Espero, sinceramente, que o projeto de lei que regulamenta a estrutura das festas realizadas atualmente de forma irregular no município de Piratininga, aprovado na câmara local esta semana e noticiado em 29/03/2018 neste periódico, seja sancionado sem vetos pelo prefeito municipal. Desde o início das discussões a respeito houve um levante, via redes sociais, de pessoas desinformadas ou até mal intencionadas, contrariando a iniciativa sob a alegação de privação do direito ao lazer dos jovens e a realização de festas familiares do município.
Um pequeno detalhe é que na audiência pública realizada para debater a proposta, nenhum "indignado" compareceu para argumentar coerentemente defendendo seus "direitos". Ocorre que as pessoas que seriam "prejudicadas", com a entrada em vigor e aplicação da lei proposta hoje, lesam empreendimentos legalizados através da prática de concorrência desleal e ilegal, pois não fazem o mínimo de investimento em segurança em seus empreendimentos nem trazem divisas para a cidade por também não recolherem os devidos impostos nem gerarem empregos formais.
Temos pessoas na cidade que possuem duas, três ou mais propriedades, muitas vezes em locais estritamente residenciais, somente para o uso comercial através do aluguel para festas. Nestes locais, que vários defendem que continuem suas atividades informais, normalmente não existe estrutura adequada nem segurança mínima para os usuários, além de também não haver controle algum do consumo de álcool e outras drogas por menores de idade (isso não é lazer a meu ver).
O que temos atualmente com a proliferação indiscriminada destas "empresas" ilegais é uma explosão dos índices de perturbação do sossego, acidentes e várias ocorrências policiais devido ao abuso de álcool nestes locais por falta de monitoramento ou regulamentação, além de uma produção absurda de lixo que é coletado como doméstico mas que deveria ser cobrado pelo município como comercial dado o transtorno que causa. Festas familiares, que não demandam de estrutura de segurança ou regulamentação, como proposto no projeto, não causam estes inconvenientes todos!
Como ficam os direitos de quem mora ao lado destes locais, que estão em áreas estritamente residenciais (de atividade comercial proibida), e que tem que aguentar barulho e arruaça até a madrugada? Como ficam os pais destes jovens, que acham que seus filhos estão se divertindo em locais seguros? E os empresários que possuem salões de festas regularizados e com a devida estrutura de segurança mas sofrem com a concorrência desleal de quem não paga impostos nem tem responsabilidades? Nosso país será um pouco melhor quando parte da população deixar o egoísmo e a hipocrisia de lado e começar a pensar no coletivo.