Ciências

O que fazemos aqui? O que você acha?

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 4 min

A pergunta varia, mas é a mesma: o que está fazendo aqui? Por que está aqui? Quase todas dizem: estou aqui por que ouvi dizer que a conferência é interessante, que a universidade oferece oportunidades de crescer e devemos nos aperfeiçoar.

Eu frustro a todos dizendo que não entenderam minha pergunta. A pergunta é o que estão fazendo aqui na Terra, por que vivem e se movem na busca do amanhã? E começo a refletir e questionar com as pessoas perplexas, quais as quatro possíveis opções para esta pergunta inquietante.

Primeira opção: estamos aqui fazendo um estágio, aperfeiçoamento, como uma especialização, mestrado ou doutorado. Viemos e vamos voltar igual, pior ou melhor! Poderemos evoluir na carreira ou teremos que voltar para novos testes e correções na arte de viver. Temos metas a cumprir!

Talvez em outro plano universal tenhamos degraus com vários locais onde possamos fazer estágios e cursos para atingirmos posições e chegarmos em planetas ou planos etéreos onde não existam mais provas e sofrimentos!

Nesta opção você tem a liberdade de escolher o que fazer, podendo ser reprovado e cursar de novo! Você tem medo de errar, mas sabe que errar não será fatal, apenas vai atrasar um pouco a maturidade em um certo grau de perfeição. Assim parecem pensar os espíritas e os budistas!

Segunda opção: a vida é uma prova de fogo na qual passará ou não. Do resultado depende ir para o céu ou inferno, havendo a possibilidade de se passar antes pelo purgatório. É inferno ou céu! Logo, serás temente ao poderoso que ditará se irás para o céu ou para o inferno. É implacável e é melhor ser bonzinho. Assim parecem pensar os cristãos, islamitas e judeus!

Um amigo muito querido costuma dizer que quer ir para o inferno quando morrer, e questionado por que, ele responde: - por lá tenho certeza que vou encontrar todos os meus amigos que frequentavam a igreja e posavam de bonzinhos! Ele sabe das malandragens e traquinagens dos amigos por debaixo dos panos.

Terceira opção: podemos acreditar que não temos diferença com o pé de alface, pois cada um cumpre o seu papel na natureza. Seríamos simples convergências de energias confluindo íons, aminoácidos e outra moléculas para formar os seres que habitam o planeta e o universo.

Nossa vida é vegetativa e ao morrer as moléculas se decompõem e liberados irão compor novos seres vivos. A capacidade de pensar e sentir resulta apenas da forma que a natureza determinou! Assim parecem pensar os ateus!

Quarta opção: são os que acreditam na possibilidade de sermos apenas cobaias de um experimento. Tal como fazemos com as bactérias e fungos. Um dia fomos semeados em uma placa de Petri com meio de cultura de vida limitada quanto aos nutrientes. A Terra seria apenas uma placa ou um meio ambiente no qual estamos sendo observados por algum cientista extraterrestre. Teríamos um fim pré-determinado. Assim pensam os céticos, os cientificistas! Seremos por fim descartados.

UMA SITUAÇÃO!

Deitado na calçada estava o doente, com dor, sem forças, sujo e quase inconsciente. Alguém, lá em cima, ficou observando com estagiários. Um homem passou e desviou, comentando que atrapalhava as pessoas, um outro disse coitado e jogou uma moeda, um terceiro abençoou e lhe deu um pacote de biscoito. Por fim, um homem abaixou-se e deu a mão ao coitado, o levantou, conversou e o levou até o serviço social mais próximo no seu carro!

O mestre perguntou aos estagiários: - qual a crença daquele que "socorreu" o homem na calçada? Todos erraram, foi o ateu que lhe ajudou. Perguntaram ao homem, horas depois, o que lhe motivara a ajudar aquela pessoa? - Eu também sou humano e sei o quanto somos frágeis, o quanto precisamos um do outro, apenas fiz por que assim deve ser e acredito nos princípios humanitários. Indagado sobre a crença, disse: não preciso temer a Deus para fazer coisas boas e nem tem sentido fazê-lo por temer castigo ou para ganhar prêmio depois da morte! A vida é agora.

Que o repensar e remodelar da Páscoa ofereça reflexões como: o que faço por aqui? Sou uma pessoa boa? Sei perdoar? Gosto de "fake news" e maledicência? Sou vingativo? Qual a diferença entre eu e um cavalo depois da morte? Por que devo pensar sobre isto?

Reflitamos!

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