O Presidente da Federação Mundial de Caça adorava caçar. Então, caçava. E caçava com dois amigos, que ainda adoram caçar, mas, traumatizados, estão repensando se continuam ou não no perigoso esporte. Esse Presidente Mundial de Caça, o pastor religioso Admir Putinoski, 58, não vai fazer 59 nunca.
Assassinado brutalmente na Polônia por um búfalo, justamente na data da última caçada da sua vida. Da vida dele, claro e não a do touro.
Esse Presidente da Federação Mundial de Caça, ao se deparar com o belíssimo porte do animal de mais de uma tonelada, ficou maravilhado com o seu próximo e possível troféu. Imaginou a enorme cabeça do búfalo empalhada e pendurada em vaidosa parede. A casa iluminada cheia de convidados em festa do melhor vinho. Em armários envidraçados, uma coleção de pistolas, fuzis e granadas convidavam o queixo a cair.
O Presidente narraria a cada um dos admiradores todos os lances da sua épica caçada do búfalo. Quem sabe não seria homenageado e medalhado no peito pelos colegas do "Clube dos Amantes do Tiro", hoje tão prestigiado na Polônia?
Tomado por um impulso de admirável bravura, aproximou-se perigosamente do belíssimo animal que pastava mansamente com os dois filhotes e com a búfala companheira. Aliás, diga-se de passagem, que essa era a feliz rotina diária na vida da bonachona família de 16 patas. É só isso o que os búfalos fazem, pastam e ruminam vagarosamente uma paz verde de dar inveja.
O Presidente Putinoski, diante de glória tão próxima, munido do seu fuzil calibre 408, disparou tiro certeiro, que, invariavelmente, acerta, mas nem sempre mata. Urrando muito com a dor lancinante do projétil entranhado na carne, o búfalo partiu pra cima do Presidente Caçador e o matou com sucessivas chifradas. O animal acabou morto pelos disparos dos dois outros caçadores.
Deixou viúva e dois filhotes. Besteira essa história de que o morto deixa mulher, sogra, filhos... Tem que deixar mesmo, dá pra levar? Se possível fosse, pobre sogra! As autoridades locais imediatamente abriram investigação minuciosa. Querem saber se o búfalo tinha permissão legal para ser caçado.
Observação: Este texto é ficcional, portanto profundamente verdadeiro.
O autor é professor de redação e autor de obras didáticas e ficcionais.