Polícia

Reconstituição de morte de bebê reitera homicídio, diz delegada

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis
Policiais civis fizeram a reconstituição na manhã de ontem, na casa da família do bebê, no Parque Vista Alegre

A reconstituição da morte do bebê de seis meses Orlando Oliveira Araújo reiterou a tese de homicídio qualificado, segundo análise da Polícia Civil. O trabalho foi realizado na manhã de ontem, no Parque Vista Alegre, sem a presença do padrasto da criança, Bruno Miziara de Abreu, 26 anos, suspeito de ter cometido o crime.

Orlando morreu no dia 7 de março, na residência em que vivia com a mãe e o padrasto, na quadra 3 da alameda dos Cravos. Bruno era a única pessoa que estava na casa com o bebê. Ele alega que o enteado se sufocou sozinho em meio a cobertores na cama, mas segue preso desde o dia 16.

A ausência do padrasto foi recomendada pela defesa para "evitar desgaste desnecessário", conforme classificou seu advogado, Thiago Tezani, já que a versão de Bruno é a única para descrever o que aconteceu na casa, naquele dia. A mãe da criança, Marcela de Oliveira Grecchi, 23 anos, colaborou para a reconstituição.

Os trabalhos tiveram início por volta das 8h30 e duraram cerca de meia hora. Um policial civil substituiu Bruno e reproduziu os fatos narrados pelo padrasto no inquérito. Segundo a titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Priscila Bianchini, a reconstituição foi importante para visualizar as informações documentadas pela Polícia Civil com base nos depoimentos colhidos até o momento.

"Pelos relatos e vídeos a que tivemos acesso, a vítima era uma criança sadia, esperta, com força nos braços para levantar o pescoço e parte do tronco. Embora ainda não falasse, ela também balbuciava bastante, sempre tentando se comunicar. O lugar em que a família morava era pequeno e o bebê, se tivesse se enrolado sozinho no cobertor, teria lutado pela vida, gritado, chorado, dado sinais", avalia.

TESES

Douglas Reis
Mãe da criança, Marcela de Oliveira Grecchi participou da reconstituição na manhã de ontem

Ainda de acordo com a delegada, quando Orlando morreu, Bruno relatou que o encontrou já desacordado, mas com parte do corpo, da cintura para baixo, livre das cobertas. Para Priscila, a criança, nesta situação, teria se debatido, provocando ferimentos pelo impacto de uma perna com a outra e pelas unhas. "Mas o laudo do IML não aponta qualquer lesão no corpo da vítima", acrescenta, cogitando a possibilidade de o próprio cobertor ter sido utilizado pelo padrasto para sufocar o enteado.

Para concluir o inquérito, a delegada aguarda a complementação de informações sobre o laudo necroscópico emitido pelo IML, bem como o resultado da perícia realizada na residência e nos cobertores que estavam na cama de casal em que o bebê morreu, para concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Poder Judiciário.

Segundo o IML, Orlando sofreu morte violenta por asfixia mecânica, mas o advogado Thiago Tezani alega que esta constatação não comprova que o bebê foi morto intencionalmente. "Toda morte por asfixia mecânica é violenta. O corpo não aceita parar de respirar de forma pacífica e o laudo não atesta, em nenhum momento, que foi homicídio", aponta. O advogado antecipou que pedirá a revogação da prisão temporária de Bruno, com base em provas que serão encaminhadas e testemunhas de defesa que deverão ser ouvidas pela DDM na próxima semana.

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