| Samantha Ciuffa |
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| Segundo especialistas, queda nas taxas de juros e retomada da confiança do consumidor foram decisivas |
A perspectiva do mercado automotivo voltou a ficar otimista em Bauru. Após quedas consecutivas ocasionadas pela crise econômica, o total de veículos novos emplacados tornou a crescer em 2017.
O aumento foi de 4,4% na comparação com 2016, totalizando 8.237 unidades comercializadas na cidade, segundo estatísticas do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran.SP). Em todo o Estado, o aumento médio foi de 8,4%, com 767.708 unidades emplacadas, entre automóveis, motocicletas, utilitários, caminhões e ônibus.
Em Bauru, altas não vinham sendo registradas pelo setor pelo menos desde 2013. Naquele ano, 17.664 veículos haviam sido vendidos, volume duas vezes superior ao contabilizado no ano passado.
Para a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a retomada do crescimento da economia é o principal motivo do aumento. A entidade destaca que o desempenho alcançado em 2017 encerrou quatro anos de quedas seguidas e foi favorecido por fatores que proporcionaram a retomada da confiança do consumidor na economia.
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"Obviamente, ainda não recuperamos o aquecimento do período pré-crise, mas começamos a ver o consumidor tirar o pé do freio. O trabalhador que estava inseguro, com medo de novas demissões nas empresas e, portanto, adiando a aquisição de bens, já começa a colocar a cara para fora", avalia o economista Reinaldo Cafeo.
Ele destaca que o mercado automotivo está sendo particularmente beneficiado por este movimento de reação, já que a queda nas taxas de juros projetada pelo governo federal tende a impactar com maior intensidade no setor, favorecendo a expansão do crédito. "Diferentemente de um empréstimo pessoal, em que as taxas mensais chegam a 5%, o consumidor, ao financiar um automóvel, consegue obter taxas mensais de 1,5%. Isso porque o veículo é uma garantia real de pagamento, ou seja, se o sujeito não pagar, terá o veículo tomado", esclarece.
PRODUÇÃO
Como resultado, segundo balanço divulgado pela Anfavea, a produção de veículos no País cresceu 40,4% em abril deste ano, na comparação com o mesmo período de 2017. Já o volume de vendas, no mês passado, cresceu 38,5%, mesmo com a queda do Índice de Confiança do Consumidor (ICC), provocada, segundo Cafeo, por fatores como a alta do dólar e as incertezas quanto à sucessão presidencial.
BOAS PROJEÇÕES
Ao final de 2018, ele diz, as projeções são de que o crescimento do setor seja encerrado em aproximadamente 11%. "Além da inflação controlada, houve, em 2017 e início deste ano, uma retomada da expectativa de garantia de emprego e, portanto, de renda no longo prazo, o que favorece um setor que vende, quase sempre, seus produtos por meio de financiamentos", completa.

