A chuva cheia de raios que assustou alguns bauruenses e maravilhou outros que se aventuraram a contemplar o fenômeno pela janela foi sinônimo de prejuízo para moradores do Jardim Colonial, em Bauru. Durante a tempestade da madrugada da última sexta-feira, uma forte descarga elétrica registrada por volta de 0h30 queimou componentes eletrônicos de diversos equipamentos.
A supervisora de vendas Jéssica Nunes, 37 anos, teve uma televisão e um portão eletrônico danificados. Como a casa é alugada, ela e o marido tentam, agora, negociar com a imobiliária e com a CPFL os consertos necessários.
"Só que é um processo muito moroso e abrir e fechar o portão manualmente é complicado e até inseguro", lamenta. O que tem ajudado, ela diz, é o grupo formado por moradores do Jardim Colonial no WhatsApp, onde estão trocando informações para solucionar os problemas gerados pela chuva.
Do grupo, também faz parte a dona de casa Adriana Souza Decari Andrade, 40 anos, que ficou sem Internet, TV por assinatura, telefone fixo, portão eletrônico e sistema de câmeras de segurança. "Tenho criança pequena em casa e é um transtorno, mas estamos aguardando retorno da CPFL para saber se seremos ressarcidos", conta.
Já não é a primeira vez que a professora Prescila Buzolin, 43 anos, enfrenta o mesmo problema. Na madrugada de ontem, ela contabilizou a queima do portão eletrônico, interfone, monitor do computador e do gravador das câmeras de segurança.
Em 2016, quando morava em outro bairro da cidade, já tinha perdido o motor do seu portão eletrônico. "Demorou 45 para que a CPFL constatasse que a responsabilidade era dela e me ressarcisse. E quem sofreu o prejuízo precisa arcar com o custo dos laudos técnicos exigidos pela concessionária", pontua.
COMO PROCEDER
Pelas regras definidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o consumidor só tem direito à indenização se houver comprovação de que uma falha na rede de distribuição de energia elétrica foi a responsável por provocar os danos.
Por meio de nota, a CPFL informou que os clientes prejudicados devem entrar em contato com a empresa em até 90 dias depois da ocorrência, informando data e horário prováveis do evento e quais equipamentos foram danificados. A distribuidora tem até 15 dias para responder ao consumidor se o pedido de indenização foi aceito.
Para tanto, a CPFL avalia se houve perturbação na rede elétrica e, em caso afirmativo, pode solicitar ao consumidor a apresentação de até dois laudos e orçamentos para conserto. "Após análise dos laudos, caso seja constatado que o problema teve causa originada na rede elétrica, a distribuidora irá deferir o pedido do ressarcimento", cita a nota.
O pagamento é feito em até 20 dias após esta resposta. Reclamações devem ser feitas à CPFL pelo site www.cpfl.com.br, na seção "Atendimento"; pelo e-mail paulista@cpfl.com.br; ou pelo telefone 0800 010 1010.
Mais de 1,7 mil raios em 2018
Segundo o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 1.790 raios atingiram Bauru somente neste ano. No número, não estão contabilizadas as descargas elétricas registradas na madrugada de sexta-feira, que, além de danos em aparelhos eletrônicos de residências, também provocaram o desligamento de semáforos em vias importantes da região central.
Logo pela manhã, quando o problema ainda não havia sido solucionado, o resultado foi caos no trânsito e congestionamentos que prejudicaram os motoristas.
Segundo a Emdurb, nas primeiras horas do dia, os equipamentos ficaram desligados na avenida Rodrigues Alves, entre as ruas Virgílio Malta e Alfredo Ruiz, e em três cruzamentos da rua Gustavo Maciel, com as ruas Cussy Junior e Quinze de Novembro, além da Rodrigues Alves.
O desligamento foi causado por raios que queimaram alguns controladores dos semáforos. Ainda de acordo com a Emdurb, o reparo foi providenciado ainda pela manhã e, à tarde, somente os semáforos de pedestres da Rodrigues Alves continuavam inoperantes.
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