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| Em Pardinho, na região de Botucatu, uma cafeteria instalada em uma fazenda é garantia também de apreciar um produto de qualidade e contemplar a Cuesta |
Aos poucos o conceito de roteiro turístico vai acrescentando também estabelecimentos comerciais que investem em visual, música e sofisticação para atrair clientes em cidades pequenas. Há tendência de buscar o planejamento regional de roteiros turísticos. Nos últimos tempos, deixou de fazer parte turismo somente na atividade como balneário ou rede hoteleira. O turismo de fim de semana gera renda e tem informalmente incorporado essa tendência. Cidades como Pirajuí, Pederneiras, Pardinho e São Manuel têm estabelecimentos que se enquadram numa nova tendência de mercado.
O JC notou que alguns desses locais, embora comerciais, passaram a ser um espaço alternativo que extrapola o mero negócio. Em Pederneiras, por exemplo, o Pub Estação instalado no prédio da antiga estação de embarque de passageiros da antiga Companhia Paulista de Estada de Ferro é bem um local cultural.
Nos finais de semana, funciona o bar com contratações de música ao vivo com grupo de rock e até blues. Mas no mesmo espaço serve para ensaios de teatro e se busca a preparação de público para teatro. A professora de artes dramáticas Maíra de Souza, que reside no litoral, decidiu apostar no espaço para também ativar a Companhia Vô Virgilina, uma escola de contação de história. Filha do jornalista Gerson de Souza, conhecido profissional da Rede Record, Maíra conta que o local tem atraído visitantes de cidades de fora.
Saindo de Pederneiras, há alguns quilômetros dali em Pirajuí, um bar e restaurante instalado às margens do "Lagoinha" tem se transformado em um "polo regional" no entorno das cidades com casa para apresentação de grupos de rock. Mas não só a música é a atração, a gastronomia mais requintada também é oferecida. Para manter esses espaços, o empreendimento comercial ajuda a agregar várias atividades e "financiar" a atividade cultural.
Em Pardinho, na região de Botucatu, uma cafeteria instalada em uma fazenda é garantia também de apreciar um produto de qualidade e contemplar a Cuesta. A novidade é a vista de toda a serra com uma formação de relevo escarpado em um dos lados com um suave declive em outro, constituindo "degrau", que se elevam sobre o solo até mil metros de altura, formando grandes paredões, cujo topo não é pontiagudo como as serras, mas sim uma vasta área plana.
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| Próximo da plataforma é onde são as apresentações musicais no Pub de Pederneiras |
No local está a Fazenda São Pedro do Pardinho, propriedade centenária no cultivo de café arábica, com mais de quinhentos mil pés de café, cultivados com as mais modernas técnicas de plantio, tratos culturais e colheita. Sua produção anual gira em torno de 2.500 a 3.000 sacas ano, variedades cultivadas: catuai vermelho e amarelo, acaia, topázio, ibairi da terra, mundo novo, Bourbon amarelo. De acordo com o gerente comercial Douglas de Santis, no local a instalação do café ganhou visitação e vem servindo de local para divulgar os produtos.
Um pub com boa música e gastronomia
É por trás da arquitetura do século passado, com vista do alto para a cidade de Pederneiras, onde funciona há quase um ano um espaço cultural alternativo que reúne nos finais de semana boa música, gastronomia diferenciada e tem até oficinas de teatro.
A estação ferroviária de Pederneiras recuperada em 2008, onde está instalado também o Centro Cultural "Izavam Ribeiro Macario", tem o Pub Estação Café Pederneiras, onde no passado funcionava o bar que atendia os passageiros que viajavam pela ferrovia. À frente de um projeto diferenciado está a professora Maíra de Souza, filha do jornalista Gerson de Souza, um dos repórteres de elite da TV Record. No mesmo local também tem a Companhia Vó Virgilina, nome da bisavô contadora de histórias do jornalista, que desempenha um trabalho de capacitação em artes cênicas e circense.
Não mais com a frequência do passado, de vez em quando passa pelos trilhos que cruzam o pátio da estação uma locomotiva puxando vagões cargueiro, que ajuda a matar a saudade do passado ferroviário. Nem a buzina estridente incomoda. O prédio é de 1913, mas a primeira estação foi aberta em 1903 quando havia a linha do ramal Agudos, dois anos depois foi estendido até Piratininga, e, a partir de 1910, passou a ser a estação de saída para o novo ramal de Bauru, que seguia para essa cidade e se encontrava com a Noroeste. Com a decadência da ferrovia o prédio passou por reforma em 2008 para preservação.
O Pub Estação funciona somente nos finais de semana. Já é um roteiro dos bons para quem gosta de apreciar boa música. Tanto sábado como domingo, sempre há uma banda de blues, MPB ou rock para animar a noitada. A gastronomia também é diferenciada.
Maíra de Souza idealizou o projeto com preocupação de formar público para artes cênicas. "O pub funciona à noite, durante o dia faço um trabalho de formação de elenco e selecionei alguns atores do curso de teatro da prefeitura. Então, tem um elenco da Cia. Vô Virgilina que faço um trabalho de formação de público para o teatro, que é coisa rara naquela região. Levo escolas para lá para as crianças aprenderem a assistir teatro num trabalho voluntário", conta.
Maíra é de Pederneiras, onde reside a família, e queria voltar à terra, mas sabia da dificuldade de encontrar mercado de trabalho. Professora no Litoral, ela vem os finais de semana onde desempenha as atividades no pub.
A antiga estação ferroviária traz lembranças a Maíra que já embarcou para viagens até a São Paulo na década de 80. Nas instalações centenárias funcionam o Centra Cultural, o teatro e o pub. "Era uma viagem incrível e demorada até a estação da Luz", recorda a professora ao lembrar que até hoje as pessoas que visitam o local tem sempre um passado afetivo com a ferrovia.
Como surgiu a oportunidade de assumir o ponto, Maíra decidiu abrir o Pub Café Pederneiras, que também funciona para almoço aos domingos. Embora atue na área de arte e educação, não se trata somente de um negócio comercial, mas uniu tudo isso no espaço do pub para também desenvolver atividades culturais. "O pub funciona para que eu possa manter a Cia. Virgilina em Pederneiras", conta a professora.
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| O espaço fica na "Lagoinha" em Pirajuí, onde tem música a vivo, principalmente rock nos finais de semana, mas também mantém restaurante diferenciado |
A companhia de teatro é uma homenagem a bisavô, uma senhora humilde que residiu no Distrito de Guaianás (leia texto abaixo).
Contadora de história inspira companhia
As reminiscências de família são a inspiração para manter uma cultura oral, de forte sabedoria popular da população rural que passa de geração para geração. Maíra de Souza explica com entusiasmo que decidiu homenagear a sua bisavô pelos relatos de seu pai e familiares.
Uma senhora humilde que residia no Distrito de Guaianás que gostava de contar histórias, muitas delas do folclore brasileiro. Ela faleceu quando Maíra era bem novinha, mas o pai, o jornalista Gerson de Souza, sempre gostou de contar para os filhos como desenrolavam as histórias da sua avô. Ela também tinha um hábito que vai influenciar na carreira do neto de seguir a profissão de jornalista. Atualmente Gerson de Souza é repórter na Rede Record e conhecido como um dos últimos repórteres no estilo à moda antiga, de contar boas histórias.
"Meu pai teve uma relação muito forte com a vô Virgilina. Eles eram muito pobres e moravam em uma casa humilde e a vô ouvia muito rádio e à noite gostava de contar histórias para os netos, dentre elas de Pedro Malasarte. Daí nasceu no meu pai desejo pelo jornalismo. E essas histórias foi sendo repassada pelo pai para os filhos e netos", conta María de Souza.
Nada mais justo de aproveitar esse "manancial" cultural na Companhia de Teatro Vô Virgilina para contação de histórias. "A bisavô virou uma figura mitológica na minha mente, principalmente depois que fui estudar artes cênicas e tenho relação muito forte na contação de histórias", lembra Maíra de Souza. A Cia. Viriglina funciona junto com o Pub Estação no prédio da estação.
Venda é atração em São Manuel
A paisagem bucólica do bairro rural de Toledo localizada em São Manuel na divisa com Botucatu é um dos locais frequentados para quem gosta de pedalar. Com os investimentos no Polo Turístico da Cuesta no turismo rural, a localidade ganhou visibilidade nos últimos anos.
O diretor de Turismo de São Manuel, Thiago Donini, conta que recentemente a prefeitura instalou placas de indicação para que os visitantes possam chegar até o local. Distante oito quilômetros, o bairro Toledo tem sido procurado para o chamado Cicloturismo. Para ter acesso à estrada rural é antes da praça de pedágio de Botucatu. "Já é uma realidade que recebe visitação e eventos, principalmente ciclistas. Uma das atrações é uma vendinha bem antiga", conta o diretor.
Rock e gastronomia num lago
Não está incluído ainda em nenhum circuito turístico, mas é um estabelecimento comercial que atrai para Pirajuí pessoas da região. Também tem servido para sediar eventos de motociclistas. A paisagem é deslumbrante. O bar e restaurante fica na "Lagoinha", como é mais conhecido o lago. O Rock Gourmert Music Bar e Restaurante tem se transformado num espaço alternativo.
À frente do estabelecimento está João Carlos Bigaran Junior que trabalha com música há 20 anos, gosta de culinária e veio da capital há um ano e meio para Pirajuí. O estabelecimento funciona de quinta a domingo, a partir das 18h, mas sábado e domingo abre para almoço das 11h às 15h30. No domingo à noite a casa não abre.
O estabelecimento é eclético: mistura a gastronomia de qualidade com a música ao vivo. Em cidades do porte de Pirajuí há tendência para música sertaneja e pagode. O estabelecimento segue uma tendência de levar mais grupos de rock, o que é mais comum em cidades do porte de Bauru.
Bigaran é funcionário público estadual e durante o dia ocupa um cargo na coordenadoria de unidades prisionais da região Noroeste. Junto com sua esposa, Maria Gabriela Ferrarini, mantém o bar. Ele conta que o local ficou fechado durante um período. Quando decidiu se transferir de São Paulo para Pirajuí passou a avaliar a possibilidade de abrir o estabelecimento. "É voltado para rock e jazz. Percebemos que tirando as cidades maiores, em municípios menores o pessoal não tinha muita opção para quem gosta desse tipo de música assistir a um show do gosto deles. Percebemos que tinha público para essa demanda e apostamos nisso", conta.
Conhecido como "Lagoinha" no bairro Nova Pirajuí, no mesmo local funcionou um bar que teve relevância e depois fechou. "O prédio ficou fechado décadas e chegou a ficar em ruínas, depois uma pessoa comprou e reformou tudo e ficou pouco tempo aberto. Por morar fora não conseguiu manter o negócio. Durante um ano ficou fechado, com as instalações só sendo alugadas para festas até há um ano e meio ser aberto como bar e restaurante", conta Bigaran.
A estratégia é trazer bandas de rock conhecidas e principalmente covers de grupos musicais famosos.
Bigaran admite que tem virado ponto regional. Há dias que a maior parte do público é de cidades do entorno, até de Bauru onde há mais opções e apresentações musicais semelhantes.
A especialidade da casa são peixes (moqueca de abadejo com camarão, filé de badejo ao molho de camarão) e massas e risotos diferente com massa italiana. Bigaran afirma que tem alguns cursos de culinária. "Ao longo do tempo sempre priorizei em viagens conhecer rotas gastronômicas, como no Vale do Vinhedo no Rio Grande do Sul e a própria culinária do litoral, porque o nosso forte é essa parte de peixe. Como músico toquei muito em restaurantes gaúchos o que criou elo com essa culinária", contou. O estabelecimento fica na av. Nova Pirajuí, 265.
Cafeteria fica no alto da serra em fazenda centenária em Pardinho
A Cuesta é uma formação rochosa conhecida que tem sido o atrativo para passeios e o chamado turismo de aventura. A cerca de oito quilômetros de Pardinho um local que tem se destacado e, aos poucos se transformou em ponto de visitação, é o Café Cuesta.
O estabelecimento fica na Fazenda São Pedro que produz café de qualidade. Para divulgar o produto foi construído uma cafeteria que tem uma vista para o relevo escarpado da Cuesta. É possível avistar a formação rochosa em "degrau", que se eleva sobre o solo até mil metros de altura, formando grandes paredões, cujo topo não é pontiagudo como as serras, mas sim uma vasta área plana.
A região tem altitude entre 900 a 1.050 metros com clima ameno, com temperatura media ano de 19º C, o qual propicia a produção de café extrema qualidade, sendo uma das regiões onde a colheita é mais tardia, possibilitando que o fruto absorva o máximo de nutrientes da planta, resultando em uma bebida com características únicas.
O gerente comercial do Café Cuesta, Douglas de Santis, conta ao JC que a propriedade pertence a Paulo Pinoti, dono de uma fazenda centenária que produz café que a família adquiriu há 45 anos. Ele é filho de Aristodemo Pinoti, ex-secretário de Estado da Saúde e reitor da USP. "A cafeteria fica na parte mais alta da Cuesta, mas ainda continuamos produzindo café na variação Arábica. Aqui também produzimos produtos biodinâmicos como milho, trigo, feijão e aveia", conta.
A cafeteria no começo foi uma pequena cabana instalada nos idos de 2013 para vender pacotes de café. Pela beleza do local, os visitantes paravam e queriam experimentar o café gourmet. O local foi ficando conhecido e já faz parte do roteiro turístico gastronômico da região Turística do Polo Cuesta. "Tudo que é consumido na loja é produzido na própria propriedade, como o pão e doces. Aqui só não é produzida a água e o refrigerante orgânico", cita o gerente comercial.
A Fazenda São Pedro do Pardinho conta com mais de 500 mil pés de café, cultivados com as mais modernas técnicas de plantio, tratos culturais e colheita. A produção anual gira em torno de 2.500 a 3.000 sacas ano, variedades cultivadas do tipo catuaí vermelho e amarelo, acaia, topázio, ibairi da terra, mundo novo e Bourbon amarelo. A cafeteria fica na rodovia João Emilio Roder, km 4, s/n, na zona rural, e fecha às 18h30.
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