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Adolescente denuncia racismo na Web

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 2 min

Facebook/Reprodução
Jovem foi fotografada em evento do Dia da Mulher na Capital

Uma família de Jaú (47 quilômetros de Bauru) procurou a Polícia Civil e diversos outros órgãos para denunciar um caso de racismo na Internet. Após postar uma foto nas redes sociais com palavras de ordem, uma adolescente negra de apenas 13 anos recebeu vários comentários considerados ofensivos.

Ativista social, pedagoga e membro do Coletivo Raízes do Baobá, Lilian Pires, 43 anos, é tia-avó da jovem. Ela conta que a garota participou de um evento, em São Paulo, no último dia 8, em celebração do Dia Internacional da Mulher. Na ocasião, a adolescente foi fotografada segurando um cartaz com os dizeres "Somos as netas das negras que vocês não conseguiram matar!!!".

Um dia depois, a garota postou a imagem nas redes sociais com a legenda "Não sou descendente de escravos. Eu sou descendente de seres humanos, que foram escravizados!!". "Na manhã seguinte, ela me ligou dizendo que estava sendo atacada. A foto viralizou e pessoas de vários lugares do Brasil estavam atacando ela", relata Lilian.

Entre os comentários, a maioria dizia que não houve matança de negros no País e que não é responsável pelo que ocorreu na época da escravidão. Alguns, contudo, ofendem a adolescente. "Olha que ironia. Em pleno Mês da Mulher, temos a execução da Marielle Franco e ataques racistas à uma jovem, que é mulher e negra", lamenta Lilian.

A família registrou BO na Polícia Civil e também fez a denúncia em vários órgãos, como o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente de Jaú, Secretaria da Justiça e da Cidadania do Estado, Comissão de Direitos Humanos da OAB Jaú, dentre outras centrais sindicais e movimentos sociais.

APURAÇÕES

Um advogado de uma central sindical virá de São Carlos para acompanhar a família hoje até a Polícia Civil. "O boletim de ocorrência foi registrado como injúria, e não como racismo. É esse o País onde a gente vive, onde temos que provar que somos vítimas de racismo", critica a tia-avó.

O delegado seccional de Jaú, Ricardo Dias, afirma que a família será recebida hoje pelo coordenador da Central de Polícia Judiciária (CPJ) para fazer a representação e dar início a todos os trâmites da investigação. "Já podemos fazer as oitivas preliminares e juntar os documentos probatórios. Nesses casos, temos também que pedir quebra de sigilo dessas pessoas que postaram os comentários. É uma investigação complexa", aponta Ricardo, garantindo que o caso será acompanhado com atenção.

Sobre o registro ter sido feito por injúria, ele garante que isso não prejudica em nada. "É algo genérico, inicial, que pode mudar ao longo do inquérito. Se provado que é injúria racial, entra na lei específica e a punição é maior. Tudo vai ser apurado", conclui.

Em relação a como está a adolescente diante da situação, Lilian Pires é firme. "Minha sobrinha é uma guerreira. Aliás, é isso aí que a gente vem fazendo. Resistindo e lutando pela nossa sobrevivência nesse País excludente".

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