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Moradores da Vila Cardia relatam aparecimento frequente de gambás

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Bauruenses que residem na Vila Cardia estão apreensivos diante de uma situação que, segundo eles, se tornou bastante frequente nas últimas semanas: gambás entrando em suas residências. Um dos casos mais emblemáticos ocorre na quadra 16 da rua Presidente Kennedy, onde um pé de manga virou abrigo para os animais, que vivem acessando o forro dos imóveis existentes por ali.

A árvore fica no quintal do advogado José Zonta Junior. Na última segunda-feira (17), inclusive, a neta de 17 anos dele levou um susto ao tentar filmar um dos gambás, como forma de comprovar o problema.

Na ocasião, ela se aproximou do marsupial e, ao se sentir acuado, o bicho deu um pulo em direção à adolescente. A situação terminou sem ferimentos à jovem e com a fuga do gambá, que escalou um muro antes da chegada do Corpo de Bombeiros, acionado como forma de protegê-lo de cães nas imediações.

"O gambá não fez nada contra minha neta… só pulou e a assustou, tanto que ela gritou. Pode ser que ele estivesse com filhotes. Nós temos muita pena desses bichinhos. Nossa intenção é protegê-los, tanto que acionamos os bombeiros para evitar que outros cachorros do bairro pudessem machucá-lo", comenta José Zonta Junior.

Os casos relatados de aparecimento com frequência de gambás são de residências localizadas entre os cemitérios da Saudade e Memorial Bauru.

'SAÚDE PÚBLICA'

"Virou problema de saúde pública. Conversei com vários vizinhos e todos têm encontrado gambás em casa ou escutado barulhos característicos nos forros. Acredito que eles estejam vindo do Cemitério da Saudade", aponta o morador. "De seis meses para cá, nossa cachorrinha tem ficado aflita no quintal, entre 18h e 20h30. E percebemos que eles não estão mais só no forro, mas têm se proliferado em uma mangueira nos fundos de casa. Deve ter, ao menos, quatro animais por lá", ressalta Zonta Junior.

Moradora da mesma rua, a manicure Cleusa Marciano, 59 anos, diz que o receio de encontrar gambás dentro de casa tem feito com que ela fique a maior parte do tempo com as portas e janelas da casa fechadas.

"Já encontramos dois aqui no corredor e olha que eu nem tenho plantas e quintal. Prefiro passar um pouco de calor do que dormir ressabiada, porque nunca se sabe se eles irão entrar", observa Cleusa.

PELA CIDADE TODA

Zootecnista e diretora do Zoológico Municipal de Bauru, Claudia Ladeira explica que o aparecimento mais frequente de gambás não está restrito à Vila Cardia.

"Tem acontecido na cidade toda. Nesta época, as fêmeas estão com filhotes, mais famintas, menos ágeis e à procura de abrigo. E, nas residências, elas encontram, muitas vezes, um bom abrigo para ficar com os filhotes, em razão da comida, seja ração de cães e gatos ou no lixo", aponta ela, contando que muitos gambás têm sido capturados pelos bombeiros ou pela Polícia Ambiental já feridos.

Inclusive, conforme o JC noticiou na última semana, durante a primavera, os pedidos de remoção de animais silvestres na área urbana triplicam em Bauru e região. A estimativa é da 2.ª Companhia de Polícia Militar Ambiental, que chega a registrar até sete solicitações diárias.

CONFIRA O VÍDEO DO GAMBÁ PULANDO NA JOVEM:

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