| Tiago Pavini/XV de Jaú/Divulgação |
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| Estádio Zezinho Magalhães do XV de Jaú lotado em jogo da Segunda Divisão (Série B); neste ano a equipe quinzista busca o acesso à 3ª divisão |
A crise financeira, que atinge os times de futebol profissional em todo o Estado, rebaixou muitos dos mais tradicionais agremiações de passado glorioso na região de Bauru. Mas com todas as dificuldades, XV de Jaú e Santacruzense vão lutar para buscar o acesso à Série A3. E também na "briga" tem um caçula: o Talentos 10 de Bauru, fundado há pouco mais de dois anos, que vai jogar em Marília por não ter estádio próprio e em condições para atender as exigências do Corpo de Bombeiros.
Nesse grupo ainda deveria fazer parte o Garça Futebol Clube, mas a agremiação não conseguiu fazer a reforma do estádio municipal Frederico Platzek dentro do prazo e a tão sonhada volta ao profissionalmente ficou para 2019.
O desafio desses clubes é conseguir montar equipe competitiva para disputar um campeonato profissional, cuja a idade máxima dos jogadoes é sub 23. O Sindicato dos Atletas Profissionais no Estado de São Paulo até tentou acionar na Justiça do Trabalho a Federação Paulista de Futebol (FPF) para que a competição da segunda divisão (Série B) aceitasse inscrição de jogadores independente de idade e não até 23 anos, mas a liminar acabou sendo derrubada.
Uma das dificuldades dos clubes interioranos é o calendário muito restrito das competições estaduais, principalmente as divisões A1 (elite), A2 e A3, que não duram mais de três meses. Depois só sobra a Copa Paulista para os pequenos, mas nem todos conseguem disputar essa competição. A segunda divisão tem um sistema de disputa que vai de abril a outubro, mas é uma mescla de amadorismo e profissional.
O XV de Jaú é uma das equipes mais tradicionais, um dos primeiros que conseguiram chegar à primeira divisão, após a criação da Lei de Acesso em 1948. Já foi um celeiro de talentos. Um dos craques é Afonsinho, que depois jogou no Botafogo (RJ) entre outros times e ficou marcado na história do futebol brasileiro por se rebelar contra o sistema do passe vinculado ao clube. Ele foi o primeiro atleta que acionou a Justiça Desportiva e conseguiu o passe livre, medida que só adotada anos depois com a lei Pelé em 1998.
Neste ano, a equipe jauense quase que pediu licença por mais um ano da Série B, depois que uma empresa de Bauru não renovou o contrato de parceria. De última hora, a diretoria mudou de ideia, após torcedores intercederem e apoiarem a permanência do clube na segundona. Em 2016, o clube teve a melhor média de público da competição: 4.203 pessoas no seu estádio como mandante, superior a time de primeira divisão.
A Santacruzense é outro time tradicional que disputa as divisões de acesso desde a década de 50. Nunca chegou a elite do Paulista, o máximo foi por dois anos na Série A2, mas tem um título da terceira divisão de 1962. Também enfrenta dificuldades financeiras, no ano passado teve que pedir licenciamento por um ano e retorna este ano à segundona.
O presidente do tricolor de Santa Cruz, Domingos do Carmo, diretores e a própria torcida tiveram que pegar no batente para fazer as reformas exigidas em alambrado e pintura de arquibancada para atender as exigência da FPF e dos Bombeiros para conseguir a liberação do estádio municipal Leônidas Camarinha. Mesmo com caixa baixo, esses clubes driblam a crise em reduto que o futebol é uma paixão. Leia mais nas páginas 18 e 19
XV de Jaú luta para voltar à A3
O XV de Jaú está entre os times do interior paulista mais antigos com 26 participações na elite do futebol paulista e até em edições do campeonato nacional nas décadas de 70 e 80. É um dos grandes rivais do Noroeste de Bauru, mas de 2012 caiu para a segunda divisão (Série B) e vem lutando para retornar à terceira divisão. O Galo da Comarca, como é conhecido, tem um passado de glória e uma torcida apaixonada.
Na competição de 2016 a equipe teve uma das melhores médias de público (4.023 pessoas) nos jogos, um número superior a equipes de divisões maiores, mas a dificuldade é a financeira, como tem ocorrido no futebol brasileiro. Um calendário cada vez mais curto para os times de interior, venda a preços estratosféricos de direitos de televisão para uma elite e o futebol interiorano vive à míngua.
O sistema da divisão de acesso começou em 1948, quando o rival XV de Piracicaba foi o primeiro clube a chegar à elite paulista. E três anos depois, em 1941, foi a vez do XV de Jaú disputar com os grandes da capital e permanecer por oito anos até cair para a segunda divisão em 1960, equivalente o que seria hoje à Série A2, onde fica por mais oito anos e depois em 1968 se licencia até 1974, quando retorna a segunda divisão em 1975 e em dois anos retorna à primeira divisão e permanece por 17 anos até cair em 94 para a segundona. Dali em diante, o clube só teria uma acesso na especial em 1996 e de 98 em diante passa pela Série A3 até cair na última divisão.
O presidente do XV de Jaú, Laércio Pereira Carneiro, comenta para a atual temporada se cogitou em não disputar após a desistência de uma parceria com uma empresa de Bauru. Nos últimos dois anos, a equipe fez boa campanha e caiu na fase final da Série B, sem conseguir o acesso à A3.
A dificuldade do time jauense é uma dívida de R$ 7,3 milhões, valores de 2016 conforme balanço financeiro divulgado no site do clube. Carneiro admite que os valores já ultrapassam e tem sido o grande desafio de manter o clube em atividade. Conforme o balanco, parte é de débito trabalhista, INSS, FGTS entre outros.
A situação do XV não se diferencia da grande parte dos clubes brasileiros. "A dificuldade financeira que o país está atravessando atrapalhou os planos da empresa de Bauru e não foi possível a renovação. Isso ocorreu a um dia do Conselho Arbitral da FPF que definiria as equipes que vão disputar a atual temporada. Cogitamos de pedir licença, porque não tínhamos condições e não temos condições financeiras, mas um clamor popular convenceu a colocar a equipe", conta Láercio, no segundo ano de mandato na presidência.
Neste ano a equipe juvenil disputou a Copa São Paulo e só caiu na segunda fase ao perder nos pênaltis para o Internacional de Porto Alegre que ficou com o título ao derrotar o São Paulo. "A ideia é trabalhar com a base, porque a Segundona só permite jogadores sub-23. Estamos enxertando com alguns jogadores sob direção do técnico Marcelo Pinheiro, de Bauru", comenta o dirigente do XV de Jaú.
Bar é QG da diretoria e torcedores
| Tiago Pavini/XV de Jaú |
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| José Cardoso é o Célio do Bar, dono do estabelecimento frequentado pelos torcedores do XV |
O Galo da Comarca é o apelido do XV de Jaú. O clube foi fundado em homenagem à proclamação da República em 1924. O uniforme até hoje tem as cores amarela e verde da bandeira brasileira. A sede é o imponente estádio Zezinho Magalhães, mas é no "Célio do Bar" na rua Quintino Bocaiuva, onde se comemora as glórias ou afoga as mágoas quando não dá certo os jogos do XV nas quatro linhas.
O estabelecimento comercial pertence a José Cesar Cardoso, o nome que consta nos documentos em cartório, porém ele foi batizado de Célio, também como é mais conhecido pela maioria dos jauenses. O dono do badalado bar do quinze nas cores verde e amarela com as paredes recheadas de recortes de jornais e fotos de jogadores da agremiação se transformam no QG da torcida e até da diretoria. Em dia de jogo é para lá que a entusiasmada torcida passa para dar um gole na cerveja gelada na ida ou volta do campo.
Célio, como prefere ser chamado, conta que no ano passado conseguiu fretar dez ônibus para levar a torcida do XV para a cidade de Santa Cruz do Rio Pardo, quando o Galo da Comarca enfrentou um jogo decisivo da Série B para chegar à semifinal. Desde 1996 é o ponto de encontro da torcida quinzista. "Aqui é o reduto do XV desde 1996 quando foi a última vez que o time disputou a Série A1, quando caiu para a segunda divisão (A2). Dali em diante fomos se engajando na ajuda à equipe. Quando o time vai jogar fora, os ônibus com torcedores saem daqui de frente do bar", contou Célio. O local também é a sede da única torcida organizada, a "Galunáticos".
O recinto se transformou em local especializado de futebol, com aparelhos de televisão para recepção de jogos de futebol. Os torcedores dos clubes grande da capital acabam indo até o estabelecimento para assistir aos jogos pelo Pay-per-view.
Célio comenta que a Série B é muito difícil, porque as equipes só podem contratar sub 23
Sobre a crise no futebol brasileiro, o dono do bar de Jaú afirma que a FPF ao dividir em várias séries prejudicou as equipes do Interior. "Afinal de contas, no passado os times do interior tinham mais força. Os times a capital vinham aqui e tinham dificuldade. Hoje não é mais assim. As competições são muito curtas. A Série A1 já está no final e dura só três meses. O que um Ituano vai fazer no resto do ano. O que vão fazer os times que não classificaram para a semifinal do Paulistão no resto da temporada", declarou.
Reforma em estádio dificultou volta do Garça
E na Série B só não contará com a volta do Garça Futebol Clube neste ano, por problemas de a agremiação não conseguir reforma das instalações do estádio municipal Frederico Platzek. Afastado desde 2004 de competições profissionais, o ex-jogador Celso Felipe de Souza junto com o ex-jogador Julio Cesar tem planos para que a equipe retorne a segundona.
O estádio estava interditado há sete anos e não foi possível fazer todas as reformas para atender todas as normas de segurança exigidas pela atual legislação estadual e Corpo de Bombeiros. Os novos investidores chegaram até apresentar novos uniformes e o projeto, mas ficou adiado para 2019 o retorno do Azulão de Garça.
Souza informou que os vestiários já foram todos reformas e em breve começa a parte elétrica. A próxima etapa será a reestruturação do gramado e pintura de arquibancadas e das instalações da praça esportiva. "O projeto é liderado pelo ex-goleiro Julio Cesar que foi campeão da Copa Brasil 2004 com o Santo André e tem muita amizade comigo. Nós jogamos em 1998 e 2000 aqui no Garça, último ano da participação profissional e depois de lá a equipe se licenciou. Foi conversando com amigos e investidores que decidimos de reativar o Garça", declarou Souza, ex-jogador de futebol que atuou na Ferroviária de Araraquara, Garça, Moto Clube e na primeira divisão do futebol israelense no Apol Ksar.
EM 2000, o Garça foi vice-campeão na série B-1, dando acesso à A3, perdendo na final para o Nacional da capital por 1 a 0, em casa. No primeiro, em São Paulo, empatou 1 a 1.
Ele garante que o projeto é "pé no chão" e um fator ajudou a refiliação do Garça. Até há poucos anos, a FPF cobrava uma taxa de R$ 800 mil para nova filiação, mas o valor baixou para R$ 240 mil. "Como não vamos disputar neste ano, automaticamente o valor voltou, somente quando tudo estiver tudo em ordem será feita a filiação", declarou.
O Garça Futebol Clube disputou 41 campeonatos paulistas no profissionalismo, mas a agremiação foi fundada em 1932. Em 1942 se uniu ao Bandeirantes Futebol Clube, dando origem ao Clube Atlético Brasil. Um ano depois, houve nova mudança de nome, quando a equipe passou a chamar Garça Esporte Clube. No ano de 1965, segundo o Almanaque do Futebol Paulista de 2001, o clube voltou a denominação Garça Futebol Clube.
Torcedor símbolo se fantasia para dar sorte ao tricolor
A paixão pela Esportiva Santacruzense passa de pai para filho. Nos jogos a presença de Cateto Barbudo vestido de padre ou de bruxo garante o espetáculo no Estádio Leônidas Camarinha. E esse torcedor é bem antigo das cores do tricolor. Começou aos 12 anos, acompanhando o pai, Antonio Andrade Filho, também ardoroso torcedor do onze de Santa Cruz do Rio Pardo nas divisões profissionais.
A Esportiva, como é mais conhecida, disputa as divisões de acesso desde os anos 40. Cateto, por exemplo, quando criança viu o time do coração levantar a taça em 1963. A competição foi válida pelo ano de 1962, mas o campeonato se estendeu no ano seguinte. Nessa época há alegria e tristeza. Um acidente com uma Kombi levando torcedores até São Caetano do Sul matou 10 torcedores, três primos de Cateto Barbudo, apelido de Antonio Carlos Andrade que poucos conhecem pelo nome de registro no cartório.
Animado com a volta do tricolor à Série B, no ano passado a Santacruzense pediu afastamento por um ano para acertar as finanças, Cateto já traça planos para ir até Tupã no dia 8 de abril para torcer para o time de coração na estreia da competição. Em um jogo treino em Marília, o tricolor bateu o Azulão por 3 a 1, que luta ainda para permanecer na Série A3, mas cair pode cruzar em 2019 com a Santacruzense se ela não subir para a A3. "Desde moleque eu torço para a Santacruzense. Meu pai era fanático", conta Cateto, mantendo uma vistosa barba branca.
E futebol em Santa Cruz já teve gol de gandula, a geral chamava-se "puleirão" e tinha o camarote instalado em uma laje de uma casa.
O lance inusitado ficou famoso e contornos surreais em um jogo da Copa Paulista entre o tricolor e Atlético de Sorocaba que terminou empatado 1 a 1 no dia 10 de agosto de 2006. Na verdade em lance a bola foi parar na linha de fundo e o gandula sorrateiramente colocou a bola dentro da meta. O jogo ganhou notoriedade após imagens de um cinegrafista amador mostrarem o gandula chutando a bola para o gol e a confusão que sucedeu a irregular jogada, validada pela juíza Silvia Regina de Oliveira. A confirmação do gol, a poucos minutos do fim da partida, decretou o empate final. Daí em adiante polêmica e até punição para a Santacruzense. As imagens rodaram o mundo e entraram no anedotário nacional do futebol.
A árbitra na ocasião achou que se tratava de tiro de meta, mas mudou de ideia após consultar o auxiliar Marco Antonio Andrade Motta Junior que viu a bola dentro da rede. Já o chamado "puleirão" se tratava de uma arquibancada de madeira que balançava demais. E a tal laje, na realidade se tratava de um telhado de uma casa que dava fundos para o estádio. Os moradores subiam nesta laje para fazer churrasco e assistir as partidas. Com a reforma nas arquibancadas a "vista panorâmica" acabou.
Tricolor de Santa Cruz disputa desde 54
Com altos e baixos a Associação Esportiva Santacruzense disputa as competições do futebol profissional desde 1954. A fundação do clube é de 1934 feita por ferroviários da antiga Estada de Ferro Sorocabana, quando ainda existia um ramal ferroviário que foi fechado em 1966. Ficou o slogan "Locomotiva da Sorocabana", bem ultrapassado para os novos tempos, mas até hoje o desenho do mascote é uma maria-fumaça que consta ainda no site da Federação Paulista. O tricolor santa-cruzense vai disputar a Série B, mas já conseguiu chegar até a Série A2 em 2010, onde ficou por dois anos, depois caiu à A3 e retornou à quarta divisão (Série B).
A equipe tem um título da terceira divisão de 1962, decidido no ano seguinte o equivalente atualmente à A3. A agremiações enfrenta dificuldades financeiras e vai disputar este ano com um time "bom e barato", jargão do futebol para time sem muito investimento com bom desempenho em campo. No último final de semana em jogo treino contra o Marília que disputa a Série A3 e luta para não ser rebaixado o Azulão perdeu por 3 a 1 do tricolor.
No início deste ano, o presidente da Esportiva Santacruzense, Domingos do Carmo, junto com os demais diretores tiveram que virar pintores e até ajudar no conserto do alambrado do Estádio Municipal Leônidas Camarinha. Sem recursos, a diretoria e a torcida tiveram que fazer as adaptações para que a praça esportiva atenda as determinações de segurança da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.
Com todas as dificuldades, a Santacruzense tem fama de boas campanhas nas competições da Segunda Divisão (Série B). Carmo explicou o JC que só a arrecadação da venda de ingressos não sustenta a equipe profissional. Tem que recorrer a patrocinadores. No município está instalada uma empresa de ração de animais, considerada uma das maiores do país que já patrocinou o uniforme do Corinthians e se comprometeu a também ajudar o time da terra com patrocínio. A outra empresa é do ramo alimentício que já patrocinou o Vôlei Bauru e deve "dar uma força" com publicidade à Santacruzense.
Apesar de muitas dificuldades, o presidente da Santacruzense afirma que a dívida do clube não ultrapassa os R$ 500 mil. Os valores não são altos em relação aos outros clubes do interior, alguns beiram os R$ 7 milhões. A maior parte são dívidas trabalhista e há ainda uma condenação judicial referente ao repasse de recursos municipais que foi considerado irregular e sobrou para o clube.
A média de público pode chegar a 1.000 pessoas quando o time está bem, mas quando os resultados não aparecem míngua o apoio e chega até a 200 torcedores em jogos em casa. Na Série A2, uma antes de chegar a elite do futebol paulista, chegou até a ter média de 6 mil.
De acordo com o vice-presidente do trioclor e jornalista Claudio Antoniolli, a equipe conta com alguns ex-jogadores que já atuaram, como é o caso de Ednam que chegou a ser vendido à Ponte Preta, ficou uma temporada em Campinas e depois foi transferido para o Rolândia da segunda divisão paranaense. Ele deve reforçar a equipe assim que começar a Segundona. A primeira rodada é em 8 de abril, com a estreia da Locomotiva fora de casa contra o Tupã.
Talentos 10 de Bauru vai disputar em Marília
O Galo da Comarca é o apelido do XV de Jaú. O clube foi fundado em 1924 e o nome é homenagem à proclamação da República. O uniforme até hoje leva as cores amarela e verde da bandeira brasileira. A sede é o imponente estádio Zezinho Magalhães, mas é no "Célio do Bar" na rua Quintino Bocaiuva, onde se comemora as glórias ou afoga as mágoas quando não dá certo os jogos do XV nas quatro linhas.
O estabelecimento comercial pertence a José Cesar Cardoso, o nome que consta nos documentos em cartório, porém ele foi batizado de "Célio", também como é mais conhecido pela maioria dos jauenses. O dono do badalado bar do Quinze nas cores verde e amarela com as paredes recheadas de recortes de jornais e fotos de jogadores da agremiação se transformou no QG da torcida e até da diretoria. Em dia de jogo é para lá que a entusiasmada torcida passa para dar um gole na cerveja gelada na ida ou volta do campo.
"Célio", como prefere ser chamado, conta que no ano passado conseguiu fretar dez ônibus para levar a torcida do XV a Santa Cruz do Rio Pardo, quando o Galo da Comarca enfrentou um jogo decisivo da Série B para chegar à semifinal. Desde 1996 é o ponto de encontro da torcida quinzista. "Aqui é o reduto do XV desde 1996 quando foi a última vez que o time disputou a Série A1, quando caiu para a segunda divisão (A2). Dali em diante fomos se engajando na ajuda à equipe. Quando o time vai jogar fora, os ônibus com torcedores saem daqui de frente do bar", contou "Célio". O local também é a sede da única torcida organizada do time, a "Galunáticos".
O recinto se transformou em local especializado de futebol, com aparelhos de televisão para recepção de jogos dos clubes grandes da capital. Os torcedores acabam indo até o estabelecimento para assistir aos jogos pelo pay-per-view.
"Célio" comenta que a Série B é muito difícil, porque as equipes só podem contratar sub 23. Sobre a crise no futebol brasileiro, o dono do bar de Jaú afirma que a FPF ao dividir em várias séries prejudicou as equipes do Interior. "Afinal de contas, no passado os times do interior tinham mais força. Os times a capital vinham em Jaú e tinham dificuldade. Hoje não é mais assim. As competições são muito curtas. A Série A1 já está no final e dura só três meses. O que um Ituano vai fazer no resto do ano? O que vão fazer os times que não classificaram para a semifinal do paulistão no resto da temporada?", questionou.
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