| Douglas Reis |
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| Policiais civis fizeram a reconstituição na manhã de ontem, na casa da família do bebê, no Parque Vista Alegre |
A reconstituição da morte do bebê de seis meses Orlando Oliveira Araújo reiterou a tese de homicídio qualificado, segundo análise da Polícia Civil. O trabalho foi realizado na manhã de ontem, no Parque Vista Alegre, sem a presença do padrasto da criança, Bruno Miziara de Abreu, 26 anos, suspeito de ter cometido o crime.
Orlando morreu no dia 7 de março, na residência em que vivia com a mãe e o padrasto, na quadra 3 da alameda dos Cravos. Bruno era a única pessoa que estava na casa com o bebê. Ele alega que o enteado se sufocou sozinho em meio a cobertores na cama, mas segue preso desde o dia 16.
A ausência do padrasto foi recomendada pela defesa para "evitar desgaste desnecessário", conforme classificou seu advogado, Thiago Tezani, já que a versão de Bruno é a única para descrever o que aconteceu na casa, naquele dia. A mãe da criança, Marcela de Oliveira Grecchi, 23 anos, colaborou para a reconstituição.
Os trabalhos tiveram início por volta das 8h30 e duraram cerca de meia hora. Um policial civil substituiu Bruno e reproduziu os fatos narrados pelo padrasto no inquérito. Segundo a titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Priscila Bianchini, a reconstituição foi importante para visualizar as informações documentadas pela Polícia Civil com base nos depoimentos colhidos até o momento.
"Pelos relatos e vídeos a que tivemos acesso, a vítima era uma criança sadia, esperta, com força nos braços para levantar o pescoço e parte do tronco. Embora ainda não falasse, ela também balbuciava bastante, sempre tentando se comunicar. O lugar em que a família morava era pequeno e o bebê, se tivesse se enrolado sozinho no cobertor, teria lutado pela vida, gritado, chorado, dado sinais", avalia.
TESES
| Douglas Reis |
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| Mãe da criança, Marcela de Oliveira Grecchi participou da reconstituição na manhã de ontem |
Ainda de acordo com a delegada, quando Orlando morreu, Bruno relatou que o encontrou já desacordado, mas com parte do corpo, da cintura para baixo, livre das cobertas. Para Priscila, a criança, nesta situação, teria se debatido, provocando ferimentos pelo impacto de uma perna com a outra e pelas unhas. "Mas o laudo do IML não aponta qualquer lesão no corpo da vítima", acrescenta, cogitando a possibilidade de o próprio cobertor ter sido utilizado pelo padrasto para sufocar o enteado.
Para concluir o inquérito, a delegada aguarda a complementação de informações sobre o laudo necroscópico emitido pelo IML, bem como o resultado da perícia realizada na residência e nos cobertores que estavam na cama de casal em que o bebê morreu, para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Poder Judiciário.
Segundo o IML, Orlando sofreu morte violenta por asfixia mecânica, mas o advogado Thiago Tezani alega que esta constatação não comprova que o bebê foi morto intencionalmente. "Toda morte por asfixia mecânica é violenta. O corpo não aceita parar de respirar de forma pacífica e o laudo não atesta, em nenhum momento, que foi homicídio", aponta. O advogado antecipou que pedirá a revogação da prisão temporária de Bruno, com base em provas que serão encaminhadas e testemunhas de defesa que deverão ser ouvidas pela DDM na próxima semana.

