Bairros

Unesp celebra 30 anos com 7 mil alunos

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 11 min

Samantha Ciuffa
Unesp Bauru: 20 cursos de graduação, além dos cursos de mestrado e doutorado e 5.768 estudantes da graduação e 1.262 da pós

Ana Beatriz Garcia
Luttgardes de Oliveira Neto, presidente do câmpus e diretor da FEB

JuRehder
Unesp em números

Com aulas, pesquisas, núcleos e projetos de extensão a perder de vista, representantes do corpo docente, técnico, administrativo e alunos do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), localizado no bairro Vargem Limpa, estão próximos de comemorar mais um marco. Com o maior número de estudantes dos seus 24 campi, neste ano a instituição de ensino relembra os primórdios e celebra os 30 anos de encampação da então Universidade de Bauru (UB) pela Unesp.

Para viver esse momento, uma comissão formada por professores da Faculdade de Ciências (FC), Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) e Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB) reuniram-se para organizar atividades especiais para a solenidade (leia mais na página 2).

A história do que hoje compõe a Unesp de Bauru é ainda mais antiga que os 30 anos comemorados em agosto de 2018. Tudo começou em 1967, com as aulas da Faculdade de Engenharia. No mesmo ano, o Colégio Técnico Industrial (CTI) também foi fundado. Ambas as unidades de ensino eram administradas pela Fundação Educacional de Bauru, criada em 1966. Na época, também foram implantadas a Faculdade de Ciências (FC), a Faculdade de Tecnologia (FT) - que depois incorporou-se à Faculdade de Engenharia - e a Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac).

ENCAMPAÇÃO

Mas foi entre 1985 e 1988 que a então Fundação Educacional de Bauru tornou-se Universidade de Bauru (UB). Nesta época, começava uma mobilização histórica por sua estadualização ou federalização, fato que se concretizou em 13 de agosto de 1988, quando a UB foi incorporada pela Unesp. A instituição foi a segunda faculdade pública e gratuita da cidade.

Hoje, a Unesp conta com 20 cursos de graduação, além dos cursos de mestrado, mestrado profissional e doutorado. E abriga, ao todo, 5.768 estudantes da graduação e 1.262 da pós, entre especialização, mestrado e doutorado (veja mais no quadro ao lado). "Antes éramos uma faculdade com cursos de graduação. Apesar de ter sido transformado em Universidade de Bauru, não houve toda a ampliação e mudança das atividades acadêmicas. Com a adição de pesquisa e extensão, encorpou a faculdade com outras atividades. Acho que este é o ponto principal para ter acontecido a encampação", destaca o atual presidente do câmpus e diretor da FEB, Luttgardes de Oliveira Neto.

IMPACTOS

Luttgardes ainda lembra que, até aquele momento, muitos alunos e professores eram advindos de Bauru e região. "Com a encampação, muitos docentes vieram de fora para completar o quadro da universidade. Os alunos também passaram por essa variedade de localidades. Depois de absorver essas mudanças, o corpo técnico-administrativo e docente também teve que crescer e se qualificar, buscando por mestrados, doutorados e especializações. Isso melhorou todas as nossas atividades. Nossa pesquisa melhorou, a pós-graduação chegou após alguns anos e, nesses últimos dez anos, a pós-graduação foi o que mais cresceu na universidade", conclui.

Exposição e solenidade relembram ano de encampação

Professores e alunos da instituição se uniram para promover as atividades de comemoração

ara celebrar e resgatar as lembranças dos 30 anos em que a Unesp está presente na cidade e na vida de quem ali trabalha ou estuda, professores e alunos se mobilizaram para preparar uma exposição e solenidade, que serão realizadas em agosto e setembro deste ano. Mesmo que setembro ainda esteja um pouco distante, as atividades já começaram.

Diretor acadêmico da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB), Raphael Sigolo Ruas Gonçalves, conta que todas as atividades estão sendo feitas em conjunto pelas faculdades e Administração Geral do campus Bauru. “Foi formada uma comissão organizadora, com membros da Administração, Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, da Faculdade de Ciência e da Faculdade de Engenharia de Bauru. Todos estão trabalhando para as atividades da solenidade que, por motivos de agenda, não será realizada no mês de agosto, que foi o mês da assinatura da encampação”, frisa.

A solenidade de comemoração, no dia 13 de setembro, contará com a presença de toda a comunidade unespiana, com convite para ex-alunos e professores que ajudaram a construir a história da universidade. "Além da cerimônia, haverá um jantar por adesão", completa o diretor acadêmico.  

EM FOTOS

Com o intuito de resgatar a memória dos 30 anos, haverá uma exposição itinerante, ainda com datas a definir, com fotos (como as desta página) em diversos pontos da instituição e cidade. “Já temos alguns espaços fechados, como os shoppings da cidade, por exemplo, além de vários locais da Unesp que é bastante grande. A exposição pretende viajar pela história do campus, durante o mês de agosto”, comenta a chefe do Departamento de Comunicação, Maria Cristina Gobbi, também membro da comissão organizadora.

Ainda de acordo com a professora, junto do corpo docente, alunos também colaboram para que a solenidade. “Nós temos um trabalho chamado Projeto Memória. Alguns alunos envolvidos neste projeto já estão realizando uma série de atividades, como um jornal que vai circular via campus e externamente, a seleção de fotos das unidades que serão expostas e também está sendo produzido material para rádio e para a tevê. Isso envolve os alunos, principalmente, do curso de Jornalismo e Rádio TV”, explica.

CONCURSO CULTURAL

A iniciativa, em torno das comemorações dos 30 anos da incorporação da Universidade de Bauru (UB) à Unesp, também gerou a promoção de um concurso cultural para selecionar a logomarca e a identidade visual da comemoração.

Alunos matriculados nos cursos de graduação e pós-graduação das três faculdades da Unesp de Bauru puderam apresentar suas propostas, de forma individual ou em duplas, que serão apreciados pela comissão. O resultado será divulgado no próximo dia 15.

Os critérios para a avaliação serão: criatividade, originalidade, comunicação objetiva, relação com o conceito, o tema e o objetivo geral. O primeiro, segundo e terceiro lugar receberão, respectivamente, leitor de livro digital, handset e kit de livros, além de certificados.

A iniciativa, liderada e organizada pelas três faculdades do campus de Bauru, ainda conta com o apoio da Fundação para o Desenvolvimento da UNESP (Fundunesp). “Além do concurso cultural, em que os alunos de todo o campus poderão participar, também estamos elaborando outras atividades para a comunidade interna e externa”, completa Gobbi.

Também parte da comissão organizadora, a Faculdade de Ciências (FC) teve um membro indicado para a reportagem que, até o fechamento desta edição, não foi encontrado. No entanto, todas as atividades vem sendo discutidas e planejadas, em conjunto, pelas três faculdades do campus.

Quioshi Goto/JC Imagens
Roberto Purini (com microfone), Orestes Quércia e Tidei de Lima em evento no Centro de Bauru, em 13 de agosto de 1988

Acervo histórico Unesp
O então reitor Jorge Nagle assina documento que trouxe a Unesp para Bauru

 

Samantha Ciuffa/Reprodução
O assunto estampou a capa do Jornal da Cidade, em 13 de agosto de 1988

Acervo histórico Unesp
Governador na época, Orestes Quércia assina o documento de incorporação em 1988

Como o JC noticiou

Após uma longa luta pela estadualização, a antiga Universidade de Bauru (UB) foi incorporada pela Universidade Estadual Paulista. A iniciativa foi formalizada pelo governo do Estado em 12 de agosto de 1988, num “ato político” do então governador Orestes Quércia (PMDB) acompanhado dos então deputados Tidei de Lima e Roberto Purini.

Na capa e na página 5 da edição do sábado, dia 13 de agosto de 1988, o Jornal da Cidade estampou a mais nova conquista para a cidade. Escrita por Aurélio Alonso e Gilmar Dias e com fotos de Quioshi Goto e Malavolta Jr., a reportagem traz o retrato do clima de comício que foi criado com a presença do então governador, além da alegria do reitor, na época, Jorge Nagle, que destacava a importância da encampação para que novas vagas de ensino público e gratuito fossem criadas. Em um palanque improvisado, eles falaram para um público de cerca de mil pessoas. A matéria ainda relata que foi ao som da canção de Milton Nascimento, “Coração de Estudante”, que Quércia, antes de seu discurso, assinou o documento que incorporava a UB à Unesp.

O resultado dos laboratórios

A reportagem passou por alguns pontos da universidade recolhendo as histórias de algumas vitórias conquistadas pela instituição

Em 30 anos, desde a incorporação pela Unesp, o campus Bauru reúne uma infinidade de histórias. Contemplar todos esses episódios seria uma tarefa árdua e para outros fins. No entanto, o JC nos Bairros contou com a ajuda de Jorge Luiz Freitas, há 12 anos motorista da diretoria do campus, que guiou a reportagem para conhecer alguns laboratórios das três faculdades do campus e, proveniente deles, algumas das conquistas da entidade.

Uma breve volta pela área na Vargem Limpa que abriga a estrutura de prédios, com salas de aula, laboratórios, rádio e tevê educativa, um colégio profissionalizante e radar meteorológico, já revela que a universidade tem grande impacto na vida de quem passa por lá. Seo Jorge, que também é presidente do clube dos funcionários da Unesp, é o primeiro a opinar.

“Nessas andanças com professores, diretores e até alunos, que vez ou outra eu levo para as competições, a gente aprende muito. E sobre tudo. Essa é, sem dúvida, a melhor coisa de se trabalhar em uma universidade”, comenta entusiasmado enquanto dirige para um dos laboratórios da entidade.

DE PRIMEIRA

Durante a tarde pelo campus, não foi difícil que a reportagem encontrasse também com alunos que levam o nome da universidade em competições. Um deles foi o aluno do 4.º ano de design Renan Albano de Souza, de 22 anos, recém vencedor do Prêmio Tok&Stok de Design Universitário 2017, realizado pela marca homônima de fast design, que estava no Laboratório Didático de Materiais e Protótipos.

“Essa foi a primeira vez em que participei e eu aprendi muito. Desde o pensamento da esquete, que são os desenhos iniciais, depois a modelagem 3D, até os protótipos vendo eles quebrarem. Fiz três modelos até acertar os encaixes e dimensões. É um processo de muito trabalho e dedicação que me traz muita felicidade desse resultado, principalmente, por poder ver a universidade pela qual sou apaixonado no palco”, diz.

O resultado foi conhecido em março deste ano. Ao todo, 466 projetos foram inscritos na edição. Destes, 23 projetos foram à final na qual Renan saiu campeão com sua cadeira Caiaque. A cadeira Goitacá, de Daniel Esteban Lopes Fidelis, também aluno da Unesp de Bauru, recebeu menção honrosa em quarto lugar. As peças desenvolvidas pelos vencedores ficarão expostas na Tok&Stok de Pinheiros, em São Paulo, até o próximo dia 17 de maio.

EXPERIÊNCIA

Também premiado, o estudante do 5.º ano de Engenharia Mecânica, Arthur Gianini Manente, de 22 anos, estava trabalhando em um dos laboratórios da FEB. Lá, o carro – apelidado febinho – aguarda pelos trabalhos dos cerca de 50 alunos que trabalham durante um ano para a competição automobilística organizada pela SAE Brasil, em novembro. “Temos que construir o carro com base nos regulamentos deles. São provas estáticas e dinâmicas. Temos que cumprir os requisitos, defender os argumentos, negociar como se o júri fosse comprar o carro e, em outra etapa, correr 22 km sem deixar óleo ou peças pelo percurso”, explica o atual capitão da equipe.

O estudante conta, ainda, que o carro pode ser reutilizado apenas uma vez e que, com aperfeiçoamento, a equipe da FEB avançou da 22.ª posição em 2016 para 15.ª em 2017. “De 35 equipes de todo o país, fomos uma das quatro a completar todas as provas e também ganhamos o prêmio de carro com mais economia de combustível”, conclui Arthur.

Para a universidade e para a comunidade

O presidente do campus e diretor da Faculdade de Engenharia, Luttgardes de Oliveira Neto, destaca que os trabalhos realizados nos laboratórios e salas de aula da universidade geram impacto direto na vida da cidade.

“Grande parte das pesquisas é para resolver problemas da cidade e arredores. Posso citar o trabalho realizado no Laboratório de Ensaios Especiais de Mecânica de Solos, que estuda os problemas de erosão de asfalto e barreiras, o trabalho realizado pelos professores de arquitetura, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação, que vem criando uma proposta de urbanização do Centro da cidade e a piscina do Laboratório Didático de Esportes Aquáticos, da Faculdade de Ciências que, se não me engano, é a única com rampa de acessibilidade do interior de São Paulo. Além disso, é coberta e aquecida e está à disposição da comunidade. Estes são poucos exemplos perto da quantidade de projetos realizados para a comunidade, mas é uma forma de exemplificar a interação da universidade com ela”, frisa Luttgardes.

Um dos citados, o Laboratório de Ensaios Específicos em Mecânica dos Solos, da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB), guarda maquinários de destaque no país. “Essa é uma das primeiras máquinas a virem para o Brasil. Na época em que chegou, deveriam ter apenas três no país. Agora já devem ter mais. É uma máquina cara e que realiza um ensaio também caro de se fazer. Aqui, é utilizada pelos alunos, em campo, para resultados de projetos de pesquisa”, explica o assistente acadêmico Gustavo Pinheiro, enquanto apresenta o equipamento italiano Pagani que realiza ensaios estáticos e dinâmicos de perfuração do solo.

Já no Laboratório Didático de Materiais e Protótipos, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), Debora Moura Barboza, 23 anos, Marcela Pulzatto Mazetto, 21 anos, e Rafaela Bergamasco Brunini, de 26 anos, estão no último ano de arquitetura, e trabalham em estruturas de madeira para adiantar os trabalhos da disciplina eletiva, cursada à noite. “Eu já havia trabalhado na oficina e resolvi voltar, por isso escolhi essa matéria optativa. As amigas vieram junto e é a primeira vez que trabalham com isso”, afirma Rafaela. “Acho incrível poder fazer esse tipo de experimento no laboratório. São coisas e materiais que não temos na sala de aula”, conclui Marcela.

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