Neste terceiro dia de greve do funcionalismo municipal de Bauru, servidores fazem mais um ato em frente à prefeitura. Chegaram ao local após concentração em frente à sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), seguida de passeata pelas ruas de Bauru. Quando chegaram ao Palácio das Cerejeiras, encontraram um grupo de alunos da Escola Estadual Christino Cabral, que também protestava.
Os estudantes, muitos acompanhados dos pais, reclamam da falta de merenda por conta da paralisação da categoria. Com a greve, escolas estaduais e municipais têm servido 'merenda seca'. Nesta quinta-feira, cerca de 1.200 trabalhadores assinaram lista de presença, no Sinserm. A entidade aguarda uma posição, ainda pela manhã, da administração municipal sobre a contraproposta feita ontem pela categoria.
A oferta, deliberada durante assembleia ontem, reivindica reajuste salarial imediato de 3% e mais 3% em 1 de novembro; vale-compra de R$ 451,00; abono de R$ 420,00; incorporação da vantagem pessoal de R$ 80,00 concedida em 2017 no vencimento básico de cada servidor; pagamento da licença-prêmio a todos os servidores que tenham direito; não reajuste no percentual de contribuição previdenciária paga à Funprev e manutenção do plano de saúde nos moldes atuais.
Até o final da noite de ontem, a prefeitura não tinha apresentado nenhuma nova proposta, alegando ser incapaz de avançar nas negociações por conta das restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A última oferta anunciada pelo governo, na terça-feira, foi de reajuste do salário em 2,84%, dividido em duas vezes - uma em março e a outra em novembro, abono (antigo vale-refeição) indo de R$ 350,00 para R$ 360,00, e reajuste de 10% no vale-compra, que passaria dos atuais R$ 410,00 para R$ 451,00.
Nesta quarta-feira, mais 323 servidores municipais aderiram à greve. A adesão registrada no primeiro dia, de 818 funcionários, subiu para 1.141 trabalhadores, no segundo dia, de acordo com levantamento realizado pela Prefeitura de Bauru. O número não difere muito da estimativa divulgada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), de 1.200 trabalhadores mobilizados. Com a greve reforçada, a entidade protocolou, no início da tarde de ontem, no Palácio das Cerejeiras, nova contraproposta ao chefe do Executivo, Clodoaldo Gazzetta (PSD).
IMPACTOS
Assim como na última terça-feira (20), a grande maioria dos grevistas continua sendo composta por servidores da Secretaria de Educação, mas, ontem, a Saúde reforçou o movimento, com 193 funcionários paralisados. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, três das nove viaturas do Samu deixaram de circular e atender as solicitações via 192, já que três motoristas e um técnico de enfermagem aderiram à greve.
Como consequência, ainda de acordo com a pasta, "o serviço é afetado com um maior tempo resposta", que se refere ao período transcorrido entre a ativação do serviço de emergência até a chegada da equipe de atendimento móvel ao paciente. As Unidades de Assistência Farmacêutica (UAFs) também foram impactadas e deixaram de entregar medicamentos à população.
Na Educação, ainda segundo a prefeitura, a Escola Municipal de Educação Infantil Integral (Emeii) Maria Helena Picolato Amantini foi a única a deixar de funcionar, ontem. Entre as escolas municipais de Ensino Fundamental (Emef), assim como anteontem, continuaram de portas fechadas a Cônego Aníbal Difrância e a Santa Maria.
Já as Emefs Ivan Engler de Almeida, Nacilda de Campos e o Núcleo de Ensino Renovado retomaram o atendimento, mas de forma parcial. Mesmo com o aumento da adesão de 660 para 800 servidores da secretaria, a pasta informou que as atividades foram normalizadas na Emef Dirce Boemer Guedes de Azevedo. O município diz que houve necessidade de remanejamento de funcionários, contudo, não explica como possibilitou o retorno do expediente nesses locais.
Devido à ausência de merendeiras em número suficiente, os alunos das escolas municipais e estaduais continuam recebendo a 'merenda seca', como frutas e cereais, que não demandam preparo.
Outras secretarias
As outras secretarias que seguem mobilizadas são a do Meio Ambiente, com 61 servidores parados, Obras com 31, Sebes com 13, Sear com cinco, Cultura com quatro, e Seplan e Finanças com três, cada. No total, a adesão já chega a 20% do funcionalismo na administração direta. Na administração indireta, o Departamento de Água e Esgoto (DAE), que conta com 700 funcionários, teve adesão de 22, e na Emdurb, que tem 800 trabalhadores, seis pararam. Não houve alteração em serviços como a coleta de lixo.