Geral

Duas noites, o mesmo transtorno

Marcele Tonelli e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 5 min

Aceituno Jr.
Na noite dessa quarta-feira (21), carros se arriscaram a passar na Nações com a Rodrigues
Defesa Civil/Divulgação
Problema semelhante ocorreu na noite de terça (20) para quarta (21): viaduto da Fepasa ficou alagado mais uma vez

Pela segunda noite consecutiva, a chuva voltou a provocar transtornos em Bauru e transformou a Nações Unidas em um rio. A Prefeitura Municipal nem bem havia acabado de recuperar os estragos deixados pelo temporal da noite de terça para quarta, quando, por volta das 19h, veio mais água.

Foram 42,2 milímetros, de acordo com registros do IPMet. Volume suficiente para deixar a Nações Unidas, na altura do antigo viaduto da Fepasa, submersa. De acordo com a Defesa Civil, foi preciso interditar o local por algumas horas, no sentido Bairro-Centro.

As quadras 1 e 2 da rua Alfredo Maia também alagaram. Um grande volume de água se formou na Waldemar G. Ferreira, via de ligação entre os bairros Vila Dutra e Nova Esperança. Lá, ocupantes de um carro ficaram ilhados e solicitaram socorro. Quando o Corpo de Bombeiros chegou ao local, felizmente, a situação já havia sido resolvida e não houve necessidade de intervenção.

Outro carro também ficou ilhado no viaduto da Rodrigues Alves sobre a rodovia Marechal Rondon. Nesse caso também não houve feridos.

Duas casas foram invadidas pela enxurrada e lama no Parque Jaraguá. A Defesa Civil disse que irá vistoriar os locais, hoje, para saber se houve danos na estrutura dos imóveis.

CENÁRIO SEMELHANTE

Na noite de anterior, uma outra chuva e transtornos parecidos. Além de ilhar os moradores da Chácara Duas Meninas, a chuva de 53,4 milímetros que atingiu a cidade no final da noite e início da madrugada de ontem causou diversos transtornos, conforme revela o coordenador da Defesa Civil, Sidnei Rodrigues.

De acordo com ele, houve alagamentos em quatro pontos da cidade: a Nações Unidas (quadras 1 a 28), a Comendador José da Silva Martha (quadra 18), a Duque de Caxias (quadra 16) e a Pinheiro Machado (quadras 9 e 10).

Nesta quarta, antes da nova chuva, a Secretaria Municipal de Obras e a Emdurb trabalhavam para limpar o rastro de terra e entulho deixado pela enxurrada.

Além disso, 15 semáforos do quadrilátero central do município também falharam, devido às descargas elétricas. Esta é a segunda vez em menos de uma semana que isso ocorre - no último dia 16, sete aparelhos apresentaram problemas.

Segundo a assessoria de imprensa da Emdurb, nem todos têm nobreak e, portanto, precisam de manutenção para voltar a funcionar. Agora, tudo está normalizado.

Em fevereiro, o município firmou convênio com o Movimento Paulista de Segurança no Trânsito, programa do governo estadual que tem como principal objetivo a melhoria no sistema viário e educação no trânsito, bem como a mobilidade. Tal parceria contempla a aquisição de mais nobreaks para os semáforos.

ILHADOS NA CHÁCARA 'DUAS MENINAS'

Suelin Nunes Benetti/Divulgação
Paliativo: prefeitura aterrou a cabeceira da ponte situada na travessa da avenida José Vicente Aiello

A operadora de cobranças Suelin Nunes Benetti, de 36 anos, vive a poucos metros após a passarela que dá acesso à Chácara Duas Meninas, que é perpendicular à avenida José Vicente Aiello. Ela conta que que fica ilhada toda vez que chove, porque a área cede. Diante disso, a Secretaria Municipal de Obras decidiu ir à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para intervir no local, que é de preservação.

É o que reforça o titular da pasta, Ricardo Olivatto. Segundo ele, o objetivo é trocar o tubo metálico de um metro de diâmetro - que está amaçado e, consequentemente, com a vazão comprometida - e inserir uma rocha de proteção, para evitar que o material ceda, se a água do rio subir em decorrência da chuva.

Para tanto, pediu para que a Defesa Civil de Bauru elaborasse um documento emergencial. "Como é uma área de preservação, a Defesa Civil precisa interceder junto à Cetesb, com o intuito de conseguir a autorização para que eu possa mexer no local".

Coordenador da Defesa Civil de Bauru, Sidnei Rodrigues alega que acatará ao pedido do secretário. "Por enquanto, aterramos a cabeceira da passarela para dar passagem aos moradores, que ficaram ilhados após a chuva da madrugada [de terça para quarta], mas a nossa pretensão é dar uma solução definitiva ao problema".

Esta é, justamente, a demanda da moradora do bairro. "Se não dá para construir uma ponte, que troque o tubo, porque está corroído. Só jogar terra não resolve o problema e, ainda por cima, faz mal ao próprio rio", critica Suelin.

A Cetesb foi acionada, porém, não respondeu até o fechamento desta edição.

Projeto da Nações vai ser apresentado hoje

E, hoje, às 17h, a Câmara Municipal recebe audiência pública, chamada pela prefeitura, para a apresentação do projeto de mitigação das inundações crônicas na Nações.

Inicialmente marcado para a semana passada, o encontro foi adiado após o vereador José Roberto Segalla (DEM) criticar a falta de diálogo entre a Prefeitura e o Poder Legislativo em assuntos considerados estratégicos. Em função disso, antes da audiência pública, às 14h, a prefeitura e a empresa Hidrostudio, responsável pelo estudo, apresentarão o projeto em reunião com os parlamentares, articulada pelo presidente da Comissão de Obras e Serviços Públicos da Câmara, vereador Mané Losila (PDT).

A expectativa é de que todas as etapas do projeto sejam detalhadas, contemplando macrodrenagem, microdrenagem e quatro bacias de amortecimento de cheia ao longo do córrego Água das Flores.

O município pretende buscar recursos da União ou do Estado a obra, com custo estimado de R$ 350 milhões.

E como fica o tempo?

Segundo a meteorologista Zildene Pedrosa de Oliveira Emídio, do IPMet, a previsão é de predominância de sol, com possibilidade de pancadas de chuva, principalmente à tarde, entre quinta-feira e domingo. Para hoje, a máxima deverá ser de 30 graus e a mínima, de 20. Na terça (20), às 13h15, o verão deu lugar ao outono. Embora o IPMet não faça avaliação do verão deste ano até o final de março, quando termina a chamada estação chuvosa, segundo os dados históricos da instituição, choveu 39% a menos nos últimos três meses (dezembro, janeiro e fevereiro), em relação ao mesmo período do ano anterior.

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