Política

Refis ajudou arrecadação no 1º trimestre

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

Aceituno Jr.
Os guichês da Secretaria Municipal de Finanças no Poupatempo estiveram lotados durante os primeiros meses deste ano

Os programas de parcelamentos de dívidas (Refis) promovidos pelo município e também pelos governos estadual e federal ajudaram a 'salvar' a arrecadação da Prefeitura de Bauru no primeiro trimestre deste ano. A Secretaria Municipal de Finanças fechou na última semana os números consolidados dos primeiros três meses do ano e constatou que o crescimento da arrecadação, esperado para o período, só foi possível por conta desses projetos de resgate de créditos.

Em Bauru, a prefeitura arrecadou cerca de R$ 10 milhões até março com o Programa Extraordinário de Regularização Fiscal (Perf), também chamado de Refis. O Estado e a União também fizeram programas parecidos, o que se refletiu em alta no repasse do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Ambos cresceram 9% nos três primeiros meses deste ano, em comparação ao mesmo período do ano passado.

A prefeitura ainda conseguiu melhorar a arrecadação com o Imposto Sobre Serviços (ISS). Já o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) não foi computado, pois o valor recebido até março foi pequeno, uma vez que boa parte dos contribuintes pagaram a parcela única ou a primeira parcela em abril, gerando neste primeiro mês R$ 47 milhões.

CRESCIMENTO

Entre janeiro, fevereiro e março, a Prefeitura de Bauru aumentou a arrecadação em 5,87%, na comparação com o mesmo período do ano passado. A receita total da administração direta foi de R$ 215,9 milhões neste ano, contra R$ 203,9 milhões de 2017. O ICMS passou de R$ 43,5 milhões nos três primeiros meses do ano passado para R$ 47,6 milhões neste ano, e o FPM subiu de R$ 16 milhões para R$ 17,5 milhões, ambos cresceram 9%. Já o Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) ficou na casa da inflação, crescendo 3%, de R$ 55 milhões no ano passado para R$ 56,7 milhões neste ano.

De acordo com o secretário municipal de Finanças, Everson Demarchi, os programas de parcelamento do governo estadual e federal contribuiu. "A gente não consegue saber o quanto ao certo desse repasse a mais é relacionado a refinanciamento fiscal, mas isso ajudou. Tanto que ao longo do ano, a arrecadação com o ICMS e o FPM deve voltar a média do ano passado, já sem esse impacto a mais", comenta.

Entre os tributos da prefeitura, o ISS cresceu 9,82%, indo de R$ 21 milhões no ano passado para R$ 23 milhões neste ano, sem interferência de programas de refinanciamento. "Nesse caso foi um aumento por conta de demanda de serviços mesmo, ainda refletindo o fim do ano passado, pois é lançado no começo deste ano", frisa.

DESPESAS

Com relação às despesas, houve um aumento de 3,6% nos primeiros três meses deste ano na administração direita, em comparação ao mesmo período do ano passado. Em 2018, a prefeitura gastou R$ 180 milhões até março, contra R$ 173,7 milhões de 2017. "Conseguimos manter a despesa aumentando pouco acima da inflação. A partir de agora, esse índice deve subir, por conta do reajuste dos salários dos servidores. E também os primeiros meses do ano tem uma arrecadação maior, a partir de maio e junho, a arrecadação diminui e as despesas se mantém ou aumentam", resume o titular da Finanças.

Ele lembra ainda que as receita corrente líquida aumentou mais de 7% no primeiro trimestre, em função da arrecadação de impostos, e que nos próximos meses, o montante diminui, enquanto as receitas de capital, relativas principalmente a repasse de verbas federais em obras da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa e do PAC Asfalto aumentam, o que também terá impacto nas despesas, já previstas no Orçamento, conclui.

Malavolta Jr.
Secretário Everson Demarchi faz esforço para que prefeitura volte ao limite com gasto de pessoal

Governo espera voltar ao limite fiscal

A Secretaria Municipal de Finanças deve fechar ao longo do próximo mês os números de abril e, com isso, o total do primeiro quadrimestre do ano, tanto da prefeitura como do município - o que inclui DAE, Emdurb e Funprev. O balanço é esperado, pois o governo municipal acredita na possibilidade de voltar ao limite fiscal, até em função do aumento da receita nos primeiros meses.

Para isso, será necessário que a despesa com pessoal no período entre maio do ano passado e abril deste ano fique abaixo dos 51,3% da Receita Corrente Líquida (RCL). Até dezembro, o gasto com salários de servidores ativos estava em 52,56%. Se conseguir voltar ao limite fiscal, a prefeitura pretende contratar mais servidores para a saúde, educação, e em outras pastas que tem déficit de funcionários.

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