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Donas

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Dona Lourdes foi vizinha de dona Nair, que ainda está por ali. Perto de dona Hermínia, que teve tantos filhos seguidos de olhos claros que era uma confusão identificá-los. Dona Tereza mora na rua de cima e teve tantos filhos legais seguidos que não dá para dizer qual é o melhor (um virou meu cunhado).

Não basta a Tereza do bairro, não uma só: a tia Tereza é, igualmente, mãe de grande qualidade, assim como as tias Consuelo (super!), Zilda (sorriso!), Marias (duas), Luzia (única).

Luzia, de outro sangue, virou nossa tia com titulação outorgada pelo coração. Luzia, que tem Almir e Adriano, mas que perdeu Serginho. Uma casa de luz e som: três filhos músicos. Ela ganhou a luta contra traquinagens da própria saúde e segue firme. É fortaleza iluminada porque sabe que a barra, às vezes, é funda.

Em comum: todas mães plenas. Assim são. De Odila a Luzinete. De dona Marisa (minha primeira professora) a Heloísa (vitoriosa na fé). Fé que também move Vera, que o mar acompanha desde os tempos de Rio até esses dias em Santos. Foi o mar que atraiu Lucirene para perto dele e que, agora, vem seduzindo Marilene.

Mães sem mar, que tiram onda de vovó: são as jovens avós Dáphinis e Salete, que sequer se conhecem, mas vivem esse ponto em comum.

Já aqui em casa há uma mãe louca por mar e ar. Voa e, nas suas asas, vão Gabriel e Laísla para total diversão no colorido do mundo.

Uma mãe é um mundo. O mundo da Renata é Lucas e Luan. Renata, minha irmã, mãe como dona Lourdes foi, só que mais louca e exagerada. Há as mães que ainda não foram. A elas, nem ouso dar conselho. Só arrisco dizer: está assim de mãe para se observar melhor por aí. E, delas, tirar boas pistas sobre como uma mãe pode ser.

Nem precisa ir muito longe: na frente de sua casa deve viver uma Consuelo, uma Odila, uma Luzia. Quer ser mãe? Bate lá na porta da vizinha e faça convite pra visita. Um cafezinho pode virar lição de vida porque é de vida que essas mulheres mais entendem.

O autor é editor do JC.

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