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Todo mês de maio na maior

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Todo mundo tem um mês de estimação. O meu é maio. Vamos falar de mim. Maio: mês do meu aniversário. Seu também? Espero que sim. Para mim, o 8 de maio salta da folhinha. Ganha relevo no calendário. Néon. Até fala comigo.

"Que tal, ô João Pedro, aproveitar seu dia, que sou eu, para ser mais atencioso e gentil com as pessoas à sua volta?", provoca. Até tento argumentar com o dia-conselheiro que a correria do dia a dia deixa a gente mais insensível e desatento. "Para com isso. Desacelera. Faça o que fizer, seus dias vão passar mesmo". Credo, que fatalista, dia falastrão.

"Ah, e digo mais: tente não fazer burrada no seu dia, que sou eu!". Ok, ok. "Não adianta concordar e realizar tudo ao contrário. Teve um 8 de maio que você praticamente me ignorou. Ficou se esquivando da data".

Mas é claro que fiquei: caiu numa quarta. Aliás, dessa vez não só será numa terça como ainda tenho dentista nesse dia. Dentista em pleno aniversário. Com aquele motorzinho, fora a bronca que a gente leva. "Não deixa de ser eu, digo, o seu 8 de maio". É.

Pensando bem, o dia 8 tem razão. Aniversário é para ser feliz. Bobagem não aproveitar. Até porque, pelo jeito, eu já queria muito estar aqui. O que sei é que, naquele 8 de maio de 1971, uma Kombi que levava minha mãe grávida e meu pai aflito pifou. E, na hora do vamos ver, fui tirado a fórceps, o que rendeu um risco discreto no lado esquerdo do rosto. Tipo mafioso (e só aparece bem quando estou bravo).

No 8 de maio de 2018, após o trabalho, o negócio será abrir uma boa cerveja e colocar algum som fofinho do grupo britânico The Magic Numbers. Ou "The Righ Time", de Brian Wilson. Ou "O Amor A Nossa Força", de Telo Borges, com participação de Lô Borges e Beto Guedes.

Ou, ainda, ouvir pela milésima vez "Todo Mês de Maio na Maior", de Guilherme Arantes. Uma canção que remete ao campo, ao interior (da gente, inclusive). Um trecho: "O outono na fazenda / Toda tarde cochilar / Com o cheiro luxuoso / De um fogão de lenha / Perfumando todo o ar". Com a família viajando, é preciso garantir a presença de algumas boas canções. Com elas soltas no ar, meu caro dia 8 de maio, não tem como não gostar de você.

 

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