Tribuna do Leitor

Bauru, Teatro com limites

Dr. Fabiano Alves Neves
| Tempo de leitura: 2 min

Domingo, 3 de março. Sob um calor escaldante, em plena estação na qual o Astro Rei domina, levei, conjuntamente com minha esposa, meu filho Leonardo, 4 anos, para uma sessão de teatro infantil em nossa urbe.

O local não poderia ser outro: Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves. Expliquei ao Léo que a sua Bisavó era o nome e a alma daquele espaço. Ele perguntou algumas dúvidas sobre a "bisa" e após as devidas explicações , assistimos ao belo trabalho da CRP Produções que encantou a todos presentes, em especial a vasta plateia infantil e seus sonhos e aspirações.

Mas, como explicar aos pequenos que o calor dentro do salão teatral era surreal? Como suportar uma verdadeira "sauna a vapor" , pois essa era a sensação térmica presenciada pelo público durante o espetáculo?

A falta de manutenção do sistema de climatização de nosso Teatro Municipal é algo crônico , recidivante e vexatório. Denigre a imagem do município , dificultando a vinda de peças teatrais e espetáculos a nossa cidade, já tão carente de uma programação cultural descente e perene( aqui faço um menção honrosa ao Curso Livre de Paulo Neves e demais grupos bauruenses , que se mantém firmes ano após ano, enfrentando as malezas e seguindo em frente).

Em contrapartida (como tudo em terras tupiniquins ), a emissão de impostos , taxas, tarifas , multas , guias e um quilométrico etc segue em ritmo desenfreado , sem atrasos ou "falta de manutenção". O vigor arrecadatório do Erário público é de uma força colossal, porém a oferta de serviços de qualidade é inversamente proporcional à tal vigor. Com certeza Dona Celina , encenando peças hoje no Oriente Eterno , desaprova o modo como é tratado o Teatro pelo qual tanto lutou e almejou.

Roguemos ao Grande Arquiteto do Universo que nos dê força , paz e luz para seguirmos em frente , suplantando as agruras e iluminando a mente daqueles que gerem o bem público.

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