Tribuna do Leitor

O serviço social

Maria Dvanil DÁvila Calobrizi
| Tempo de leitura: 2 min

O Serviço Social, desde as suas origens, é uma profissão que tem um compromisso com a construção de uma sociedade humana digna e justa. É uma das poucas profissões que possui um projeto ético político resultado do processo histórico intenso de construção constante em torno de implicações éticas na profissão. Este projeto tem como pano de fundo um projeto societário, radicalmente democrático, tendo em seu núcleo o reconhecimento da liberdade como valor central.

Parafraseando Carlos Drumond de Andrade, "Este é tempo de divisas, tempo de gente cortada", e complemento, tempo de injustiças, de desigualdades extremas, de insensibilidades com a situação social brasileira... terreno fértil para orquestrar o Projeto Ético político da nossa profissão. No entanto, não devemos permanecer imersos nesse cotidiano estafante, com obrigações e limitações, centrando nossas energias apenas nos obstáculos, nas dificuldades e desta forma, acabando por destruir a essência da vida, da liberdade.

A grande batalha da sobrevivência humana é estabelecer preceitos morais sintonizados em valores éticos e assim resgatar a cidadania com espírito de liberdade, pois só assim não seremos dominados pelo medo das incertezas de um novo horizonte. Como bem dizia Aristóteles: "O homem, quando ético, é o melhor dos animais; mas separado da lei e da justiça, é o pior de todos". Penso que nossos sonhos sempre nos moverão e nos darão motivação e disposição para realizarmos todas as tarefas previstas, além de ser combustível para enfrentar os obstáculos do caminho.

Por mais duros que sejam os nossos dias não podemos permitir que eles embruteçam o nosso coração, devemos ser sensatos, agir com imparcialidade, equidade e que, nas nossas decisões, nunca deixemos que a mão se afaste muito do coração, sabendo dosar razão e emoção. Nessa jornada, percorremos a trilha por ladeiras escorregadias e percorremos superfícies pantanosas, mas seguimos livres, guiados pelo compromisso e o amor à nossa profissão. Lembrando Martinelli, nossa identidade profissional é formada por saberes, poderes e fazeres, temos de "aprender a tecer a profissão como a teia que se tece junto".

Nossa profissão é social no nome e solidão no trajeto, portanto, não devemos nos afastar do saber, da troca, da busca, do compartilhar de informações, da união que engrandece, eleva e suaviza a caminhada.

Nunca deixem de acreditar na nossa profissão, aprendam a garimpar pedras preciosas nas ruínas dos seus traumas, mas não desistam nunca dos sonhos. É uma profissão que vale a pena investir nossos esforços para que a justiça social possa atingir a população usuária que anseia por ações propositivas e imediatas. Parabéns a todos (as) os (as) assistentes sociais.

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