Nove dias após a morte do bebê de seis meses Orlando Oliveira Araújo, o padrasto da criança, Bruno Miziara de Abreu, de 26 anos, foi preso. O laudo do IML e relatos colhidos com parentes da vítima levaram a Polícia Civil a mudar a natureza da ocorrência de morte suspeita (acidental) para homicídio qualificado. Isso porque o exame necroscópico, que saiu na última quinta-feira (15), apontou que o bebê sofreu morte violenta por asfixia mecânica.
| Douglas Reis |
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| A delegada Priscila Bianchini solicitou a prisão de Bruno após resultado do laudo do IML apontar que o bebê sofreu morte violenta por asfixia mecânica |
Com a mudança, Bruno passa a ser o principal suspeito do crime. Conforme o JC noticiou, na data da morte, o padrasto, que seria a única pessoa na casa com a criança, disse à polícia que o enteado teria se sufocado sozinho em meio às cobertas na cama. Após ser ouvido, ele foi liberado na ocasião.
Responsável pelas investigações, a titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Priscila Bianchini, solicitou a prisão de Bruno por 30 dias em virtude de indícios que descartariam o suposto acidente. O mandado foi cumprido na manhã dessa sexta-feira (16), por volta de 10h, na casa de familiares no Jardim Bela Vista.
SEGURANÇA
No decorrer do prazo da temporária, a delegada ouvirá outras pessoas e parentes dos envolvidos, além de solicitar mais detalhes sobre os resultados do exame pericial, que não ficaram claros, como outros possíveis sinais no corpo.
"Algo externo interrompeu a via respiratória do bebê. O cobertor poderia causar isso. Mas uma criança luta pela vida, grita, chora, dá sinais. Estas questões terão que ser explicadas por ele", resume a delegada. "Os 30 dias serão importantes para a segurança dele (acusado) e para que a polícia possa investigar o caso", acrescenta.
PASSO A PASSO
Até mesmo uma reconstituição da cena do crime é cogitada pela DDM. "Queremos saber, por exemplo, como essa criança foi deixada pela mãe. E o como ela foi encontrada depois", cita Priscila.
Bruno foi levado para a Central de Polícia Judiciária (CPJ) e passou toda a manhã na DDM. Depois, foi encaminhado para a Cadeia de Avaí.
RELEMBRE O CASO
| Facebook/Reprodução |
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| Orlando Oliveira Araújo |
Era por volta das 11h do dia 7 de março. A criança estava no quarto da casa em que a família mora, na quadra 3 da alameda dos Cravos, no Parque Vista Alegre, quando, segundo a declaração inicial, a asfixia ocorreu.
De acordo com informações prestadas pela PM na data do fato, com base no relato do padrasto, ele estaria sentado no sofá da sala e, quando foi até o quarto onde o bebê estava, em uma cama de casal, encontrou o garoto enrolado em um cobertor e já desacordado.
Orlando foi levado até o CPI-4, por ser perto da casa. Lá, os primeiros socorros e tentativas de reanimação foram feitos. Na sequência, a criança foi levada para a UPA Geisel, já entubada. Lá novas tentativas de salvamento ocorreram, mas sem sucesso. O caso foi registrado como caso suspeito. Nessa sexta-feira (16), mudou para homicídio.
MARCELA: 'DE REPENTE, TUDO SE LIGOU'
A chegada de Bruno Miziara de Abreu na CPJ foi marcada por tumulto envolvendo familiares da criança, que gritavam por justiça.
Um investigador acabou machucado nos braços enquanto protegia o suspeito durante a entrada.
Mãe do bebê, a auxiliar administrativo Marcela de Oliveira Grecchi, de 23 anos, contou que manteve um relacionamento com Bruno por cinco meses e que há dois meses moravam na mesma casa. Desde a data da morte do filho, ela disse ter se separado do namorado.
"Ele era amoroso com a criança apenas na minha frente, eu demorei para perceber. De repente, tudo se ligou. Muitas vezes, ele dava uns tapas na hora do bebê dormir. Chegou a falar que eu mimava muito meu filho. Para mim, ele matou. Até porque ele poderia ter socorrido, parado um carro no meio da rua, mas não. Esperou eu correr as cinco quadras do serviço para casa para socorrer, depois ficou me pedindo perdão no carro", diz a mãe.
| Douglas Reis |
| Marcela de Oliveira disse acreditar que Bruno matou a criança |
Ela afirma ainda que as duas cobertas, com as quais o bebê supostamente teria se sufocado, estavam dobradas sobre a cama em que a criança dormia.
DEMISSÃO
Outro ponto que causa suspeita na família é que, segundo Marcela, Bruno, que trabalhava para o padrasto de Marcela, teria sido demitido um dia antes da morte do bebê.
ADVOGADO: 'ELE CUIDAVA ATÉ MELHOR QUE A MÃE'
Advogado de defesa de Bruno Miziara de Abreu, Eduardo Buccalon afirma que o padrasto não tem perfil agressivo ou antecedentes criminais e que cuidava melhor do bebê do que a própria mãe, Marcela de Oliveira Grecchi. "O menino sempre foi maltratado e quem dava tudo para ele era o Bruno", diz, adiantando que irá requerer o depoimento de uma ex-namorada do acusado para comprovar o comportamento do seu cliente. "É uma mulher que também tem filho pequeno e a criança nunca teve problemas durante a convivência com o Bruno", acrescenta.
Ainda de acordo com Buccalon, Marcela vem de uma família desestruturada e estaria agindo com o objetivo de obter vantagem financeira do ex-namorado, já que a família dele tem renda superior à dela. "O que ocorreu foi uma fatalidade. No decorrer do inquérito e do processo, isso será facilmente provado. O menino foi socorrido e saiu vivo de casa. Ele recebeu todo o apoio possível", argumenta.
O advogado destaca que, embora o laudo tenha apontado que houve morte violenta por asfixia mecânica, não havia sinais de agressão no corpo do bebê ou marcas e hematomas na região do pescoço.
Após o cumprimento da prisão temporária por 30 dias, ele acredita que Miziara conseguirá responder ao inquérito em liberdade.

