| Aceituno Jr./JC Imagens |
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| Ideia do projeto é levar 3 mil universitários para povoar e dar nova dinâmica ao Centro da cidade |
| Aceituno Jr. |
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| Coordenador da proposta, Adalberto Retto Júnior afirma que ideia é implantar ações por etapas |
Dar vida e dinâmica de ocupação, lazer e serviços ao Centro da cidade, indo além da "maquiagem" feita através de pequenas intervenções urbanísticas. É o que prevê um projeto de moradias, que visa levar até 3 mil estudantes universitários para residir na região central de Bauru. Seriam 200 deles na primeira etapa. Para isso, contudo, será preciso romper o caráter normativo do espaço urbano, através do Plano Diretor (PD), e abraçar a vocação estudantil do município na legislação de ocupação.
O projeto Centro como Res Pública foi elaborado pelo Grupo de Pesquisas em Sistemas Territoriais e Urbanos (Grupo Situ) a partir de solicitação da Prefeitura de Bauru.
Coordenador da proposta, o professor Adalberto da Silva Retto Júnior, especializado em urbanismo e que atuou como professor visitante na área de patrimônio industrial na Universidade de Sorbonne, na França, diz que é preciso romper com a discussão clássica do Plano Diretor como quadro normativo. "A proposta apresenta uma nova abordagem que, ao repensar uma nova forma de desenvolvimento urbano, coloca como centro do debate urbanístico a ação de requalificação qualitativa da cidade. Por isso, propõe uma grande mutação", aborda.
Para tanto, o Plano Diretor funcionaria como instrumento regulador e normativo do espaço, mas também como promotor do desenvolvimento. "A ideia objetiva é permitir o retorno da habitação ao Centro nas várias formas propostas de regeneração urbana, incorporando princípios de renovação, reutilização e reconversão do patrimônio", diz Retto.
A área delimitada para o estudo é o perímetro da Estação Ferroviária até o Cemitério da Saudade. "Tanto os vazios urbanos das quadras centrais como os edifícios sem uso seriam encarados como oportunidades estratégicas para repensar as funções do novo Centro, explorando oportunidades entre o público, o privado e o social", comenta.
CONCEITOS
Recuperar o Centro, inserindo moradores, englobaria a densidade populacional na região e a capacidade de adaptação de boa parte de imóveis já instalados para essa proposta.
A ideia tem suas raízes no plano da cidade italiana de Bolonha, nos anos 1960, que serviu de exemplo para casos de regeneração de centros históricos em nível mundial. "Resolver a degradação da área central começando pela habitação dos espaços é absorver as rápidas mudanças dos estilos de vida da comunidade estudantil. E isso requer criação de convivência compartilhada, nos modos de trabalhar, através do co-working (compartilhamento do ambiente de trabalho para atividades independentes), o teletrabalho, compartilhamento de showroom, pequenas oficinas de serviços especializados de fabricação digital (fab lab), etc", acrescenta o professor.
POR ETAPAS
Adalberto Retto Júnior defende que o projeto apresente etapas de curto, médio e longo prazo. "Não é algo para mudar no Plano Diretor e deixar de lado e também não é só de um governo. Mas também tem de ter prática imediata, para ele sair do papel. A universidade (Unesp) tem o aluguel social e 3 mil alunos em dois anos. Ainda neste ano, discutem-se 200 vagas de moradia para 2019. Levar esses 200 alunos para o Centro é uma forma rápida de por o projeto em prática. Envolver, nesse tempo, comércio, serviços, prefeitura, imobiliárias, construtoras, representantes de moradores, fazer o levantamento", complementa o urbanista.
A proposta inclui pesquisa, levantamento de campo para identificar ociosidade, característica dos imóveis, classificação e realizar dois workshops (um com integrantes do projeto implantado em Bolonha) para disparar o projeto. O Centro como Res Pública quer discutir regenerar e repensar formas de habitar a região com o repovoamento através de parceria e utilização do aluguel social como forma de suprir o déficit habitacional da universidade (Unesp). O segundo workshop foca em patrimônio industrial (ferroviário) e identidade.
Em análise na administração
| Aceituno Jr. |
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| Letícia Kirchner disse que a proposta está tramitando |
A secretária municipal do Planejamento, Letícia Kirchner, disse que a proposta solicitada para o Centro está tramitando na administração. "Nós recebemos a proposta do professor Adalberto Retto. Discutimos o conteúdo e gostamos muito da visão de integração e de mudar o paradigma de ocupação e regulação do Centro. Estamos discutindo como viabilizar a despesa para o projeto", informou a titular da pasta.


