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Tiros no paraíso

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

'A morte despe-nos dos nossos bens para nos vestir com nossas obras' - Jules Petit-Senn, escritor

Que tiros são esses que atingem a criança, o motorista e a vereadora? Certeiros, colocam quase tudo em xeque: da intervenção (que nem sempre parece democrática) à democracia (que, talvez, devesse intervir mais).

Tiros que impõem um inferno no lugar que deveria inspirar o paraíso. A violência extrema deixa uma sensação geral de violação. Terrível.

O Rio, lindo, é nosso. De todo brasileiro e, por isso mesmo, bairrismos devem ser definitivamente esquecidos. Paulistas precisam torcer pela paz na bela e baleada cidade. Cariocas igualmente podem enviar energia positiva a nós, que temos nossa própria capital violenta.

Não dá nem para falar em "caso mais recente" porque, enquanto escrevo, outra brutalidade ocorre. Portanto, "um dos mais recentes" (o assassinato de Marielle, defensora de direitos fundamentais e que perdeu o maior deles), precisa ser totalmente esclarecido, mas isso não bastará. Modernização das polícias e governos com atuação social verdadeira já seriam um bom começo, ainda que tardio.

Todos somos baleados com o crime que surfa na onda da corrupção, mas não podemos assumir que perdemos. O crime organizado está por todos os Estados, mas em todos os Estados também estão pessoas decentes. Em jogo, a cidadania do futuro.

"Vivemos num país em que você paga impostos para lá, impostos para cá, e ninguém chega para ajudar", resumiu o gesseiro Fábio Antônio da Silva, pai de Benjamim, 1 ano, morto por bala perdida na noite de sexta-feira no Complexo do Alemão.

Será que a vereadora Marielle e o motorista Anderson agora brincam com o garoto Benjamim em algum lugar lindo, calmo e sem tiros? Mereciam.

Será que só em imaginação teremos o paraíso? Se Deus é brasileiro, como até o papa Francisco já confirmou, que venha logo algum tipo de intervenção divina. Necessidade de paz: presente!

 

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