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15% dos deputados aproveitam 'janela'

Estadão Conteúdo
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Brasília - Pelo menos 72 deputados aproveitaram a chamada janela partidária para mudar de legenda, o que equivale a quase 15% dos 513 parlamentares que compõem a Câmara. Nesse troca-troca, o PT, que vive o seu pior momento com a decretação de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve empatar com o MDB e dividir o título de maior bancada na Casa, com 56 deputados cada. Até então, o MDB liderava. O partido foi, pelos dados parciais, o que mais perdeu deputados em número absoluto - 13 deixaram a sigla.

O levantamento foi feito com informações oficiais da Câmara dos Deputados e de estimativas dos partidos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a janela terminou à meia-noite de sexta-feira.

Entre os partidos que mais se beneficiaram está o DEM, do presidente da Câmara e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Rodrigo Maia (RJ). Há um mês, quando o período da janela começou, o partido tinha 33 deputados, ganhou 11 parlamentares, perdeu 4, e deve ficar com uma bancada de 41 nomes, já incluindo o nome de Mendonça Filho, que deixou o Ministério da Educação e retornará à Casa.

O PP também se beneficiou das mudanças e deve ter a terceira maior bancada, com 50 deputados, ultrapassando o PSDB, que perdeu três deputados e ganhou apenas um.

Outro partido que se destacou foi o PSL que tinha três parlamentares e agora tem nove, todos atraídos pela campanha à Presidência do deputado Jair Bolsonaro (RJ), que trocou o PSC pela legenda.

Além do MDB, outra sigla que desidratou foi o PSB, que viu dez deputados saírem e somente dois entrarem. Solidariedade, PSD e PRB também ficaram com o saldo negativo no troca-troca partidário.

Muitas legendas usaram os recursos do fundo público eleitoral para atrair deputados. Durante o mês que durou a janela, os corredores da Câmara se tornaram verdadeiro balcão de negócios.

O relato de parlamentares é que os grandes e médios partidos estavam oferecendo em média R$ 2 milhões para a campanha dos deputados que mudassem de sigla. A garantia de que os novos membros iriam ter o comando dos diretórios estaduais da sigla também foi usada como moeda de troca.

Líder do DEM na Câmara, o deputado Rodrigo Garcia (SP), afirma que o partido não definiu o valor que cada deputado vai ter do fundo eleitoral e acredita que o aumento do número de parlamentares se deve à "refundação" da legenda.

Já o vice-líder do MDB, deputado Darcísio Perondi (RJ), culpou a crise do partido no Rio pela debandada da sigla, já que dos 13 deputados que saíram, seis eram fluminenses.

 

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