Política

Estiagem longa deixa o DAE em alerta

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.
O presidente do DAE, Eric Fabris, afirma que Plano de Contingência é necessário para evitar desabastecimento na cidade

A estiagem vivida pelos moradores de Bauru já preocupa, e muito, o Departamento de Água e Esgoto (DAE), pois se as condições climáticas não mudarem, há risco de desabastecimento a partir de meados de agosto. Neste ano, a falta de chuva começou um mês antes do normal, ainda em abril, e como a média de precipitação está abaixo da média desde o final do ano passado, o nível do Rio Batalha pode ficar em situação crítica já em agosto, dois meses antes do início de um novo período chuvoso na região. No momento, o manancial está com o nível normal, mas a seca faz a autarquia projetar um cenário delicado dentro de três meses.

O presidente do DAE, Eric Fabris, cita que a estiagem longa já era esperada para este ano, e que em novembro do ano passado foi apresentado um Plano de Contingência, que só agora deve começar a ser colocado em prática, quase seis meses depois de ser anunciado. Na época, a Prefeitura de Bauru tinha a intenção de mudar a tarifa do DAE, reduzindo o valor destinado ao Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE), aumentando o montante direcionado ao investimento em abastecimento de água, e ainda reduzir o valor final da conta em 7,5%. Contudo, por conta do limite fiscal, o município está impedido de fazer as alterações.

Ele afirma que a redução na tarifa será colocada em prática quando o município voltar ao limite fiscal de gastos com pessoal, o mesmo ocorrendo com a diminuição do valor para o FTE - conforme o JC noticiou nesta semana, a prefeitura trabalha com a possibilidade de retornar ao limite fiscal até o final de maio. Para não deixar o Plano de Contingência parado, a solução encontrada foi autorizar a compra de tubulações para a construção de dez quilômetros de adutoras e a licitação para a perfuração de três poços com sobras do Orçamento do ano passado, de cerca de R$ 6 milhões.

EMERGENCIAL

Para o presidente do DAE, a necessidade de obras contra a seca é imediata, ajudando inclusive o abastecimento em outros períodos.

A grande preocupação é com a área abastecida pelo Rio Batalha, aproximadamente 38% da zona urbana, nas regiões do Centro, Sul, Oeste e Sudoeste, em bairros como Jardim Ouro Verde, Independência, Vila Falcão, Vila Industrial, Altos da Cidade, Jardim Estoril, Jardim América, Vila Dutra e parte do Bela Vista, entre outros.

Nas demais regiões, abastecidas por poços, o risco de um eventual racionamento é menor. Para isso, estão previstas a perfuração de três poços, no Santa Cândida, Geisel e Jardim América, e dez quilômetros em adutoras. "Com o valor que a gente tem do Orçamento do ano passado vamos comprar os materiais para construir as adutoras, e licitar os três poços. No caso dos poços, a previsão é de cinco meses para ficarem prontos, pois são dois meses para licitação e três meses de obras, pois além da perfuração, vamos contratar a estrutura toda no entorno, como os muros e a ligação até a rede de água, será completo", resume Fabris. A abertura de três poços tem como objetivo diminuir a área que depende do Batalha - especialmente o do Santa Cândida e Jardim América.

FALTA

Bauru está há 32 dias sem chuva, de acordo com o Centro de Meteorologia (IPMet) da Unesp-Bauru. A última chuva foi em 3 de abril.

No mês passado, choveu apenas 15 milímetros na cidade, e em janeiro e fevereiro o volume também ficou abaixo do esperado. Apenas em março a chuva superou a média histórica. "E ainda assim, foram pancadas rápidas em março, não tivemos chuvas que duravam três, quatro dias, ou seja, praticamente não houve reposição do lençol freático que abastece rios como o Batalha", cita Fabris.

Essa falta já coloca o DAE em alerta. "O verão foi 40% menos chuvoso do que o normal. Isso logo após um ano, em 2017, em que foi acima da média. Tanto que no ano passado não houve problema de desabastecimento. Mas agora a chuva está abaixo do esperado, e se mantiver dessa forma, a gente teme que o nível do Batalha fique crítico em agosto, antes mesmo do que em outros anos com estiagem, que foi em setembro o mês mais complicado", afirma o presidente da autarquia.

Reservatórios

Ainda dentro da meta de evitar um racionamento ou um desabastecimento mais grave, o Plano de Contingência também previa a construção de três novos reservatórios e o início da reforma da Estação de Tratamento de Água (ETA). Ambos, contudo, ainda precisam esperar a alteração na tarifa, com mais recursos sendo direcionados ao abastecimento de água.

O presidente do DAE, Eric Fabris, comenta que outra possibilidade é subsidiar a instalação de reservatórios nas residências, com caixas d'água, já noticiado pelo JC em março deste ano. A prioridade serão os bairros mais altos da região atendida pelo Rio Batalha. "Estamos analisando como isso pode ser feito de maneira legal. Os imóveis em regiões mais altas na área do Batalha seriam a prioridade, uma vez que sofrem mais em épocas de desabastecimento. Com a estiagem, isso pode acabar entrando dentro do Plano de Contingência para evitar mais problemas daqui algum tempo no abastecimento", conclui.

Estiagem teve início antecipado

Conforme o JC noticiou nesta semana, a estiagem começou mais cedo do que o comum neste ano. Normalmente, o tempo mais seco tem início em maio. Em abril, já há redução do volume de chuvas, porém em 2018 o índice ficou abaixo da média, e concentrado nos primeiros dias do mês. Depois, a cidade começou a sofrer com a estiagem, e a previsão do tempo é de que não tenha chuva em Bauru na próxima semana. Portanto, maio também pode ser um mês seco na região de Bauru.

O tempo seco já faz com que a umidade relativa do ar esteja baixa, na casa dos 30% no período da tarde nos últimos dias. O Corpo de Bombeiros registrou aumento de fogo em mato, e mais pessoas vão a unidades de saúde com problemas respiratórios. Colocar fogo em mato é crime ambiental, e pode dar multa.

 

Comentários

Comentários