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Diz que controla as finanças do lar, mas não utiliza a regra '50-15-35'

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

A brincadeira do "diz que é, mas não..." tem percorrido as redes sociais e até mesmo o jornalista aqui do JC, João Jabbour, entrou nesta "vibe" em seu brilhante artigo no Jornal Segunda-Feira. Eu mesmo brinquei nas redes sociais com esta frase. Então, vai minha provocação: "Diz que controla as finanças do lar, mas não utiliza a regra 50-15-35". Esta provocação me remeteu a voltar ao tema que abordei em meu artigo aqui no JC na semana passada, à medida que leitores me procuraram pedindo mais detalhes da regra "50-15-35".

Para relembrar: a regra indica que o orçamento doméstico familiar deve ser separado em três partes: 50% dos recursos da renda líquida devem ser destinados para cobrir as despesas essenciais; 15% destinados para reservas financeiras e 35% para despesas denominadas de estilo de vida. A ideia básica da regra é que os gastos com estilo de vida não sejam prioridade por se tratarem de bens e serviços supérfluos, ou seja, aqueles que qualquer pessoa viveria sem consumi-los.

Vamos ao detalhamento. O que você deve considerar como gastos essenciais? Moradia, educação, saúde, transporte e alimentação. São exemplos: aluguel, água, luz, gás, telefone, escola, passagem de ônibus, combustível, convênio médico, remédios, feira, supermercado, entre outros. Some todas as despesas desta natureza e seu total deve ser dividido pela renda líquida mensal (renda bruta deduzida dos impostos). O ideal é que este grupo gire em torno de 50% de sua renda líquida. Se o resultado for maior que este patamar, você terá que analisar se há espaço para redução (verifique se não paga um valor de aluguel acima de suas necessidades, se não há exageros no supermercado, telefonia etc). Caso não consiga reduzir esses gastos no curto prazo, terá que sacrificar seu estilo de vida.

A regra somente funcionará se sua segunda decisão for por poupar antes de partir para os gastos supérfluos. Depois de separar o dinheiro para os gastos essenciais, a família deverá canalizar no mínimo 15% da renda líquida para seus projetos de futuro. Um parâmetro é atingir cerca de 4 a 6 meses de seu salário (renda mensal de R$ 2.000,00 ter guardado entre R$ 8.000,00 e R$ 12.000,00). Neste caso, é fundamental não esperar o final do mês para poupar. Recebeu sua renda, poupe-o imediatamente. São exemplos de destinação da poupança mensal: previdência privada, aplicações financeiras em renda fixa e bolsa de valores, compra de terrenos para especulação, entre outros. Evidentemente que algumas famílias estão endividadas, neste caso, a prioridade será liquidar as dívidas para depois pensar em guardar dinheiro. Para isso é preciso traçar metas e economizar recursos para o mais rapidamente sair das prestações assumidas.

Depois que destinou parte de sua renda líquida aos gastos essenciais e a poupança, agora você está livre para consumir os produtos e serviços que garantam o seu estilo de vida. Já tendo a tranquilidade que pagou os bens e serviços essências e fez sua poupança, pode realizar seus sonhos de consumo. Quer ir a bares e restaurantes? Use os recursos dos 35% destinados ao seu estilo de vida. Balada, academia, viagens, TV a cabo, assinatura de revistas, gastos no shopping, também estão liberados. Sempre sabendo do limite de 35%.

Como coloquei acima, caso seus gastos com os bens e serviços essenciais sejam superiores aos 50%, não mexa nos 15% da poupança, e sim reduza os 35% de gastos em seu estilo de vida. A lógica é simples: não faz o menor sentido gastar em supérfluos e não garantir reservas financeiras para o futuro.

Tudo isso é questão de disciplina, organização, planejamento e controle. É trabalhoso, mas é assim que você assume o controle financeiro de sua casa. Não quer ser "zoado" no "diz que controla as finanças do lar, mas não utiliza a regra 50-15-35"?

Saia da zona de conforto e comece já a focar organização e controle das finanças do lar.

Sua qualidade de vida agradece.

O autor é economista e articulista do JC – Está no Youtube através do canal Planeta Economia.

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