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Ser médico, estar secretário e a pediatria

José Eduardo Fogolin
| Tempo de leitura: 3 min

Durante minha vida profissional enfrentei grandes desafios para amenizar o sofrimento das pessoas. Como gestor no Ministério da Saúde, percorri todos os Estados do país para levar um Sistema Único de Saúde com mais qualidade. Como médico, atuei no salvamento de vítimas no Haiti, por ocasião do terremoto, e em desastres naturais em várias regiões do país, incluindo apoio e organização do cuidado às vítimas do incêndio na boate Kiss em Santa Maria/RS.

Aqui em Bauru, o grande desafio foi assumir a Secretaria Municipal de Saúde e ter a oportunidade de melhorar a vida das pessoas. Não é tarefa fácil, mas temos a convicção que estamos no caminho certo. Recentemente fizemos a transferência do Pronto Atendimento Infantil (PAI) para a UPA Bela Vista (BV). Uma das razões foi a necessidade de desocupar o PAI para dar continuidade às obras do Centro de Diagnóstico. Outra razão foi implantar na UPA BV a pediatria, como fizemos na UPA Geisel em 2017. Essa ação faz parte do nosso projeto de descentralização da saúde, ou seja, levar o cuidado onde as pessoas estão.

A transferência do PAI para a UPA BV aconteceu de forma planejada e ocorreu sem intercorrências. Já sabíamos que alguns ajustes seriam necessários. Monitoramos diariamente o local. Já implantamos mais cadeiras, o sistema de climatização está em fase de ajustes e mais um pediatra será deslocado para agilizar o atendimento no local.

Mesmo diante de todos os cuidados, alguns munícipes e também alguns órgãos da imprensa local fizeram alguns apontamentos pertinentes. Um deles é sobre a recepção. Disseram que o ambiente não previa separação física para adultos e crianças. Sobre esse apontamento é importante esclarecer que não há qualquer orientação ou previsão normativa do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que haja separação física na sala de espera da UPA entre o atendimento pediátrico e adulto. Inclusive, se houver essa separação há o risco de pacientes, em especial crianças, não serem percebidas pelas equipes de saúde no caso de sofrerem um mal súbito ou convulsão, por exemplo. O risco de contaminação entre pacientes em serviços de saúde é considerável em ambiente hospitalar, onde pacientes tem patologias definidas e a condição de saúde é mais vulnerável. O Programa Nacional de Segurança do Paciente prevê risco elevado de contaminação e infeção principalmente em ambiente hospitalar, e esse não é o caso da UPA, que é um serviço ambulatorial e não hospitalar.

De acordo com especialistas de infectologia, a UPA é considerada ambiente comunitário e não hospitalar e o risco de contaminação é semelhante a qualquer outro ambiente comunitário como ônibus, cinema, sala de aula etc salvo em situações de epidemias específicas. Vale ressaltar que a enfermaria pediátrica na UPA BV é separada da enfermaria para adultos. Não há contato físico entre adultos e crianças.

Sobre o questionamento de que a enfermaria pediátrica fica em frente da área de isolamento da unidade, vale explicar que o próprio nome já diz: isolamento. Trata-se de uma área restrita, separada da área comum por duas portas e uma antessala para, realmente, isolar o ambiente. Assim, não há risco de transmissão de doenças do setor de isolamento para a enfermaria pediátrica. Outro ponto importante é que na UPA BV a enfermaria de pediatria fica separada fisicamente da enfermaria adulta, ou seja, são espaços físicos diferentes.

A Secretaria Municipal de Saúde conta com equipe permanente para acompanhar de forma dinâmica as necessidades que forem pertinentes para melhorar a assistência na UPA e promover o atendimento humanizado e com mais qualidade para adultos e crianças. Ser profissional da saúde e fazer jus ao juramento é estar constantemente militando por uma saúde pública com mais acesso e dignidade. Agradeço a todos os servidores profissionais de saúde da rede pública pelo empenho diário para cuidar das pessoas. Estar secretário é trabalhar pela população da nossa cidade, consolidar a pediatria na UPA BV e buscar todos os meios para fazer o mesmo na UPA Ipiranga e Mary Dota. Vamos em frente que ainda há muito que ser feito.

O autor é médico formado pela Universidade de São Paulo – USP e atual secretário da Saúde de Bauru.

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