Articulistas

Cobra que não anda não engole sapo

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo com a queda da taxa básica de juros, a taxa Selic, o que se observa é que demorará um tempo para que o tomador de recursos sinta no bolso o reflexo desta queda. Para quem aplica dinheiro no mercado, o efeito é imediato, diferentemente do que ocorre com quem precisa de empréstimos para honrar seus compromissos financeiros.

Basta realizar rápida pesquisa no site do Banco Central (http://www.bcb.gov.br/pt-br/#!/c/TXJUROS/) que logo descobrirá que há taxas para todos os bolsos. Sem dúvida alguma, as modalidades do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial são as mais salgadas do mercado. Estas modalidades praticam taxas médias na casa dos 10% a 14% ao mês. Há até bancos que praticam taxas menores, mas normalmente é para quem não precisa destes recursos, ou seja, taxas baixas para quem oferece grande reciprocidade às instituições financeiras, o que não é a realidade da maioria dos brasileiros.

Enquanto os juros não caem e o próprio Banco Central divulga e aceita as absurdas taxas atualmente praticadas pelas diversas instituições financeiras, caberá ao cidadão sair da zona de conforto e pesquisar outras modalidades mais "baratas". Toda vez que a opção de empréstimo envolver uma garantia adicional à tendência é que o custo caia. Isso representa menor risco ao intermediário financeiro à medida que, se houver inadimplência, a garantia adicional cobre parte ou totalmente o prejuízo. Tanto o financiamento de veículos como o crédito consignado e ainda o penhor de joias se enquadram neste critério. O primeiro oferece o próprio veículo em garantia, já o crédito consignado tem o desconto automático em folha de pagamento e o penhor tem as joias em garantia.

Estamos falando de juros que variam no mercado entre 1,2% e 4,13% ao mês, sendo mais frequentes taxas entre 2,1% e 3,0% ao mês. Podem ser ainda consideradas caras, mas como colocado, são mais baratas que as modalidades praticadas pelo cidadão que se mantém na zona de conforto, isto é, o cheque especial e o rotativo do cartão de crédito.

No caso do penhor de joias, com taxas médias na casa dos 2,1% ao mês, a vantagem é que o empréstimo é conseguido mesmo com restrições ao crédito, ou seja, mesmo que a pessoa tenha o nome "sujo" na praça. Somente a Caixa Federal oferece este tipo de modalidade. Infelizmente, os juros na ponta no Brasil são indecentes. Captar recursos a taxas de abaixo dos 7% ao ano e emprestar estes mesmos recursos com taxas que variam 40% e até 290% ao ano não pode ser considerado normal.

Como colocado, enquanto esta prática não é revista, caberá a cada um ficar atento as alternativas oferecidas no mercado. Faça a você mesmo as seguintes perguntas: qual o sacrifício que faço para conseguir meu salário, minha renda? E responda a outra questão: estou disposto a pagar juros de 10% a 14% ao mês, quando minha reanda, quando muito, é reajustada em 3% ao ano? Evidentemente que para o grosso da população o sacrifício para conseguir uma limitada renda é muito elevado e é claro que ninguém quer e precisa pagar juros ao mês que equivalem a mais de três anos de reajuste desta mesma renda.

Quer reduzir o custo financeiro de seus empréstimos? Respondo adaptando a frase "cobra que não anda não engole sapo" dizendo: "devedor que não sai da zona de conforto paga juros mais elevado".

O autor é economista, articulista do JC. Está no Youtube, no canal Planeta Economia.

Comentários

Comentários