Do pó viemos e ao pó retornaremos, assim se diz! No entanto, entre a nossa chegada corpórea a este planeta e a nossa ida, muito fazemos, muito podemos fazer. Contribuir ou sugar, proteger ou destruir... A experiência talvez nos torne mais reflexivo e isso nos leve a estarmos mais atentos a cada minuto do nosso tempo, a cada elemento de nossa existência.
Mexendo com plantas e terra, me pus a pensar na grande importância que tem o nosso solo para a existência não só do homem, mas de todos os seres vivos ou não. Ele é nossa base sólida, a terra é nossa fonte de vida e de beleza! Literalmente a pisamos e não nos damos conta da sua imensurável importância, imprescindibilidade. Há dias atrás falei sobre a água, outro tesouro que desrespeitamos, ignoramos.
A partir dessas reflexões encontrei em pesquisas que existem várias datas para comemorar o dia do solo: 15 de abril (Dia Nacional da Conservação do Solo); 22 de abril (Dia Internacional da Mãe Terra) e 5 de dezembro (Dia Mundial do Solo). Todos nos levam a pensar sobre como tratamos a terra.
O Dia Internacional do Solo foi estabelecido durante o XXVII Congresso Mundial de Ciência do Solo, em Bangkog, Tailândia, em 2002, pela Sociedade Internacional de Ciência do Solo (IUSS). Foi escolhido o dia de 5 de dezembro como homenagem ao Rei da Tailândia, Bhumibol Adulyadej, em função de sua dedicação em promover a ciência do solo, enfatizando a conservação do solo como uma questão ambiental.
A outra data, o Dia Internacional da Mãe Terra, foi criada nos Estados Unidos pelo senador Gaylord Nelson, falecido em 2005, e depois extendida para quase todos os países. O objetivo principal desse dia é conscientizar sobre a necessidade da preservação e conservação dos recursos naturais.
E no dia 15 de abril comemoramos o Dia Nacional da Conservação do Solo, conforme a promulgação da Lei Federal n. 7.876, de 13/11/1989. A escolha dessa data foi em homenagem a Hugh Hammond Bennett, o pai da conservação do solo nos Estados Unidos. Esse dia propõe uma reflexão sobre a conservação dos solos e a necessidade da utilização adequada desse recurso natural.
Mesmo com três datas em sua homenagem, o solo ainda sofre. Relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação lançado em dezembro em Roma, com participação da equipe da Embrapa Solos (Rio de Janeiro-RJ) revela que 33% dos solos do mundo estão degradados por erosão, salinização, compactação, acidificação e contaminação. Segue o Relatório, no sentido de que entre outros prejuízos, como selamento da terra - que agrava as enchentes - e perda de fertilidade, os solos degradados captam menos carbono da atmosfera, interferindo nas mudanças climáticas. Por outro lado, quando gerido de forma sustentável, o solo pode desempenhar um papel importante na diminuição das alterações climáticas, por meio do sequestro de carbono e outros gases de efeito estufa.
Mostram estudos específicos que a erosão elimina 25 a 40 bilhões de toneladas de solo por ano, o que reduz significativamente a produtividade das culturas e capacidade de armazenar carbono, nutrientes e água. Portanto, se não forem tomadas medidas para reduzir a erosão, haverá a diminuição significativa de cereais em 2050.
Essa situação se repete em todo o planeta. No Brasil não foge a essa realidade. O Relatório citado expõe a situação atual, a falta conhecimento mais detalhado do solo e políticas públicas para que o pequeno produtor, principalmente, possa fazer o manejo adequado da terra.
O Brasil seria o país que mais possui áreas que podem ser incorporadas à agricultura, porém precisa avançar na adoção de práticas sustentáveis na produção de alimentos e no conhecimento dos solos.
A perda de solos produtivos prejudica a produção de alimentos e a segurança alimentar, amplifica a volatilidade dos preços dos alimentos e, potencialmente, mergulha milhões de pessoas à fome e à pobreza.
Por outro lado, o relatório também oferece evidências de que essa degradação pode ser evitada e constata que as mudanças climáticas - foco da conferência das Nações Unidas COP21 em Paris - é mais um forte motor da mudança do solo.
Temperaturas mais altas e eventos climáticos extremos relacionados, tais como secas, inundações e tempestades impactam diretamente na quantidade e fertilidade do solo. As alterações no clima também têm reduzido a umidade, esgotando as camadas de solo rico em nutrientes e têm contribuído para um aumento na taxa de erosão do solo e recuo da costa, proporcionando o avanço do mar cada vez maior, assim como a acumulação de sais no solo reduz o rendimento das culturas e pode eliminar completamente a produção vegetal.
Por essas e tantas outras razões, o apelo é para que tenhamos consciência da importância dos elementos que compõem a nossa vida e também das vidas das futuras gerações!
A autora é juíza de Direito, mestre em Direito. Pós-graduada em Antropologia. Docente no ensino superior.