| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| Castigado pelo padrasto: menino de 6 anos foi obrigado a se ajoelhar horas em grãos de arroz |
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| Mãe do garoto, dona de casa de 27 anos também foi agredida e ficou com o braço ferido |
Um homem de 26 anos foi detido após castigar e agredir o enteado, de 6 anos, na noite do último domingo (1), no Parque Industrial Manchester, em Bauru. Ele obrigou o menino a se ajoelhar em grãos de arroz e ainda o agrediu com chinelo nas costas, segundo boletim de ocorrência. Mãe do garoto, uma dona de casa de 27 anos (os nomes foram preservados em respeito ao ECA para não identificar a criança) também apanhou depois de flagrar a cena de maus-tratos e tirar satisfação com o marido, com quem está casada há dois meses.
A mulher contou à reportagem que ficou ausente da residência por alguns dias, para acompanhar o caçula, de apenas 7 meses, que precisou ser internado na UTI do Hospital de Base em razão de uma pneumonia. "Quando voltei para casa, no domingo, vi ele (filho) ajoelhado no arroz. Ele gritava: 'Pelo amor de Deus, me tira daqui'. Meu filho ficou mais de duas horas nessa situação", lamenta a dona de casa, que também foi agredida quando repreendeu o marido.
"Ele me puxou pelos cabelos, me arremessou contra a parede e deu socos na minha cabeça. Antes, já havia batido no meu filho com chineladas nas costas. Não sabia quem era o homem com quem estava casada. Fiquei indignada. Quero que ele pague pelo que fez", desabafou, complementando que o garoto mudou o comportamento após o episódio. "Agora, vive quieto".
MURO
Ainda segundo o registro policial, o homem confirmou que havia colocado o menino de castigo, já que ele teria se negado a descer de um muro, onde poderia se machucar. Disse ainda ter dado uma chinelada em suas costas. Questionado sobre os hematomas, relatou que seria pelo fato de ele "ter a mão pesada".
O agressor foi preso em flagrante por violência doméstica, tanto contra a esposa quanto ao enteado, e encaminhado ao Plantão Policial para prestar esclarecimentos. Ele foi liberado para ser submetido a audiência de custódia.
‘Nunca vi algo semelhante’
Titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), a delegada Priscila Bianchini disse que ainda não havia se deparado com esse tipo de maus-tratos, em sete anos que atua na DDM de Bauru. "Nunca vi algo semelhante por aqui. Geralmente, são casos de agressões com cinta, chinelo, fios, mordidas ou até queimadura com cigarros", elenca.
"Mas, qualquer ato de violência contra a criança é muito preocupante. Elas não sabem se defender e quase sempre ficam com o psicológico abalado", acrescenta a delegada, complementando que um inquérito policial foi instaurado para apurar o fato. "O caso será enviado ao Fórum e o agressor vai ser julgado".

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