| Malavolta Jr. |
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| Thais Emika Hirata , Yonsei (4ª geração) está na fila esperando visto para ir para o Japão |
Bauru administra, hoje, uma fila de 1,4 mil pedidos de yonseis - descendentes da 4.ª geração de japoneses - interessados em trabalhar na Terra do Sol Nascente. O número é da Nippon Tour, agência da cidade que é termômetro no País quando o assunto é viagem ao Japão.
Aqueles que estão nesta fila são jovens que moram ou foram criados em Bauru e em outras cidades do Brasil. Eles sonham em se mudar para solo nipônico, seduzidos pelos altos salários pagos, principalmente pelas indústrias japonesas. Ocorre que o visto de trabalho para os yonseis ainda não é autorizado pelo governo do Japão, o que tem ajudado esta fila crescer a cada dia.
Shozo Nakamine, presidente do Clube Cultural Nipo-Brasileiro, conta que a liberação é prevista para abril deste ano, o que faz com que aumente ainda mais a expectativa dos yonseis.
"Conversei com o consulado na última semana e eles me confirmaram, só não disseram o dia", cita Nakamine.
SONHO
| Samantha Ciuffa |
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| Shozo Nakamine, presidente do Clube Nipo, diz que o consulado prometeu liberar o visto de trabalho aos yonseis em abril |
Enquanto a autorização para trabalhar na Terra do Sol Nascente não sai, Thaís Emika Hirata, de 26 anos, desiludida com a profissão de educadora física, trabalha como vendedora na loja de artigos japoneses do pai na região da Vila Falcão.
Há um ano na fila da agência, ela sonha e faz planos. Calcula ganhar cerca de US$ 10 mil dólares por mês, atuando na linha de produção de eletrônicos de uma indústria em Aichi, na região de Nagoya. "Parte do dinheiro eu mandaria para a construção de uma casa aqui no Brasil. Também gostaria de fazer a minha festa de casamento, casei apenas no papel em dezembro do ano passado", comenta.
E é justamente pelo fato de o marido brasileiro não poder ir para lá, neste primeiro momento, que ela pensa em voltar para o Brasil, após trabalhar e morar cerca de três anos fora.
Shozo acredita que a maioria dos yonseis pense como Thaís: querem ir para o Japão para driblar os salários baixos brasileiros, mas construir algo por aqui com a conversão da moeda, além de esquivar-se dos efeitos da crise econômica. "Depois de 3 anos, a maioria acaba voltando. O japonês quer ficar mais no Brasil do que no Japão, hoje", opina.
Por enquanto, apenas o visto turístico é liberado aos yonseis, o que acaba, muitas vezes, separando famílias inteiras.
EXIGÊNCIAS
Consultor empresarial da Nippon Tour, Edson Takao Koaro diz que, desde o ano passado, o governo japonês tem estudado a liberação do visto de trabalho, o que deve ocorrer em meio a uma série de exigências. "A quarta geração terá que saber falar japonês e o nível de escolaridade terá que ser melhor que o exigido na 3.ª geração (sansei)".
Preparação que Thaís já iniciou, com horas semanais de estudo de japonês. "Eu estou relembrando tudo. Tenho certificado da prova de proficiência e estou na expectativa. Ouvi dizer que só liberarão 4 mil yonseis por ano", pontua a jovem.
Além disso, a liberação deve ocorrer para yonseis entre 18 e 30 anos e não serão aceitos casais.
Em tempo: os 1,4 mil yonseis citados nesta reportagem não se referem apenas à realidade local, pedidos de outras duas unidades da Nippon, localizadas na Capital e no Mato Grosso, foram contabilizados.
VOCÊ SABIA?
Bauru tem 1,5 mil famílias japonesas, atualmente, segundo o Clube Cultural Nipo-Brasileiro. Neste ano, a entidade comemora 110 anos da imigração.

