Polícia

Matança de gatos revolta moradores de condomínio no Colina Verde

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação
Mais gatos apareceram mortos no local na semana passada

Moradores de um condomínio no bairro Colina Verde, em Bauru, não aguentam mais encontrar seus animais de estimação mortos pelo apartamento, nos corredores ou na área comum do residencial. Quinze gatos foram vítimas de um provável envenenamento somente nas duas últimas semanas. Os donos procuraram a Polícia Civil, que abrirá inquérito para investigar o caso.

A reportagem do JC conversou ontem com moradores do Residencial Mirante do Colina. Ana Maria Custódio, Marcelo Borges Diogo e Maurício Ferreira da Silva relatam que encontrar gatos mortos, deles e dos vizinhos, tornou-se rotina desde que o condomínio foi lançado, há cerca de cinco anos, pelo programa Minha Casa Minha Vida.

Ana Custódio conta que perdeu a gatinha Rabicó, de 2 anos. "Na semana passada, foram sete mortes de uma só vez. Uma delas foi da minha gatinha. Depois, do último domingo até hoje (quinta-26), outros oito foram aparecendo mortos, um após o outro, todos do lado de dentro do residencial. Eles estavam com pedaços de carne ou linguiças ao lado do corpo. Por isso, deduzimos que foram envenenados", revela.

Já Maurício da Silva conta que a esposa sente muita falta da companheira do dia a dia, a Branca de Neve, e que está sendo difícil e revoltante para o casal superar a perda. "Nós temos amor por eles. E alguém vem e mata os gatos? É difícil de entender", lamenta.

RISCO ÀS CRIANÇAS

Marcelo Diogo acrescenta mais uma preocupação. Ele acha que as crianças também estão em perigo. "Estamos atrás para saber quem é e queremos agilidade da polícia. Quem está matando esses gatos mora aqui dentro. Meu maior medo é, se um dia, alguma criança pequena ver um pedacinho desses alimentos no chão, colocar na boca e algo ainda pior acontecer", frisa. O gato dele, Junior, de 1 ano, também foi morto.

Marcelo cita também que alguns gatos de rua entram no local e dormem em cima dos carros. "Sabemos que alguns animais incomodam ali, principalmente os que vêm da rua, mas não precisa matar. Procurem o síndico, marquem uma reunião de moradores, mas não precisa matar", comenta, em apelo aos vizinhos. "Já chamamos o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses), pedimos autopsia e esperamos que a polícia investigue", ressalta.

NA POLÍCIA

Um boletim de ocorrência foi registrado na quarta-feira (25). O delegado Dinair José da Silva, titular da Delegacia de Crimes Ambientais da Central de Polícia Judiciária (CPJ), garantiu que o caso será investigado. "Temos uma equipe de investigadores que trabalha com assuntos ambientais e iremos ouvir as testemunhas e procurar identificar os autores".

O delegado lembra também da força-tarefa que a Polícia Civil vem fazendo, na qual já apreendeu várias embalagens de venenos conhecidos no comércio como "Mão Branca". Eles são produzidos originalmente para extermínio de ratos, mas, segundo Dinair, são os mais utilizados para matar gatos.

O delegado destaca ainda que, se identificado, o autor responderá por maus-tratos. Porém, em caso de possível envenenamento de humanos - mesmo que acidental -, no caso crianças, o autor poderá responder por lesão corporal grave ou até tentativa de homicídio.

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