Tribuna do Leitor

Marielle Franco

Benedito José Almeida Falcão
| Tempo de leitura: 2 min

Marielle Franco foi assassinada no Rio de Janeiro. Não foi um crime político, pois ela não foi assassinada por ser vereadora de um partido de esquerda. Não foi um feminicídio, pois ela não foi morta por ser mulher. Não foi um crime racial, pois ela não foi morta por ser negra. Não foi um crime de gênero, pois ela não foi morta por sua orientação sexual. Foi tudo isso e muito mais.

Foi um crime contra o ser humano Marielle Franco. Um crime contra cada um de nós. Um crime contra a liberdade de viver num país dominado pela criminalidade, pela injustiça, pela desigualdade, onde morremos aos poucos, todos os dias, das mais variadas formas.

Morremos quando nossos direitos são violados, morremos nas filas dos hospitais, morremos pela falta de educação, morremos pela impunidade, morremos pela nossa omissão silenciosa, morremos por nosso desrespeito a nosso semelhante, morremos agonizando pela falta de esperança. Somos um povo selvagem e cruel.

Hoje vivemos uma dicotomia: a morte de Marielle corre o sério risco de, em breve, ser esquecida. Corremos o risco de ver sua tragédia ser substituída por outra... e por outra... e por outra... ou, ver nela, um ponto de partida para uma transformação social.

Sem traçar parâmetros comparativos, Ghandi foi assassinado, Biko foi assassinado, Benazir Buttho foi assassinada, Martin Luther King foi assassinado... e muita gente morreu por transformações sociais.

Porém, essas transformações não nasceram dessas mortes. Elas nasceram da conscientização individual... de uma mudança de postura pessoal inspirada na liderança dessas pessoas... A história da humanidade é feita de sangue e lágrimas.

Chega de buscarmos um "jeito" para o Brasil. O Brasil precisa de "solução"... e ela deve partir de cada um de nós, em cada postura, em cada gesto mínimo do cotidiano...

Estamos num ponto onde precisamos escolher entre acovardamo-nos e abandonar o país à sua própria sorte... ou nutrirmo-nos da coragem inspiradora de Marielle Franco, enxugarmos as lágrimas e dizer "eu vou fazer a minha parte, começando a mudar a mim mesmo"...

A escolha é, enfim, sua, minha, de cada um de nós.

 

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