| Aceituno Jr. |
![]() |
| Gláucia de Oliveira Guimenes conta que o quintal de sua casa afundou durante uma reforma |
| Defesa Civil/Divulgação |
| Nesta sexta-feira (9), a Defesa Civil fez uma pré-vistoria na região |
| Malavolta Jr. |
![]() |
| Coordenador da Defesa Civil de Bauru, Sidnei Rodrigues diz que, caso confirmado o problema, conversará com o prefeito |
| Aceituno Jr. |
![]() |
| A aposentada Jenny Alves, de 80 anos, sente medo de andar pela calçada |
Os moradores da quadra 4 da rua Timbiras, na região central de Bauru, ainda tem dor de cabeça com o "túnel do crime", descoberto há sete anos e que seria utilizado para roubar uma empresa de valores na Nações Unidas. Inclusive, a Defesa Civil realizou uma pré-vistoria da obra e de algumas casas, nessa sexta-feira (9). O órgão constatou que há rachaduras - afinal, o túnel não foi tapado - e ficou de examiná-lo, nesta segunda-feira, para ver se ele, de fato, é responsável pelos transtornos.
Segundo a enfermeira Gláucia Flauherta Lorca de Oliveira Guimenes, de 33 anos, o quintal de sua residência cedeu durante uma recente reforma. Ela, que se mudou para o local, na rua Timbiras, em maio de 2017, teme a reincidência do problema.
"Nos fundos da casa, havia uma edícula. Eu queria fazer uma área de lazer, com churrasqueira e tudo. Porém, quando o pedreiro quebrou a parede, o chão afundou. Foram necessários três caminhões de terra para consertar", narra a moradora.
Gláucia revela, ainda, a sua preocupação acerca da situação da calçada. "Tenho medo de entrar com o carro na garagem, porque a calçada está oca, pode afundar também", justifica.
A aposentada Jenny Alves, de 80 anos, vive na mesma via desde que se casou. De acordo com ela, tanto a rua quanto a calçada ficaram mais esburacadas depois da escavação do túnel. "Tenho a mobilidade reduzida e, por isso, fico com receio de cair", observa.
E AGORA?
Coordenador da Defesa Civil de Bauru, Sidnei Rodrigues afirma que, nos últimos 15 dias, recebeu duas denúncias acerca das possíveis consequências da escavação do túnel.
Em resposta, Rodrigues vistoriou as casas afetadas e ficou de examinar o túnel propriamente dito. "Se for constatado que a escavação está causando as rachaduras e afins, quero conversar com o prefeito para ver se tem como o município arcar com os custos de uma eventual intervenção", pontua.
O coordenador da Defesa Civil adianta, ainda, que a vistoria da obra criminosa será feita nesta segunda-feira, a partir das 8h30, com a presença de representantes do Corpo de Bombeiros e da Secretaria Municipal de Obras.
Para tanto, a quadra 2 da avenida Nações Unidas, no sentido Bairro-Centro, será interditada. Agentes do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) orientarão o transito durante a vistoria.
Obra foi flagrada no início de 2011
Conforme o JC já noticiou, a investigação do caso começou em 3 de fevereiro de 2011. Na ocasião, funcionários da Prefeitura Municipal de Bauru, ao consertarem um buraco, localizaram, na quadra 3 da avenida Nações Unidas, um túnel com 30 metros de extensão. A obra foi feita por criminosos e partia da galeria pluvial abaixo do canteiro central, terminando na empresa de segurança e transporte de valores Protege.
A polícia informou que havia várias entradas públicas possíveis para a galeria, como a do próprio Rio Bauru, localizada na avenida Nuno de Assis. Entretanto, descobriu um segundo túnel. Desta vez, a obra partia de uma casa e terminava na quadra 2 da Nações Unidas, a cerca de 150 metros de distância da Protege.
Pelas posições das travas, foi possível saber que essa era a rota pela qual os bandidos acessavam a galeria. Na nova escavação, de aproximadamente 150 metros de comprimento, foi localizado o imóvel utilizado pelos bandidos como ponto de origem do túnel: uma casa construída pelos criminosos e que funcionava como "Quartel-General" dos bandidos.
Na época, além do buraco que surgiu no meio da rua Timbiras, os moradores apontaram vários problemas que, provavelmente, apareceram em decorrência do túnel criminoso.
Em março de 2011, o asfalto da quadra 2 da Nações Unidas já havia cedido, possivelmente, por conta de uma infiltração do túnel. Na ocasião, o então prefeito Rodrigo Agostinho declarou que a responsabilidade de tapá-lo não era da prefeitura, já que o problema seria mote de segurança pública, fato que compete ao Estado resolver.
Já em relação às rachaduras das casas, o município disse, em 2011, que o conserto ficaria a critério de cada morador.
Em agosto do mesmo ano, o laudo pericial apontou trincas e rachaduras no passeio público, na via, nas calçadas, em paredes, quintais e chãos das casas de toda a área visitada.
No dia 22 de janeiro de 2013, o JC apurou extraoficialmente que a investigação do "túnel criminoso" terminaria sem apontar suspeitos. Desde que o caso começou a ser investigado, a polícia sempre apontou como maior dificuldade a carência de pistas.

.jpg)
