate a existência de "aulas vagas" e diz que existem professores atribuídos em todas as aulas, de todas as disciplinas e anos, na escola.

Dados divulgados pela Secretaria da Educação do Estado mostram que o salto de alunos na unidade foi grande: 806 no ano passado para 1.158 em 2018. O aumento é justificado pela migração de alunos do Ensino Fundamental da Escola Estadual Christino Cabral, que, desde janeiro deste ano, perdeu a modalidade e passou a ter aulas em período integral para o Ensino Médio.

Segundo um professora, que pediu para ter a identidade preservada, a situação está insustentável. "O nosso problema não é em relação aos alunos que chegaram. Pelo contrário, queríamos que tivessem feito um estudo de tudo que precisaríamos para recebê-los. Salas tinham, o que não tínhamos era um número suficiente de funcionários para supervisionar esses alunos", afirma.

De acordo com ela, um grupo pretende se reunir, na manhã de hoje, com a dirigente regional de Ensino, Gina Sanchez, para apresentar um documento pedindo por melhorias na escola. "Nós vamos em cerca de 30 professores pedir por mais inspetores e substitutos. Hoje, contamos com três inspetores que se revezam em turnos. Por vezes, fica apenas um. Já houve casos de sete salas estarem sem aulas, mais de 200 alunos, com apenas uma pessoa para supervisionar".

No total, a escola conta com aulas em 16 salas pela manhã, 18 no período da tarde e duas à noite. Em caso de ausência de docentes, os alunos, de acordo com a professora, ficam no pátio. "Eles já subiram no telhado e tumultuaram a entrega de frutas da merenda. Às vezes, acontecem brigas feias em que a Ronda Escolar tem de intervir. Isso sem contar que eles ficam conversando e ouvindo música alta, impedindo que as outras salas continuem em aula. Está humanamente impossível lidar com a situação", finaliza a mulher.

LIMITAÇÃO

O elevado número de alunos fora das salas de aula se dá, de acordo com o Marcos Chagas, coordenador da subsede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), pela falta de professores substitutos na escola. 

"O Estado limitou a quantidade de contratação de professores substitutos. Antes, não havia isso. As escolas tinham mais autonomia para chamar um substituto que pudesse cobrir a ausência do professor da turma. Agora, isso é feito pela Diretoria de Ensino que trabalha em cima de uma quantidade pequena de contratos que podem ser abertos", explica Marcos.

Ainda, segundo ele, muitos professores aguardam, desempregados, por vaga de contrato. "Mas, excedido o limite, a Diretoria de Ensino não pode mais contratar", critica.

OUTRO LADO

A dirigente regional de Ensino, Gina Sanchez, afirma que todas as turmas da Ernesto Monte estão com professores atribuídos e que a escola conta com dois professores eventuais e seis inspetores de alunos - e não três, como afirmam os reclamantes.

Além disso, a dirigente destaca que a capacidade da escola é de 1.600 alunos. "Não estamos superlotados. O que acontece bastante é que alguns professores avisam sobre sua ausência sem tempo hábil para que a escola entre em contato com um substituto", rebate.

Gina ainda afirma que foi disponibilizada uma lista de 12 páginas de professores eventuais, em todas as áreas, para cada uma das 52 escolas estaduais de Bauru. "Acontece que, na Ernesto Monte, já ocorreu de faltarem de 6 a 8 professores no mesmo dia, o que dificulta a disponibilização dessa quantidade de professores para uma só escola. Estamos trabalhando também com a conscientização dos profissionais", comenta.

Em relação às contratações temporárias, a dirigente confirma que existe um número que pode ser aberto, delimitado pela Secretaria da Educação. "Nós temos um limite de contratos que podem ser usados até o final de 2018 e são abertos conforme a necessidade", conclui.

 

Comentários

Comentários