Polícia

Operação contra fraude em perícias médicas do INSS tem alvo em Bauru

Marcus Liborio com Estadão Conteúdo
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Newton Menezes/Futura Press/Estadão
Movimentação na sede da Polícia Federal, em São Paulo (SP), foi intensa nessa terça (24); vários materiais foram apreendidos

A operação da Polícia Federal (PF) contra grupo criminoso que fraudava perícias médicas do INSS em todo o Brasil teve um alvo em Bauru. Na manhã de ontem, uma mulher foi conduzida à sede da delegacia local, bem como grande quantidade de material apreendido. O trabalho, porém, é conduzido pela delegacia da PF de São Paulo, que, procurada via assessoria de comunicação, não informou mais detalhes sobre a participação da suspeita da cidade no esquema e tampouco se ela permaneceu presa. 

Os indícios apontam que a quadrilha agia há mais de 10 anos, estimando os desvios da ordem de R$ 60 milhões em todo o País. A Justiça bloqueou R$ 25 milhões de integrantes do grupo, que fraudava benefícios e aposentadorias - em especial auxílio doença - por meio do uso de "dublês", que tinham o papel de simular doenças para abrir os cofres do INSS.

A operação denominada Pseuda é feita pela Policia Federal, juntamente com a Inteligência Previdenciária, Advocacia-Geral da União, Ministério Público Federal e o INSS. A organização criminosa é chefiada por uma auxiliar de enfermagem.

Equipes da PF cumpriram 12 mandados de prisão (7 temporárias, 5 preventivas) e 16 mandados de busca e apreensão em todo o País - sendo um deles em Bauru. As investigações começaram em novembro de 2017.

MENTIRA E FALSIDADES 

Pseudea, que dá nome à operação, refere-se à divindade grega que personalizava a mentira e as falsidades. As fraudes consistiam em requerer auxílios-doença para pessoas, algumas que não eram segurados do INSS, com o uso de documentos falsos e diversos artifícios.

O grupo usava "dublês", ou seja, pessoas se faziam passar pelo requerente durante a perícia médica, onde fingiam doenças mentais, tinham membros engessados e usavam falsos relatórios médicos.

A quadrilha gerava aposentadorias falsas, com a carta de concessão fraudulenta possibilitando o saque irregular de valores depositados em seu FGTS. Parcelas dessa quantia eram repassadas ao grupo criminoso como pagamento pela falsa aposentadoria.

"O modo de agir da organização criminosa era muito peculiar", declarou à imprensa o delegado Rafael Dantas, da força-tarefa da PF que combate fraudes previdenciárias. Pelo menos 300 casos estão sob suspeita dos investigadores.

DIVERSOS ÓRGÃOS

Em nota, o Ministério da Fazenda informou à reportagem do JC que a força-tarefa previdenciária é uma ação conjunta que conta com a participação de diversos órgãos do governo federal no combate às fraudes previdenciárias.

"A Secretaria de Previdência do Ministério da Fazenda, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e também o INSS integram a força-tarefa e atuam neste combate a crimes contra o sistema previdenciário. Por ser parte da Força-tarefa, o INSS sempre integra as operações".

A nota diz ainda que, no caso da Secretaria de Previdência, a Coordenação-Geral de Inteligência Previdenciária (Coinp) é a área responsável por identificar e analisar distorções que envolvem indícios de fraudes estruturadas contra a Previdência.

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