Por pouco, uma mulher de 72 anos, cuja identidade será preservada por questões de segurança, não perdeu tudo o que tinha pela segunda vez no mesmo golpe. A irmã da vítima percebeu a reincidência do "golpe do cartão" e acionou a Polícia Militar (PM), na última quarta-feira (7) à tarde, em Bauru.
Conforme consta no boletim de ocorrência (BO), a irmã da mulher, uma comerciante de 59 anos, notou que a idosa caiu em golpe idêntico do ano anterior, quando perdeu aproximadamente R$ 9 mil, ao entregar o cartão bancário e a senha a um homem que se passava por funcionário do banco no qual possuía conta.
| Polícia Civil/Divulgação |
| Helder Vinícius Teodoro dos Santos, de 22 anos, foi preso em flagrante acusado de estelionato e associação criminosa |
Porém, desta vez, o caso não teve um desfecho tão negativo para a idosa. Ao serem chamados, os policiais ficaram escondidos nas imediações da casa da vítima, situada na região do Jardim Bela Vista, até a chegada do suspeito, posteriormente identificado como Helder Vinícius Teodoro dos Santos, de 22 anos.
O estelionatário vinha na garupa de uma Honda/CG 125 Fan, com placa de Bauru, cujo condutor alegou desconhecer que participava de um golpe e que apenas prestava o serviço de mototáxi. O motociclista disse, ainda, que limpava a chácara na qual Helder e outras pessoas estavam hospedados, no Vale do Igapó.
Questionado pela polícia, Helder confessou que aplicava o golpe e recebia R$ 150,00 por dia para buscar os cartões das vítimas. Inclusive, ele admitiu que, momentos antes do flagrante, conseguiu obter o documento bancário de outra idosa, de 65 anos, moradora da Vila Seabra.
OUTRA VÍTIMA
Então, a PM se dirigiu até a residência da aposentada e confirmou a história. Orientada a conferir o extrato bancário, a idosa constatou que tinham sacado R$ 1,6 mil de sua conta, além do fato do cartão de crédito também ter sido utilizado.
Em seguida, a polícia foi até a chácara locada pelo grupo, porém, não encontrou mais ninguém. Procurado, o proprietário do imóvel apresentou o contrato de locação, no nome de Nathalie Andressa Silvestre, de 24 anos, e informou que esta era a segunda vez que concedia o espaço a essas pessoas.
Pelas redes sociais, tanto o mototaxista quanto o dono da chácara reconheceram as fotos dos outros dois integrantes do bando.
O proprietário do imóvel relatou, também, que recebeu uma ligação de um deles. O suspeito revelou que teriam deixado a chácara, porque "faziam parte de uma quadrilha que estoura cartões e que os comparsas haviam sido presos".
Helder foi preso em flagrante acusado de estelionato e associação criminosa.
Agora, o Setor de Investigações Gerais (SIG) apura o caso. Segundo o delegado Richard Serrano, titular do órgão, será requisitada a quebra de sigilo telefônico e bancário de Helder. O objetivo é chegar até os demais integrantes do bando, oriundo da Capital paulista, e verificar quantas vítimas o grupo já fez.
Ainda de acordo com o delegado, há, pelo menos, 20 BOs registrados com a mesma maneira de agir da quadrilha. Só na última quarta-feira (7), foram três ocorrências do tipo comunicadas à polícia.
Reincidência
Ainda segundo o delegado Richard Serrano, é comum que os idosos sejam vítimas de estelionato. "Pode ser tanto do mesmo tipo de golpe ou em situações diferentes", argumenta. Portanto, o orientação é de não entregar cartões e senhas a desconhecidos e, de preferência, ir ao banco acompanhado de alguém de confiança.
Falando nisso, a irmã da idosa que quase foi vítima do crime pela segunda vez disse à reportagem que, caso ela não tivesse atendido a ligação, talvez, a polícia talvez não prendesse o estelionatário. "Creio que a minha irmã não fosse cair no golpe de novo, afinal, ainda paga o prejuízo do último, mas não iria pensar em segurar o atendente no telefone até que a PM chegasse", constata.
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