Polícia

Operação mira 'pessoas comuns' com celular furtado ou roubado

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

JuRehder

Tem muita gente que pode "entrar numa fria" mesmo sem saber, já que a Polícia Civil, através do Setor de Investigações Gerais (SIG), está indiciando "pessoas comuns" por comprar celular furtado ou roubado. Inclusive, a instituição deu início a uma força-tarefa para combater tais delitos em sua raiz, ou seja, dar fim ao receptador.

Samantha Ciuffa
Giuliano Travain assumiu o Setor de Investigações Gerais (SIG)

É o que explica o coordenador recém-empossado do SIG, o delegado Giuliano Travain. Segundo ele, adquirir produto de roubo ou furto, mesmo sem ter ciência de tanto, configura crime de receptação culposa e a pena é a detenção de um mês a um ano (veja o quadro acima).

Do ano passado para cá, o SIG iniciou uma força-tarefa para chegar até o receptador desse tipo de produto. "Nós conseguimos saber quem está com o aparelho roubado ou furtado, através do número do Imei (número de identificação do aparelho). Basta passá-lo à operadora, que retorna com as informações do novo usuário daquele produto", explica.

Travain estima que 80% de quem foi localizado com celular furtado ou roubado, nesta operação, não sabia da sua origem ilícita, ou seja, foi pego de surpresa. "A maioria desconversava, dizendo que já não estava mais com o aparelho. Porém, isso não livra o receptador da responsabilidade", reforça.

O coordenador do SIG acredita, ainda, que, mesmo sem conhecer o vendedor e a origem delituosa do aparelho, o comprador acaba atraído pelos preços baixos. Isso justifica o fato de a grande maioria desses receptadores desconhecer que está, de fato, cometendo um crime.

COMO PROCEDER?

Ainda de acordo com o delegado, o indicado é consultar a situação do aparelho que está sendo adquirido. Para tanto, existe um site, o https://www.consultaaparelhoimpedido.com.br, que informa se o celular é produto de crime, a partir do preenchimento do Imei. "O comprador deve se certificar do que está obtendo", ratifica.

Além disso, Travain adverte que os sites de venda e compra são terrenos férteis para os receptadores. "O recomendado é sempre exigir a nota fiscal do aparelho comprado", esclarece.

PRÓXIMO PASSO

O próximo passo será realizar uma fiscalização nos estabelecimentos que revendem telefones celulares usados. "Quando trabalhei no 1.º DP, em Santo André, apreendia os aparelhos e, na delegacia, pesquisava a sua procedência, através do Imei. Se constatasse qualquer irregularidade, indiciava o comerciante por receptação qualificada, ou seja, quando há conhecimento de que o produto adquirido tem origem ilícita", revela.

Inclusive, Travain pretende colocar a ideia em prática em Bauru, assim que terminar de classificar os estabelecimentos que trabalham com a revenda desses produtos no município.

Enquanto isso, a Polícia Civil dá continuidade à localização dos novos usuários dos aparelhos furtados ou roubados. Só neste ano, até o momento, a instituição restituiu mais de 20 objetos do tipo e fez diligências com, aproximadamente, 100 pessoas.

Restam, ainda, outros 800 usuários para identificar. A polícia só aguarda o retorno das operadoras de celular com tais informações.

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