Polícia

'Golpe do amor estrangeiro' já faz vítimas em Bauru e acende alerta

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

JuRehder
Golpista sempre se mostra muito amoroso; à direita, um dos pagamentos feitos pela vítima

"A gente não tem noção de até que ponto vai a maldade do ser humano". É desta forma que se expressou uma das vítimas, cuja identidade será preservada pela reportagem, do chamado "golpe do amor estrangeiro", que já lesou outras duas pessoas em Bauru, desde março deste ano, conforme constata a Polícia Civil, através do Setor de Investigações Gerais (SIG). Em média, o prejuízo de cada uma delas gira em torno de R$ 10 mil a R$ 15 mil.

Segundo o coordenador do SIG, o delegado Giuliano Travain, um homem ou uma mulher diz ser de fora do País e entra em contato com a vítima pelas redes sociais ou pelos sites de relacionamento, estabelecendo uma espécie de namoro virtual - muitas vezes, com contato diário e constante.

Em determinado momento, porém, o estelionatário revela que enviará uma caixa com os seus documentos, dinheiro e presentes. O intuito, teoricamente, é visitar a pretendente no Brasil. Depois, se passa por funcionário de alguma transportadora de renome e exige que a vítima deposite dinheiro em uma conta bancária para que possa, de fato, receber a encomenda.

"O criminoso usa a carência afetiva da vítima contra ela", explica o delegado. Tanto que o perfil das vítimas é, basicamente, o mesmo, ou seja, a maioria é formada por pessoas viúvas ou divorciadas, além de terem acima de 50 anos.

Travain, que já trabalhou na Grande São Paulo, acredita que esse tipo de crime tenha migrado para o Interior, justamente, porque já foi bastante divulgado na Capital. "As vítimas costumam narrar que os criminosos falavam coisas maravilhosas, que sempre quiseram ouvir", acrescenta.

Conquistada a pessoa, o próximo passo é, claro, aplicar o golpe. "Já vi vítimas, em São Paulo, que perderam até R$ 110 mil", complementa.

O QUE FAZER?

Samantha Ciuffa
Segundo o delegado Giuliano Travain, o perfil das vítimas é, basicamente, o mesmo, ou seja, a maioria é formada por pessoas viúvas ou divorciadas, além de terem acima de 50 anos

E, como a Polícia Civil registrou três casos em Bauru, em um único mês, o delegado viu a necessidade de acender o alerta e fazer algumas recomendações, como ter certeza sobre a pessoa com quem o internauta está se correspondendo e não transferir dinheiro sem saber do que se trata.

Ainda de acordo com Travain, o SIG trabalha para chegar até os estelionatários, através dos números da conta bancária e do telefone que as próprias vítimas entregaram à polícia. Talvez, os três casos, em Bauru, estejam interligados. "Mesmo se prendermos os autores, o dinheiro já se foi, porque eles costumam sacá-lo assim que chega à conta", comenta. O crime de estelionato leva à reclusão de 1 a 5 anos.

SERVIÇO

Se alguém já caiu nesse tipo de golpe, o recomendado é registrar um BO na Central de Polícia Judiciária (CPJ), de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, ou no Plantão da região central, que funciona 24 horas por dia.

A CPJ fica na Rodrigues Alves, 23-23, na Vila Cardia, e Plantão está localizado na Praça Dom Pedro II.

Mulher chegou a perder R$ 12,8 mil

Uma professora de 46 anos, cuja identidade será preservada pela reportagem, vive em Bauru e foi vítima do golpe recentemente. Ela chegou a perder R$ 12,8 mil. A mulher, inclusive, teve de fazer um empréstimo para enviar o dinheiro ao estelionatário. 

A vítima conta que o criminoso se identificou como Marvin Curtis, um engenheiro que vive nos EUA, em um site de relacionamentos. O homem começou escrevendo e-mails em português, utilizando o tradutor disponível no servidor do seu endereço eletrônico.

Como a mulher é fluente em inglês, as conversas posteriores se deram nesta língua. "Eu sou divorciada há 14 anos e ele se dizia viúvo. Me sensibilizava com a filha dele sem mãe. Passamos a conversar diariamente e ele era muito atencioso, educado", narra.

O estelionatário disse, então, que precisaria de uma quantia em reais assim que chegasse ao Brasil, porque não tinha como converter os seus dólares. "A própria 'transportadora' entrava em contato e tive acesso ao recibo da taxa de envio da mercadoria, tudo perfeito", relata.

Agora, a vítima pensará duas vezes antes de se envolver com quem não conhece. O caso é um dos três investigados pela Polícia Civil.

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