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Com baixa adesão, greve começa e MP já instaura inquérito

Marcus Liborio
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Bruno Freitas
Sindicato conversou com trabalhadores em frente ao Hospital Estadual na manhã dessa quinta-feira (10)

Começou com baixa adesão e com inquérito do Ministério Público (MP), a greve dos funcionários da Saúde que atuam nos hospitais de Base, Estadual, Maternidade Santa Isabel e Ambulatório Médico de Especialidades (AME). Nessa quinta-feira (10), no primeiro dia de paralisação, 150 trabalhadores cruzaram os braços, informou o Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem e Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru e Região (SindSaúde).

Esperava-se, contudo, que pelo menos 70% dos 2.500 funcionários aderissem ao movimento. Na oportunidade, a categoria afirmou que manteria 30% do quadro em atividade e que, em setores de urgência e alas como oncologia e UTI, este percentual seria maior. Já a Famesp - responsável pela gestão de todas as unidades paralisadas - alega descumprimento dos 100% do efetivo em serviços essenciais.

O promotor Enílson Komono, que atua na área de Saúde Pública, acompanhou os protestos ontem pela manhã. Ele afirma que o movimento desrespeitou o percentual de funcionários na UTI neonatal da Maternidade Santa Isabel. Por isso, decidiu instaurar um inquérito civil para apurar se a medida gerou prejuízos ao atendimento dos pacientes. "É o setor mais sensível de todas as unidades em greve", critica.

"Essa informação foi prestada pelos próprios grevistas. Para justificar a ação, disseram: 'Se a gente não fizer isso, não tem como pressionar'. Agora, estou aguardando detalhes e, se houver consequências graves, podemos até solicitar um inquérito policial", complementa Komono, que, no início da greve, já havia emitido alerta aos grevistas que seria enérgico nas providencias contra quem possa contribuir para uma eventual morte, por exemplo.

Durante as manifestações, nessa quinta-feira (10) de manhã, uma viatura da PM chegou a ser acionada na Maternidade, justamente pelo déficit nos serviços essenciais, conforme alegou Famesp por meio de sua assessoria de comunicação. 

Advogado do SindSaúde, Evandro de Oliveira Garcia critica a instauração do inquérito civil. "Faltam funcionários na Famesp todos os dias. Há déficit de 158 enfermeiros e o Ministério Público não abriu inquérito por isso", frisa, apontando que a baixa adesão pode ser justificada por algum tipo de pressão que os funcionários teriam sofrido por parte da Fundação.

PREMATURA 

Assessor jurídico da Famesp, Luiz Pegoraro considera prematura a greve porque, segundo ele, há um mês e meio que a Fundação está em negociação com o sindicato, em diversas tratativas - inclusive com mesa redonda. "Por isso, estranhamos a deflagração da greve hoje (quinta-10). A Famesp está aberta a negociações", destaca. 

Quanto à redução de direitos alegada pela categoria, ele nega que tenha ocorrido cortes. "Foram ajustes pontuais. Mantivemos o pagamento do quinquênio, do vale-refeição para os trabalhadores que fazem acima de seis horas, efetuamos um reajuste de 3% para todos os empregados da Famesp em compensação da terceira folga", detalha.

"Recebemos um abaixo-assinado com a proposta de efetuar a compensação do empregado que faça a jornada 12 por 36 horas no feriado e assim nós o fizemos. Aumentamos o adicional noturno para 45%. Enfim, os cortes não ocorreram. Enviamos uma terceira proposta e aguardamos um posicionamento do sindicato", finaliza. 

ASSEMBLEIA 

Em nota, o sindicato informa que recebeu a proposta da Famesp, que será discutida com a categoria hoje, em três assembleias com horários distintos: às 7h com funcionários do Hospital de Base, às 8h na Maternidade Santa Isabel e, por fim, com os trabalhadores do Hospital Estadual, às 9h.

PROPOSTAS

A proposta enviada pelo sindicato à Fundação prevê reajustes salariais de 100% do INPC e 3,5% de aumento real; 5% no quinquênio; adicional noturno em 45% (mantendo o atual) e os 10% sobre o salário base de adicional referentes aos setores especializados.

Além disso, a categoria pede auxílio-refeição de R$ 25,00 por dia de trabalho para todos os trabalhadores (hoje, recebem somente quem atua no Base e na Maternidade); aumento do auxílio-alimentação (vale-compra) de R$ 330,00 para R$ 650,00 e auxílio-creche de R$ 180,00 para R$ 300,00.

Já a contraproposta enviada nessa quinta-feira (10) pela Famesp e que será votada hoje pela categoria não teve seus termos divulgados pela Famesp.

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