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STF envia queixa-crime contra Damares à Justiça

FolhaPress
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Brasília  - O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), encaminhou nesta quinta-feira (13) para a Justiça Federal do Pará uma notícia-crime contra a ex-ministra e senadora eleita Damares Alves (Republicanos-DF) pelas afirmações feitas por ela, em um culto no último fim de semana, de possíveis crimes de violência sexual contra crianças na Ilha de Marajó (PA) que não teriam sido investigados.

O STF indica a existência de possível crime de prevaricação, já que na época dos abusos relatados por Damares ela ainda estaria à frente do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Nos últimos dias, as afirmações da senadora eleita fizeram com que ela se tornasse alvo de pedidos de esclarecimentos do MPF (Ministério Público Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) foi acionada contra ela.  A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão estabeleceu um prazo de três dias, contando desde terça-feira (11), para que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direito Humanos preste informações sofre a fala dela.

O QUE FOI DITO

Em um culto com crianças presentes no último fim de semana, Damares detalhou abertamente abusos que teriam sido cometidos na Ilha de Marajó (PA). Ela não mostrou provas no momento da fala, nem até agora.

"Eu vou contar uma história para vocês, que agora eu posso falar. Nós temos imagens de crianças brasileiras de três, quatro anos que, quando cruzam as fronteiras, os seus dentinhos são arrancados para elas não morderem na hora do sexo oral", relatou. Ela disse ainda que as meninas e meninos comem comida pastosa "para o intestino ficar livre na hora do sexo anal".

NADA EM 30 ANOS

A CPI realizada no Pará que investigou a exploração sexual de crianças e adolescentes no estado identificou, entre 2005 e 2009, cerca de 100 mil casos e, segundo o relator da comissão, o ex-deputado federal Arnaldo Jordy (Cidadania), nenhum deles como os que a ex-ministra relatou. Jordy afirma que em nenhum momento foi registrado qualquer caso de crianças que teriam dentes removidos ou foram forçadas a determinados regimes alimentares com objetivos sexuais.

Já o MPF (Ministério Público Federal) do Pará afirmou, por meio de nota, que nenhuma denúncia feita ao órgão nos últimos 30 anos sobre tráfico de crianças na Ilha de Marajó (PA) é semelhante "às torturas citadas" pela ex-ministra.

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