| Bruno Freitas |
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| Servidores seguem pela avenida Rodrigues Alves até a Câmara Municipal de Bauru |
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) protocolou, por volta das 12 horas, no Palácio das Cerejeiras, contraproposta ao chefe do Executivo, Clodoaldo Gazzetta (PSD). A oferta foi deliberada em assembleia realizada em frente à entidade, que reuniu cerca de 1.200 funcionários de várias áreas da administração municipal, neste segundo dia de greve, informa a diretoria.
Após a definição dos itens, manifestantes paralisados percorreram ruas do Centro de Bauru. Tomaram a avenida Rodrigues Alves, pararam em protestos em frente à Câmara Municipal e Secretaria de Saúde. Posteriormente, seguiram à sede do Poder Executivo, onde encaminharam a contraproposta.
Ela prevê reajuste salarial imediato de 3% e mais 3% em 1 de novembro; vale-compra de R$ 451,00; abono de R$ 420,00; incorporação da vantagem pessoal de R$ 80,00 concedida em 2017 no vencimento básico de cada servidor; pagamento da licença-prêmio a todos os servidores com direito; não reajuste no percentual de contribuição previdenciária paga para Funprev e manutenção do plano de saúde nos moldes atuais.
A prefeitura, no entanto, tem informado ser incapaz de avançar nas negociações por conta da Lei de Responsabilidade Fisca (LRF). Ainda assim, o titular da Secretaria das Administrações, David Françoso, deverá discutir o cenário e o documento do sindicato com o prefeito.
ONTEM
Conforme o JC divulgou, o primeiro dia de greve dos servidores municipais teve grande adesão na Secretaria de Educação, que respondeu por 80% dos funcionários que entraram na paralisação. Ao todo, de acordo com a Prefeitura de Bauru, 818 servidores estavam em greve ontem, sendo que 660 são da Educação. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) fala em adesão próxima de mil trabalhadores. "Foi acima do esperado, tivemos uma grande adesão neste primeiro dia", afirma o diretor do Sinserm Valdecir Rosa. Já o governo avalia que chegou ao seu limite nos valores que podem ser concedidos.
| Bruno Freitas |
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| Manifestação questionou posicionamento dos vereados na Câmara |
Ao todo, seis Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emef) não funcionaram ontem: Santa Maria, Núcleo de Ensino Renovado (NER), Ivan Engler de Almeida, Nacilda Campos, Cônego Aníbal Difrância e Dirce Boemer Guedes de Azevedo. Nas Escolas Municipais de Educação Infantil (Emei) e Integrais (Emeiis) não houve paralisação do atendimento, mas os alunos foram servidos como a chamada 'merenda seca', bem como as escolas estaduais, pois esta parte foi afetada pela greve.
Na Saúde, foram 62 servidores em greve, o que afetou o transporte fora de domicílio, com cinco cancelamentos, e a Unidade de Assistências Farmacêutica (UAF) trabalhou com 50% de atendimento, enquanto no Samu foram quatro adesões. Segundo a prefeitura, as Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Saúde da Família (USF), Pronto-Socorro Central (PSC) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) do Bela Vista, Ipiranga, Geisel/Redentor e Mary Dota não foram afetadas, sem registro de paralisação.
As outras secretarias que tiveram adesão foram a do Meio Ambiente, com 47 servidores parados, Sebes com 12, Obras com 11, Sear com seis, Seplan com quatro, Finanças com dois e Cultura com um. Não houve paralisação de qualquer servidor nas secretarias de Administração, Agricultura, Desenvolvimento Econômico, Semel, Negócios Jurídicos e no Gabinete. Ao todo, são cerca de 5.800 servidores na administração direta.
Na administração indireta, o Departamento de Água e Esgoto (DAE), que conta com 700 funcionários, teve adesão de 11, e na Emdurb, que tem 800 funcionários, dois pararam. Não houve alteração em serviços como a coleta de lixo. Na Funprev, nenhum servidor parou.
REJEITADO
Por unanimidade, os servidores rejeitaram a nova proposta feita pela administração municipal, na manhã dessa terça-feira (20), que previa reajuste de 10% no vale-compra, conforme o JC antecipou na edição do mesmo dia. Se a oferta fosse aceita, o benefício passaria de R$ 410,00 para R$ 451,00. Mas, em assembleia realizada em frente ao Palácio das Cerejeiras, a categoria decidiu manter a greve.
Ao chegarem ao Palácio das Cerejeiras, foram recebidos pelo secretário da Administração, David Françoso, que entregou a eles uma proposta de reajuste do vale-compra, cujo acréscimo resultaria em um impacto de R$ 2 milhões nas despesas com pessoal, mas não incide no limite fiscal que a prefeitura tem de obedecer em relação a pessoal. A proposta foi definida na segunda-feira, em reunião que se prolongou até o início da noite e reuniu o Sistema Integrado de Negociação Permanente (Sinp), que avaliou os impactos do aumento oferecido na semana passada.
Se a proposta fosse aceita, seria necessário que algumas secretarias reduzissem investimentos previstos neste ano para compensar o novo valor oferecido. Já em relação ao salário, o governo segue com a proposta de dividir o reajuste em duas vezes porque, se conceder tudo agora, passará o limite fiscal de 54% da Receita Corrente Líquida (RCL) de despesas com pessoal. Com a proposta atual, de 1,42% de aumento imediato, o município já gastará R$ 14,9 milhões a mais até o fim do ano e passará de 52,56% para 53,75%, perto de estourar o limite legal, o que impediria a prefeitura de receber repasses e convênios estaduais e federais.
NEGOCIAÇÃO
Até essa terça (20) à noite, a Prefeitura de Bauru não fez nenhuma nova proposta aos servidores. O governo considera que, na questão dos salários, é difícil avançar por conta do limite fiscal, mesma situação do abono, onde oferece a reposição da inflação, e no vale-compra a prefeitura também avalia que chegou ao limite, pois mesmo sem impactar no limite fiscal, precisará de adequações financeiras e redução de investimentos em algumas secretarias para pagar o valor proposto, o que não foi aceito no mesmo dia pelos servidores, em assembleia em frente ao prédio do governo.
Pelo que o JC apurou tanto na Prefeitura de Bauru como no Sinserm, dificilmente uma nova proposta será feita hoje pela manhã. O prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) afirma que já chegou ao limite financeiro e que abriu a possibilidade de voltar a pagar em dinheiro a licença-prêmio aos servidores a partir do segundo semestre, com impacto anual de R$ 3 milhões, e de fazer novas negociações em novembro, já com a possibilidade o município voltar ao limite fiscal.

