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Queremos campeões ou gente feliz? Por Alberto Consolaro


| Tempo de leitura: 4 min

Nos países mais felizes há uma certeza de que o coletivo predominará sempre sobre o individual!

Queremos filhos bem-sucedidos profissionalmente ou seres humanos serenos, amorosos e que saibam usufruir as coisas simples da vida? Queremos campeões ou gente feliz? Ser competente é fazer bem o que nos propusemos. Ser competitivo é fazer melhor do que o outro, na maioria das vezes sem se importar com quais meios, o importante é vencer!

Alguns povos decidem que querem ficar estável com o mesmo número de pessoas e adota o controle da natalidade. A partir desta decisão, se planeja o que querem para os filhos que passam a ser filhos de todos. O Instituto Gallup faz uma pesquisa anual em 140 países para descobrir quais são os mais felizes na percepção dos moradores.

NA AMÉRICA

Nas Américas, o país mais feliz é a Costa Rica. Localizada na América Central, na última copa foi a sensação pelo futebol que apresentou. Em segundo lugar ficou o Panamá. Para os 4,8 milhões de costa-riquenhos é natural viver cada momento e reservar tempo para dividir com família e amigos. Sem grandes fazendas, os pequenos proprietários assumiram uma mentalidade independente e passaram a eleger como presidentes do país os professores. Sem instituições corrosivas adotaram politicas de bem-estar ascendente para todos.

Em 1869, repito, em 1869, tornaram o ensino obrigatório para todas as crianças, incluindo-se as meninas. Em 1930, a Costa Rica tinha uma das mais altas taxas de alfabetização do mundo. Foi feito um investimento maciço para dar água potável a todos, incluindo populações rurais com redução de doenças infantis como cólera e diarreia. Em 1940 organizaram a previdência social e decidiram pelo fim do exército nacional. A partir de 1961 organizou a assistência médica universal com clínicas de atendimento primário em praticamente todos os vilarejos. O enfoque em saúde preventiva reduziu a mortalidade infantil e aumentou a expectativa de vida para 80 anos.

NA EUROPA

O país europeu da felicidade é a Dinamarca, que alterna o primeiro lugar com a Finlândia. Os dois países foram povoados pelos vikings juntamente com a Suécia, Noruega e a Islândia. São cinco países do norte europeu conhecidos como Escandinávia. Na Dinamarca o governo fortalece a identidade nacional e investe para que o país internamente seja muito forte com 5,6 milhões de pessoas.

Na Dinamarca o cidadão cresce sabendo que tem o direito à assistência médica, educação e uma rede de segurança financeira. Os pais de um recém-nascido podem tirar licença de um ano paga pelo governo. Apesar de trabalharem muito, os dinamarqueses dedicam até 40 horas semanais e tem direito a cinco semanas de férias por ano. O imposto de renda chega a ser de 56%. Isto permite altos salários para todos e o salário de um coletor de lixo se equivale ao de um médico. Quase todos dinamarqueses estão ligados a um clube ou associação. A sociedade e governo incentiva o trabalho interessante com um lazer gratificante. Todos sabem que as pessoas precisam de desafios e não fogem da adversidade para adquirir uma autoconfiança: se caírem haverá uma sociedade para socorrer!

NA ÁSIA

Cingapura é o país asiático mais feliz com quase 6 milhões de pessoas em uma pequena área territorial. Depois de fundada em 1965, quase todos eram pescadores. Hoje representa um dos países mais desenvolvidos. Há muitas etnias, mas a língua é o inglês. O país tem liberdade religiosa e educação igual para todos. Quase todos têm casa própria subsidiada pelo governo. Os cingapurenses são satisfeitos com a vida que tocam de acordo com seus valores e orgulham-se do que realizam, pois têm segurança financeira, se sentem integrados.

Em Cingapura se abre mão dos prazeres momentâneos da vida para se trabalhar um pouco mais. Todo cidadão aprende cedo os passos do caminho bem-sucedido: siga as regras, entre na escola certa, consiga o emprego adequado e você encontrará a felicidade. A felicidade para os cingapurenses representa o talento e desempenho recompensados por cinco "C"s: casa, carro, capital, cartão de credito e clube. Eles sabem que podem levar anos para a felicidade, mas ela virá se seguirem as regras!

E AQUI?

Comparemos: por aqui se é feliz como acolá? Por que sim ou por que não?

Reflitemos!

Alberto Consolaro é professor titular da USP - Bauru. Escreve em todos os sábados no JC. 

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