Articulistas

?Não adianta nada...?

Cris Deziró
| Tempo de leitura: 3 min

Essa foi a frase que ouvi de uma colega de trabalho em março de 2016, após eu ter comentado a respeito de minha presença com meu filho, até então com 9 anos, na manifestação a favor do impeachment da Dilma e contra a corrupção no Brasil, que envolveu milhares de pessoas em todo país... Em agosto daquele mesmo ano, após inúmeras provas, Dilma estava fora do poder. Na sequência, Cunha e outros comparsas da corrupção também seriam presos.

Porém, infelizmente, eu ouvi essa frase da colega dezenas de vezes em filas de supermercado, padaria, banco, de outros colegas e parentes... Muitas vezes complementadas por outras: "Aqui nesse país não acontece nada para os ricos", "O Brasil sempre foi e sempre será assim", "Eu não participo dessas coisas porque é tempo perdido" etc etc.

Eu achava estranho observar que as coisas estavam diferentes do passado, mas muitas pessoas ainda não tinham percebido ou não queriam perceber isso... Comecei a refletir o quanto havia de pessimismo nessas palavras e o quanto ainda carregavam o ranço da passividade herdada por governos anteriores ou da própria educação.

Agora eu perguntaria para essas pessoas: Quando vocês viram empresários e políticos serem presos antes da Lava-Jato? Quantos? Faça uma pesquisa...

"Ah, mas pessoas de outros partidos também roubam e estão soltos!". Alguns estão soltos porque possuem o tal "foro privilegiado", outros porque os "amiguinhos" do Congresso fazem acordos milionários entre partidos. Você já assinou alguma petição a respeito? Já se manifestou contra essa barbárie? Foi nas ruas? Cobrou seu candidato? Orou?

Claro que ainda há falhas! Sabemos que ainda há muita injustiça! Pouca gente ganhando muito e muita gente ganhando pouco... Regalias absurdas e dispensáveis tanto da classe política quanto jurídica e de outras classes e "classes"... Falta comida, saúde, educação e segurança. Sobra pobreza, doença, ignorância e insegurança...

Vamos fazer uma tarefa de cada vez? Estamos na primeira e mais corrosiva de nosso país, a corrupção sistêmica, principal produtora de todos esses problemas citados anteriormente. Quantas pessoas já morreram ou ainda morrerão por causa dela em filas de hospitais, nas ruas e quantas ficarão sem uma educação escolar adequada e de qualidade?

Fazendo uma viagem da manifestação de 2016 para o dia 03 de abril de 2018... Ruas tomadas novamente! O espetáculo da democracia, demonstrando em verde e amarelo a personalidade forte do povo brasileiro: fé e esperança! É desse povo otimista que faço parte e tenho orgulho de ensinar pro meu filho!

Quarta-feira, dia 04 de abril de 2018. Após mais de 10 horas de longo julgamento, repleto de palavras, muitas delas incompreensíveis ao cidadão comum, umas contra, outras a favor do Habeas Corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva... Justificativas mil para serem escolhidas... E tal qual uma boa partida de futebol brasileiro, deu-se o placar final: 6X5.

Então, "não adianta nada" ir para as ruas lutar pelo que achamos justo e honesto? Nosso país ainda tem muito a melhorar, claro! Acredito também que com a internet, mídias sociais e dados de todos os lados sendo cruzados aqui e acolá, fica difícil alguém se esconder por muito tempo no seu mundinho de falcatruas...

O mais importante é que estamos num processo democrático, sim, mas sem valores como a justiça e a honestidade (o que é isso mesmo, perguntariam alguns... kkk) jamais a democracia acontecerá de maneira plena...

Sim, adianta, sim, cara colega! Adianta, sim, caros brasileiros! Não fiquemos na condição confortável de vítimas do sistema e pessimistas de carteirinha! Lutemos pacificamente nas ruas, assinemos milhões de petições da internet a favor da justiça, cobremos nossos candidatos eleitos, denunciemos! Oremos também! Porque Deus é justo e precisamos de sua sabedoria para iluminar nossa capacidade de discernir o bem e o mal... Façamos nossa parte!

Enfim, assumamos o Brasil da fé e da esperança que está na essência de nossa genética! Adianta sim!

Vamos adiante! Vamos, adiante!

A autora é colaboradora de Opinião.

Comentários

Comentários