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O câmbio flutua

Reinaldo cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Sabe o que acontece quando o País adota o câmbio flutuante para definir o preço da moeda estrangeira? Ele flutua! Simples assim. A alternativa ao câmbio flutuante é câmbio fixo. Caso o País adote esta alternativa, quem "banca" o jogo é o Banco Central, caso contrário o descrédito no tocante ao custo da moeda estrangeira, imposto pela Autoridade Monetária, leva a desequilíbrios internos.

O Brasil adota uma política cambial alinhada com as práticas das principais economias do mundo. A lógica inicial é permitir que demandantes de moedas estrangeiras se ajustem com os ofertantes. Quando à demanda, como é o caso atual, é maior do que a oferta, a cotação se eleva. Quando há movimentos desordenados, ou seja, em momentos de grande volatilidade (oscilações) a Autoridade Monetária, no caso o Banco Central, entra no mercado interferindo no equilíbrio entre oferta e equilíbrio.

Observem que o Banco Central atuará em momentos em que o movimento é desordenado, desta maneira o câmbio é flutuante, contudo, flutuação suja. Este tem sido o comportamento do Banco Central.

O que tem levado o mercado cambial a este movimento desordenado? Mais de 90% da influência é externa, portanto, sem controle interno. Os Estados Unidos têm sido o grande agente de interferência no mercado da moeda. O mercado de consumo americano está em alta.

Desemprego baixo e redução de carga de tributária interna elevaram o poder de compra do consumidor americano. Mesmo com ampla oferta de produtos há temor que a inflação naquele País se eleve. Uma forma de combater a inflação é elevar a taxa de juros. Juros maiores em País seguro (baixo risco de calote) atrai capital estrangeiro, que abandona Países com nível de risco mais elevado, como é o caso brasileiro.

Além da questão dos juros, o dólar se valorizou frente às principais moedas do mundo. Fruto do fortalecimento econômico dos Estados Unidos. Desta maneira, não é um caso localizado somente aqui no Brasil. A Argentina, por exemplo, com a economia mais frágil que o Brasil, elevou os juros internos de 25% ao ano para 40% ao ano, visando manter o capital estrangeiro em seu território.

Como colocado, cerca de 90% são fatores externos, que além da performance positiva da economia norte-americana ainda há as questões geopolíticas, como mudança do preço de commodities em função da saída dos Estados Unidos do acordo nuclear com o Irã, e sua guerra comercial particular com a China. Tudo isso mexe com o ânimo dos investidores e a aversão ao risco pressiona a cotação para cima.

Cerca de 10% do nervosismo no mercado cambial vêm de influências internas. A questão sucessão presidencial é um destes fatores. Sem um candidato forte que preconize as reformas estruturais no Brasil, há muita dúvida se iremos sustentar o crescimento econômico daqui para frente. Os populistas têm tido melhor desempenho na corrida presidencial do que os reformistas.

Também há as indefinições econômicas, como o ajuste das contas do setor público. Como colocado, não era esperada tanta pressão no câmbio neste período do ano, entretanto, faz parte da liberdade econômica, em que câmbio flutuante serve para isso mesmo. O Banco Central continuará atuando neste mercado, emitindo títulos cambiais e até vendendo dólar no mercado a vista, oferecendo a "ração" deseja pelos agentes econômicos, não deixando o dólar disparar, na expectativa que as coisas se acalmem.

Tudo indica que o piso para o dólar não voltará aos níveis de R$ 3,30. Quando ocorrer a estabilidade neste mercado, muito provavelmente o piso será outro, acima dos R$ 3,50. A economia brasileira terá que assimilar isso, com o mínimo de estragos internos. De qualquer maneira não há muito mais o que fazer.

Deixemos o câmbio flutuar e confiemos na atuação do Banco Central brasileiro.

O autor é economista, articulista do JC. Está no Youtube com o canal Planeta Economia.

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