Dia 19 de maio é comemorado o Dia do Físico, profissão ainda sem reconhecimento formal e que, particularmente, considero gratificante e empolgante. Afirmo isso como professora de física e por trabalhar nos últimos 30 anos de minha vida na formação de professores de física (licenciandos) e na formação de pesquisadores na área de física (bacharéis). Por isso, permitam que faça nessa coluna um momento de reflexão (evidentemente, não aquela da óptica geométrica...), sobre a atuação dos professores de física em nossas salas de aulas.
Acredito que estejamos passando por um momento muito delicado nesse sentido, pois hoje temos comprovadamente um número expressivo de "falsos professores de física" em salas de aulas. Muitos não têm sequer formação básica, nunca terminaram um curso de graduação em física ou de qualquer outra área próxima (matemática, química ou outra licenciatura, que seja). Não discuto o "notório saber" desses "profissionais" e nem mesmo suas "aptidões naturais" para o magistério, porém assim como não aceitamos que um médico, advogado, engenheiro, dentista ou outros profissionais exerçam suas respectivas funções sem formação, sem terem sequer frequentado uma universidade, porque permitimos que "professores" tenham esse privilégio? São os professores que promovem a formação básica de qualquer outro profissional e só isso bastaria para exigirmos para nossas crianças e jovens, professores com formação adequada, que tenham adquirido no ambiente de uma universidade (espera-se que de ótima qualidade!) As competências necessárias para se tornarem um professor educador. Apenas um rostinho atraente, um "jeitinho com a meninada" e "umas piadas prontas" em salas de aulas, não qualificam ninguém para ser um profissional do magistério. E disso tenho certeza, pois como esclareci, junto com dezenas de outros profissionais plenamente qualificados, trabalho na formação de professores por toda minha vida profissional. Tem se tornado muito fácil identificar tais "professores" nas redes sociais, nos sites de escolas (de bauru e região), nos eventos promovidos por eles mesmos ou pelas próprias escolas, e que tem o mesmo nível de escolaridade dos alunos que estão ensinando, ou seja, o ensino médio no máximo. Estamos também vivendo um momento de muita angústia e apreensão em nossas universidades públicas, com cortes de verbas, falta de contratações, conversas sobre privatizações, etc. Além disso, vivemos um momento onde os atos de corrupção, corporativismo, apadrinhamentos, benefícios ilícitos e desonestidade estão escancarados em noticiários e em todos os meios de comunicação. Saímos as ruas, eventualmente, protestando, e ainda por muitas vezes divulgamos as piadas prontas sobre as mazelas de nosso país nos grupos de whatsapp e similares. Porém, permitimos que a hipocrisia e a falsidade estejam presentes nas escolas, principalmente, nas particulares, que contratam "professores" que nunca receberam um diploma para tal profissão em suas vidas! Acredito que a inserção de professores em formação nas escolas públicas ou particulares seja muito saudável, como estagiários, monitores ou eventualmente substituindo um professor formado, agregando conhecimento e prática docente à sua formação. Porém, isso deve ser feito com responsabilidade, pois existem inúmeros estudantes com comprovado desempenho acadêmico e condições para estarem a frente de uma sala de aula em situações previamente planejadas, que não são aqueles que sequer se dão ao trabalho de levar adiante com a minima dedicação seus cursos de graduação.
Penso que a contratação de "falsos professores" desqualifica os cursos de formação de professores de nossas universidades, desmotivam aqueles que têm o interesse real em se tornarem "reais professores", desvalorizem ainda mais a tão abatida profissão de professor e ainda dão margem para que protestos de toda natureza sobre o fundo de poço que nosso país se encontra sejam aplaudidos e levados adiante por inúmeros cidadãos que não tem moral para isso. Como disse, isso é apenas uma reflexão...