Bairros

Pets: o drama do sumiço e o alívio do reencontro

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 12 min

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A vira-lata Maysa desapareceu na região da Vila Cardia há quase dois meses; contato da tutora: (14) 99797-2033
Samantha Ciuffa
Aline Escarabelli mostra o canil onde Maysa dormia temporariamente na casa da sogra para tratar infecção
Samantha Ciuffa
Drama: caminha da Maysa vazia há quase dois meses, após sumiço

Quem já perdeu um pet sabe a dor e o desespero causados pela situação, no mínimo, estressante. Basta uma brecha no portão ou um rápido descuido, e pronto! Lá se foi o animal. E quanto mais a iniciativa para a captura demora, maior a chance do sumiço real ou de algo pior acontecer. E, se o pet não estiver devidamente identificado, então, aumenta a probabilidade do desaparecimento.

Há uma tese que diz que a rotina da vida moderna, caracterizada pela falta de tempo, ajudaria os animais domésticos a fugirem e não retonarem mais. Isso porque, por causa falta de passeio com os donos, eles desconheceriam os caminhos de volta para casa.

Independentemente disso, finais felizes têm acontecido em meio às dezenas de fuga. E o esforço dos donos em reencontrar o animalzinho, divulgando o sumiço com cartazes pelas ruas, com anúncios próprio Jornal da Cidade e nas redes sociais, é o que mais tem ajudado.

O JC Nos Bairros traz histórias tristes e felizes envolvendo tutores que perderam seus animais em Bauru, recentemente. E dá dicas de como prevenir situações assim com medidas simples.

VOLTE, MAYSA!

Um dos casos mais tristes de desaparecimento é o da vira-lata Maysa, de 11 anos, que fugiu por volta das 23h30 do dia 18 de março, na Vila Cardia.

A dona dela, a funcionária pública Aline Escarabelli, de 34 anos, que mora no bairro Águas Virtuosas, conta que a cachorra estava fragilizada, tratando uma infecção no sangue, por isso foi levada para passar algumas estadias na casa da sogra dela, na Vila Cardia.

"Como temos outros animais, decidimos separá-la dos demais até que se recuperasse. Mas, naquela noite, alguém saiu e o portão não fechou direito. Só foram notar o sumiço no final da noite", conta Aline. "Eu corri para a casa da minha sogra e procurei ela no bairro até umas seis horas da manhã da segunda-feira, mas não encontrei", acrescenta.

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Anúncio pede ajuda na procura pela gata Neném, no Jardim Terra Branca

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Anúncio em redes sociais pede ajuda para o encontro da lhasa Sarah, que desapareceu no Jardim América

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Anúncio pede ajuda na procura pela cachorrinha Maysa

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Página do JCNet ajuda a divulgar animais desaparecidos ou encontrados; este cachorrinho maltês foi achado no Parque Rooselvelt na última semana

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Anúncio nas redes sociais procura por Rocambole, que desapareceu na Vila São Paulo

Mural em praça concentra desaparecidos

Desesperada com o sumiço de Maysa, Aline espalhou cartazes pelo Centro e região da Vila Cardia. O anúncio de desaparecimento dela é um dos pregados no mural da praça Luiz Zuiani, no Higienópolis, que possui outros vários registros com fotos e contatos de proprietários de animais desaparecidos. Alguns dos avisos oferecem até recompensa para quem devolver os animais.

“Eu resgatei ela da rua e peguei muito amor. Sonho todos os dias com a sua volta”, lamenta Aline.

Malavolta Jr.
Mural na praça Luiz Zuiani, no bairro Higienópolis, concentra anúncios de animais desaparecidos

Esperança ressurge a cada nova ligação

Proprietários de animais desaparecidos e que divulgam sumiço enfrentam expectativa cotidiana de reencontro; tem gente que relata até ter adoecido de tristeza

Douglas Reis
Mirian Vanessa Lopes de Lima Silva tem saído à procura de Rocambole todos os dias na região da Vila São Paulo

"É frustrante chegar nos lugares e ver que não é ela. Mas não perco a esperança, que surge a cada nova ligação. Tenho fé e creio que alguém de alma boa está cuidando e irá devolvê-la um dia." A frase resume a aflição vivida pela artista plástica Ângela Delicato, 60 anos, e por outras dezenas de tutores que enfrentam o desaparecimento de seu pet. Moradora do Jardim América, ela procura sua lhasa apso Sarah, de 10 anos, desde o dia 11 de abril e espalhou anúncios pela internet com seu telefone. Nenhuma das várias ligações que recebeu, contudo, resultou positiva por enquanto.

"Estou desesperada, ela nunca saiu de casa, dormia comigo no meu quarto. No dia em que ela fugiu, eu não consegui correr porque estou com problemas no joelho. Mas achei que ela fosse voltar como fez outras vezes", comenta Ângela. Sarah tratava uma otite e parecia confusa na tarde do dia em que desapareceu, segundo sua tutora.

QUASE 2 MESES

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O Rocambole desapareceu na Vila São Paulo, no dia 25 de abril; contato da tutora: (14) 99692-3021

A aposentada Iherty Ruiz, de 78 anos, divide o mesmo drama, mas há mais tempo. Desde o dia 10 de março, a Neném, sua gata de 3 anos, está desaparecida no Jardim Terra Branca.

"Recebi várias ligações e fui verificar, mas nenhuma das gatas era ela. Eu já fiquei doente de tanta tristeza, ela era minha companhia", conta Iherty.

Neném desapareceu enquanto a idosa viajava. Um filho da aposentada abriu o portão e não notou que o animal havia saído. "Ela sempre fugia, mas eu corria atrás e ela voltava. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Errei em não ter colocado a coleirinha de identificação nela", completa a aposentada.

PROCURA DIÁRIA

Não há um dia que passe sem que a do lar Mirian Vanessa Lopes de Lima Silva, de 31 anos, se mobilize no encontro pelo Rocambole, seu cachorro vira-lata de 5 anos.

Recolhido das ruas ainda filhote e com outros cães, Rocambole desapareceu no dia 25 de abril na Vila São Paulo. Um familiar de Vanessa abriu o portão e os oito cachorros da casa, incluindo ele, fugiram. "Ele nunca saiu, era medroso, não sei o que aconteceu, acho que se empolgou com os demais", cita a do lar.

Dos oito, Rocambole foi o único a não voltar. "Tenho mostrado a foto dele no bairro todo, nas casas e no comércio. Tenho esperança em encontrá-lo", afirma Mirian Vanessa, que também recebe ligações semanais sobre a possibilidade de paradeiro do cão, mas nenhuma resultou positiva.

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A lhasa Sarah desapareceu no Jardim América no dia 11 de abril; contato da tutora: (14) 3223-9098

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A gata Neném desapareceu no Jardim Terra Branca, no dia 10 de março; contato da tutora: (14) 99787-7471

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Foto da gata Neném (branca rajada) ao lado de sua companheira Anita dias antes do desaparecimento

O que leva o pet a fugir?

Há uma corrente que estuda a psicologia animal e alguns defendem que os cães se afastam para poupar os donos do sofrimento de vê-los morrer ou como forma de manter dignidade na morte.

Mas há também outros possíveis motivos que levam os pets a fugir: a personalidade mais rebelde do próprio animal, falta de exercício, estímulo visual na rua, fêmea no cio, rivalidade com cães dos vizinhos, estímulo auditivo (como buzina), medo de rojões e trovões, tédio (ficar muito tempo sozinho), ciúmes por não gostar de dividir a atenção do dono. (Com Dulce Kernbeis)

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Anúncio oferece R$ 300 para quem encontrar o Banzé, que sumiu no Parque Vista Alegre

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A Belinha desapareceu no Santa Edwirges; contato: (14) 99794-6762

Coleira de identificação e microchip ajudam

Douglas Reis
Veterinário Eduardo Pasquini diz que por ser subcutâneo, microchip de identificação é medida mais eficaz contra o desaparecimento; na foto, ele, a cão Cleo e a auxiliar Priscila Campos, durante procedimento de implantação do dispositivo

Animais de estimação exigem cuidados. É preciso prever que o mascote pode se perder a qualquer momento e em qualquer lugar.

O uso da coleira com plaquinha de identificação, com nome do cão e do tutor e telefone com DDD gravados, é essencial.

O microchip é outra solução ainda melhor, pois, por ser implantado de forma subcutânea, não tem como ser violado. O dispositivo tem um código que é cadastrado em um site com o nome do cão e do tutor. "Quando o leitor passa, identifica a ficha toda do animal", cita Eduardo Pasquini, proprietário de uma clínica veterinária na quadra 11 da av. Castelo Branco, na Vila Nipônica.

O microchip tem o tamanho de um grão de arroz e é implantado por meio de um aplicador no próprio consultório. "É um procedimento rápido e de recuperação curta. Somente em alguns casos é indicada a administração de anti-inflamatório com analgésico", pontua Pasquini.

O procedimento custa aproximadamente R$ 100 e é feito em várias clínicas da cidade.

Emoção marca reencontros

Moradores que viveram final feliz após desaparecimento de pets relatam momentos de alívio; em um dos casos, cão foi parar em biqueira e até a PM chegou a intervir

Aceituno Jr.
Rafael Borges e Carol Freddi com o gato Chico, que voltou para a casa sozinho 5 dias após ficar sumido

Um dos reencontros de pet mais recente e curioso ocorreu na Vila Altinópolis, região central de Bauru. Bolt, um shih tzu de 4 anos, foi furtado de uma casa na noite do dia 21 de março. A tutora acredita que o crime tenha sido cometido por uma pessoa que sempre passava pelo local e brincava com o cachorro.

"Essa pessoa furtou a chave da porta e levou o Bolt. Foram quatro dias de desaparecimento, mas parece que foi um ano. Eu fiquei desesperada, passava as noites em claro, só chorando e sem comer", conta a aposentada Teresa Peres Lopes, de 73 anos. Ela conta ter espalhado anúncios pela cidade oferecendo até R$ 1,5 mil a quem encontrasse o mascote.

O sumiço mobilizou os filhos dela, um que é policial em Brasília e o outro advogado. "Eles pararam a vida deles e vieram para cá me ajudar, porque recebemos a informação anônima de que Bolt estaria em uma biqueira de drogas", comenta Teresa.

Ao chegarem ao endereço indicado e avistarem o cão, eles acionaram a Polícia Militar. "O Bolt reconheceu a minha voz e veio correndo, mas a pessoa que estava com ele não queria entregar. Eles arrancaram da coleira o pingente com nosso nome e telefone", conta Teresa.

Malavolta Jr.
Anúncio chegou a oferecer R$ 1,5 mil como recompensa para quem encontrasse o shih tzu Bolt; dona diz que animal foi usado como moeda de troca em biqueira

Com a polícia no local, a situação se resolveu e Bolt voltou pra casa. "Aqui, ele tem um quarto dele e mais de 40 bichinhos de pelúcia. Ele é tudo pra mim, como se fosse um filho", cita a aposentada.

VOLTOU SOZINHO

Outro reencontro emocionante ocorreu no Jardim Samburá. Chico, um gato de 2 anos, desapareceu após uma festa em sua casa, no dia 20 de abril. "Reunimos alguns amigos e só notamos o sumiço dele na manhã do dia seguinte. Foi um desespero, passamos o final de semana na rua procurando", lembra o designer Rafael Borges, 31 anos.

A fuga teria ocorrido por um muro no quintal da casa e Chico não tinha coleira de identificação. "Vimos na internet que colocar a caixinha de areia na frente da casa ajuda o gato a identificar e voltar. E vários moradores de lá nos ajudaram a procurar", conta Rafael.

Cinco dias depois do sumiço, Chico apareceu no quarto do casal, miando, sujo, com carrapatos e com fome. "Nem acreditamos que ele estava ali na nossa frente, foi emocionante. Depois deste susto, fecharemos o quintal com tela e colocaremos um microchip nele", finaliza o tutor.

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Bolt ficou quatro dias desaparecidos, mas finalmente está em casa; alívio para sua tutora Teresa Lopes

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Teresa Ferreira Lopes posa para foto com cabo Hettsheimer da PM, no dia da resgate de Bolt, como forma de agradecer a ajuda policial

Fanpage do JC e RedaCão contribuem com a causa

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Nos últimos anos, Bauru tem contado com duas grandes parcerias quando o assunto é animal desaparecido. A fanpage do Jornal da Cidade no Facebook e a coluna RedaCão, que integra o Jornal Segunda-Feira, anunciam gratuitamente situações de desaparecimento e de encontro de pets com o contato dos tutores.

“Como a página é muito acessada, a chance do animal ser encontrado é bem maior. Foi algo que aconteceu naturalmente. As pessoas começaram a nos procurar desesperadas. São cachorros, gatos, calopsitas e até coelhos. Além de ajudar os bichos e seus donos, acreditamos que, ao atuar para a diminuição dos animais domésticos abandonados ou perdidos nas ruas, contribuímos também com a cidade", conta Márcia Duran, editora multimídia do Jornal da Cidade/JCNET. 

Como a demanda é maior do que a capacidade de postagem, já que a fanpage é de notícias, e há uma pequena lista de espera, detalha Duran. Em um dos casos noticiados pela fanpage, o dono encontrou seu cachorro que estava desaparecido há três dias uma hora após a publicação.

Papagaio fujão é resgatado na Vila Industrial

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Luciana da Silva Felizardo com o papagaio xodó Romeu e sua irmã Luzia de Almeida

Após quatro dias de sumiço, Romeu, o papagaio mais fujão que se tem notícia em Bauru, voltou para casa. Conforme o JC noticiou, a ave bateu asas e fugiu no dia 13 de abril, após se assustar com um vizinho, na Vila Industrial. O fato ocorreu um ano depois de um primeiro desaparecimento, que também foi noticiado.

Romeu é xodó de Luciana da Silva Felizardo, 48 anos. Com mentalidade de uma criança de 10 anos - problema causado por um choque término na adolescência -, ela só chorava em razão do desaparecimento do papagaio, que é famoso por despertar toda a família ao som da cantiga popular 'atirei o pau no gato".

Romeu havia subido no telhado e, ao tentar descer pelo muro, se assustou porque um dos vizinhos realizou uma tentativa frustrada de fazê-lo retornar para a casa, usando um cabo de vassoura.

O reencontro aconteceu no dia 18, mas a família só comunicou o fato ao JC nesta semana.

"Ele estava em uma vizinha a três quadras de casa. Ela viu a notícia no jornal e o chamou de Romeu. Na hora, ele atendeu. Aí ela nos avisou. Quando chegamos lá, ele viu a Luciana fez uma baita festa", explica Luzia de Almeida, irmã de Luciana.

Aceituno Jr.
Papagaio Romeu fugiu e foi encontrado pela segunda vez em um ano

CCZ não recebe animais perdidos

Samantha Ciuffa
Cidade tem contado com ONGs e protetores independentes para cuidar de animais encontrados e abandonados; na foto, Sandra Ariede da SOS Gatinhos

O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) não recebe animais perdidos. Os animais são recolhidos pelo órgão em via pública apenas quando apresentam ameaça à população. Eles ficam no local aguardando o proprietário por cinco dias. "Após esse período, quando estiverem em condição, são colocados para adoção", diz a prefeitura.

Para suprir a demanda, a cidade tem contado com o trabalho voluntário de ONGs e protetores independentes, que se prontificam e acolhem dezenas de animais encontrados na rua.

"Além de postar em mídias, fazer cartazes e pregar anúncios em estabelecimentos comerciais é algo que ajuda bastante", opina Sandra Ariede, da ONG SOS Gatinhos.

Site da prefeitura também divulga desaparecidos

A Coordenadoria de Tecnologia da Informação da Prefeitura Municipal informa que está a disposição da população no site https://www.bauru.sp.gov.br/desaparecidos/ para cadastro e divulgação de pessoas ou animais desaparecidos.

Após o cadastro, é feita uma triagem para verificar a veracidade das informações e o anúncio fica no ar por tempo indeterminado ou até que a família entre em contato pelo email: desaparecidos@bauru.sp.gov.br, informando o encontro.

Reprodução
Site da prefeitura divulga pessoas e animais desaparecidos

 

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